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WhatsApp: o que querem os grupos bolsonaristas no 7 de Setembro: "Intervenção militar com Bolsonaro no Poder"

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7 de setembro

Se, de um lado, o presidente da República dá sinais evidentes de que não está disposto a seguir as regras da democracia e, de outro, agentes do sistema político e do mercado tentam conter os ânimos, nos grupos de extrema-direita no WhatsApp - que apoiam fielmente o chefe do Executivo federal - o objetivo das manifestações de 7 de Setembro é claro e sintetizado em um mote: "Intervenção Militar com Bolsonaro no Poder".

A reportagem do Reconta Aí acompanhou postagens em três destes grupos. Não há qualquer vínculo dos mesmos que seja identificável com autoridades eleitas. O que torna, em alguma medida, as coisas ainda piores: nada parece conter o ânimo e intenção destes coletivos.

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O simbolismo da data é utilizado para ser falar em "Nova Independência". A solução extrema que é proposta, para os integrantes deste grupo, é decorrência da necessidade de se livrar de uma conspiração contra Bolsonaro, que envolve os comunistas - incluindo principalmente os chineses - e seus agentes em território nacional, que vão de ministros do STF até os indígenas.

Guerra Interna

Na suposta conspiração contra Bolsonaro, todos os fatos estão relacionados. A votação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas é, para eles, parte de uma "guerra interna de poder", mas com agentes internacionais, que visa minar o potencial econômico do agronegócio, um dos pilares de sustentação do governo.

Obviamente, as pesquisas de opinião que apontam que o apoio ao governo Bolsonaro já se tornou minoritário entre a população brasileira sequer são mencionadas.

Em outra postagem, uma mensagem encaminhava para um link que explicava que a "China será a nova dona de Hollywood".

A intervenção militar, para parte dos integrantes destes grupos, seria a única forma de se livrar da infiltração comunista na política brasileira. Seria "mais rápido" - além de "bem mais seguro" - utilizar as Forças Armadas para que elas passassem o "rodo no STF", defende outra postagem. E tudo isto dentro da legalidade: a ideia de que "todo poder emana do povo" é usada para justificar um golpe militar.

Há também convocatórias para que o protesto se torne um acampamento permanente.

Mentiras: velhas e novas

Os grupos acompanhados pelo Reconta Aí demonstraram ódio por várias questões e diversos indivíduos. Uma ideia que tem sido rechaçada é a da exigência de comprovante de vacinação para se frequentar locais públicos. Figuras políticas são constantemente atacadas. O alvo preferencial nesta seara são Lula e, entre os governadores, João Doria (PSDB), governador de São Paulo.

Outro foco são ministros do STF. E para os ataques acontecerem vale tudo. Uma imagem aponta o ministro Ricardo Lewandowski como um ex-guerrilheiro que integrou o MR-8, grupo que fez farte da luta armada contra a ditadura militar.

Mesmo que a imagem tenha sido desmentida em 2018, época em que foi primeiramente divulgada - aquele que é apontado como Lewandoski era o militante Ricardo Vilas Boas de Sá Rego -, ela tem circulado novamente. A foto é uma imagem icônica do período pós-64, a de presos políticos saindo do país para o exílio após o sequestro do então embaixador dos EUA, Charles Elbrick, em 1969.

E há mentiras novas, como a de que o empresário e apoiador de Bolsonaro Luciano Hang teria aberto um posto de gasolina que vende o litro de combustível a menos de R$ 4 apenas para pessoas de direita. Neste tema, aliás, a alta dos preços é, obviamente, culpa dos governadores.

As mensagens são claras em identificar nas falas de Bolsonaro um apelo para que a população autorize uma intervenção militar. "Tudo estará dentro das quatro linhas de nossa Constituição" caso as pessoas peçam um golpe, explica uma das mensagens.