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Voto impresso: A verdade sobre a urna eletrônica que Bolsonaro não te conta

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urna eletrônica

Os ataques do presidente Bolsonaro à democracia geram desinformação e muita fake news. A discussão da vez é a defesa do voto impresso, já que para o presidente existem fraudes nas eleições brasileiras com as urnas eletrônicas. Diante disso, o Reconta Aí vem mostrar exatamente como funciona todo o processo envolvendo as urnas, desde a fabricação até o resultado das eleições.

Ao contrário do que muitos imaginam, a Justiça Eleitoral utiliza o que há de mais moderno em termos de segurança da informação para garantir eleições 100% seguras. Tanto o projeto das urnas eletrônicas, quanto o software que faz com que ela funcione, foram desenvolvidos por equipes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As urnas são produzidas por empresas que vencem um processo de licitação, mas a fabricação deve seguir à risca o projeto original. Além disso, empregados do TSE acompanham todo esse processo de fabricação.

Antes das eleições, o TSE instala o software e o hardware em cada uma das urnas. Esse sistema possui tecnologias de criptografia, assinatura digital e resumo digital extremamente modernos. Assim, se tentarem executar um outro software ou usar o software oficial em um hardware não certificado, a urna eletrônica automaticamente para de funcionar.

VOCÊ SABIA? O sistema operacional contido na urna não possui nenhum mecanismo que permita a conexão do aparelho com redes, acesso à internet ou até mesmo o acesso remoto. Ou seja, o equipamento funciona totalmente offline eliminando a possibilidade dela ser invadida por um hacker que irá fraudar a eleição.

Depois de tudo instalado, as urnas são lacradas e enviadas para todos os municípios brasileiros. Essa logística de distribuição dos equipamentos é feita, em grande parte, pelos Correios.

Início da votação

Antes de iniciar a votação, o presidente da seção eleitoral e os mesários verificam se está tudo em ordem com as urnas. Em seguida, a urna é ligada na tomada e os presentes verificam na tela se os dados referentes a município, zona, seção, data e hora estão corretos, bem como se a urna está funcionando perfeitamente com energia elétrica.

Finalizadas essas conferências, o presidente da seção eleitoral imprime a zerésima. Ela é um documento que contém toda a identificação da urna, comprova que estão registrados todos os candidatos e que não existe nenhum voto.

A zerésima é conferida e assinada por todos os presentes, inclusive pelos fiscais dos partidos políticos e das coligações que acompanham todo o processo. Em seguida, a votação pode ser iniciada.

Meu voto na urna eletrônica

A urna eletrônica armazena cada um dos votos dos eleitores em uma espécie de tabela digital chamada de Registro Digital do Voto (RDV). Os votos são gravados de maneira aleatória para não revelar a ordem dos votantes na seção eleitoral, garantindo sigilo absoluto da escolha do eleitor.

Com o RDV não existe a possibilidade das informações gravadas serem alteradas, já que são usadas várias ferramentas de segurança da informação, como criptografia, assinatura digital e hash (resumo digital).

Para tornar o processo de registro do voto ainda mais seguro e impessoal, além de prevenir a perda de votos, todas as informações são armazenadas em duas memórias: uma interna e outra externa. 

Atenção! Os partidos políticos e as coligações podem solicitar cópias dos arquivos de Registro Digital do Voto para desenvolver aplicativos próprios que vão comparar se a apuração dos votos pela Justiça Eleitoral está 100% correta.

Vale ressaltar que o RDV permite a recontagem dos votos de forma automatizada, sem comprometer a credibilidade do processo eletrônico.

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Fim da votação

Com o fim da votação, o presidente da seção e os mesários imprimem o Boletim da Urna, que registra a seção eleitoral, as informações da urna, o número de eleitores que votaram e os votos de cada candidato/legenda, nulos e brancos. Lembrando que neste documento não existe associação do eleitor com o seu voto.

São impressas cinco vias obrigatórias do Boletim, assinadas pelo presidente da seção eleitoral e por representantes ou fiscais dos partidos políticos presentes. Uma via do documento é colada na porta da respectiva seção; três são incluídas na ata da seção e encaminhadas ao cartório eleitoral; e a última é entregue aos representantes ou fiscais dos partidos.

Em seguida, todas as informações são gravadas na mídia de resultados e encaminhada diretamente para um centro de transmissão da Justiça Eleitoral. A transmissão das informações é por satélite e segue um longo caminho em um canal exclusivo e protegido que somente a Justiça Eleitoral tem acesso.

VOCÊ SABIA? Todo cidadão pode acessar o Boletim da Urna de qualquer seção de votação do País. É possível visualizar o documento pelo Portal do TSE ou pelo aplicativo Boletim na Mão (acesse aqui).

Apuração dos votos

Assim que as informações chegam ao TSE, a integridade e autenticidade dos dados são verificados. As informações só podem ser lidas nos equipamentos da Justiça Eleitoral que possuem as chaves digitais para abrir as várias camadas de segurança.

Usando um supercomputador localizado fisicamente no TSE, a soma dos resultados de cada uma das urnas eletrônicas se inicia e pode ser acompanhada ao vivo pelos canais do Tribunal.

Atenção! O resultado final divulgado pelo TSE sempre correspondeu à soma dos votos de cada Boletim da Urna impresso em cada seção eleitoral do País. Qualquer eleitor pode confrontar as informações.

Auditorias

A urna eletrônica é usada há 25 anos e nunca houve nenhuma comprovação de fraude. Durante todo o processo, existem diversos mecanismos de auditoria e verificação dos resultados que podem ser acompanhados pelos partidos políticos, pelo Ministério Público, pela Ordem dos Advogados do Brasil e por mais de uma dezena de entidades fiscalizadoras, além do próprio eleitor.

O voto impresso que sai da urna, como andam defendendo por aí, cria apenas uma possibilidade de tumultuar e atrasar as apurações. Ele não é necessário, já que todo o processo é auditável. Além disso, adaptar as urnas para imprimir resultaria em mais gastos com dinheiro público.