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Voto impresso é jogada para manter base bolsonarista, afirma cientista político

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Bolsonaro

A Proposta de Emenda à Constituição que obriga a impressão do voto nas eleições (PEC 135/2019) está na Câmara dos Deputados. Bandeira do presidente Jair Bolsonaro, a proposta tem sido defendida por seus apoiadores.

De acordo com o Cientista Político, Sociólogo e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Alberto Carlos Almeida, o presidente Bolsonaro insiste no voto impresso para manter coesa a sua base militante.

"E ele insiste no discurso do voto impresso, na fraude das eleições, seguindo o mesmo que foi realizado por Donald Trump nos EUA, com a finalidade de manter unida uma base reduzida que ele tem."

Alberto Carlos Almeida

Almeida ressalta que Bolsonaro se aproveitou do recesso parlamentar - duas semanas em que o noticiário político arrefeceu - para reafirmar sua tese de que o voto impresso garante eleições mais confiáveis. Contudo, o cientista político acredita que as declarações de Bolsonaro e as atribuídas a militares, como o general Braga Neto, aumentaram a rejeição da maior parte da população à tese.

Segundo o professor, um dos motivos seriam as respostas que vêm sendo dadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Conforme afirma Almeida, as falas contra o voto impresso têm vindo de todo o sistema político "porque colocam em cheque a eleição de todo mundo, não só a dele".

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Briga pelo voto impresso tem inspiração em Trump

As últimas eleições presidenciais dos Estados Unidos da América não deveriam servir de inspiração a nenhum país. Demora na contagem de votos, invasão do parlamento, desorganização e tentativas de impugnação de urnas foram apenas alguns dos problemas enfrentados pelo país americano em 2020.

Entretanto, na opinião de Almeida, Bolsonaro vem tentando imitar a ação de Donald Trump no pleito eleitoral. Já ciente da grande possibilidade de não vir a ser reeleito, Bolsonaro "insiste no discurso do voto impresso, na fraude das eleições, seguindo o mesmo que foi realizado por Donald Trump nos EUA".

"A única função que isso cumpre é manter a base dele, que pode ser mantida com esse discurso", afirma o professor. Assim, o professor acredita que mesmo perdendo, Bolsonaro vai lá, perde, manterá esse pessoal - cerca de 10% segundo os cálculos de Almeida - ao lado dele: "exatamente o que Trump faz até hoje nos EUA".