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Violência: Registro de armas de caça triplica no governo Bolsonaro

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arma fogo

O assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips comoveram o Brasil nos últimos dias. As investigações do crime até agora indicam que ambos morreram por tiros de uma arma de caça, um tipo de armamento cujos registros triplicaram no Brasil entre 2018 e 2021.

Os dados, levantados pelo UOL utilizando a expedição de certificados de registro de arma de fogo do Exército (CRAFs), mostram que em cinco anos o número de registros desses artefatos passou de  7,6 mil para 29,8 mil. Somente nos primeiros dois anos do governo Bolsonaro - de 2019 a 2021 - foi registrado um número de armas de caça 44,8% maior do que todos os regstros feitos nos 16 anos anteriores: 51.117 armas.

Armas de caça podem ser compradas até pela internet

Para saber mais sobre armas de caça, tendo ou não registro como Caçador Artirador ou Colecionador, basta realizar uma pesquisa simples no buscador de preferência. Centenas de lojas de armas estão disponíveis no País, fazendo vendas online inclusive.

Os preços geralmente começam em alguns milhares de reais, e as lojas avisam que é necessário ter uma permissão especial; contudo, é possível prosseguir para a compra sem necessidade da inserção do número dela.

Para a compra é exigido um cadastro simples, com dados básicos. Depois, basta escolher a forma de pagamento. A entrega das armas é feita por todo o Brasil por meio de transporte aéreo, como qualquer encomenda simples.

Armas matam e desmatam

O pesquisador Aiala Colares, da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), ressalta que o aumento das armas de caça na Amazônia elevou o poder de fogo do crime organizado. Atualmente, as organizações do tipo no Norte do Brasil traficam drogas, armas, madeira, minérios, entre outros produtos ilegais.

 "Temos que considerar que essa explosão do registro de armas favoreceu uma exposição maior aos crimes de biopirataria, caças e pescas ilegais, bem como o surgimento de grupos armados em áreas de garimpo ilegal", afirmou o pesquisador.

Caça: o pretexto para a liberação

Apesar da caça ser utilizada como pretexto para a liberação da posse de armas, no Brasil apenas um animal pode ser caçado: javali. Segundo reportagem de setembro de 2021 feita pelo Fantástico, no ano passado o animal estava presente em 1.536 municípios dos 5.568, segundo o IBGE.

O Brasil já disse não às armas

Em 23 de outubro de 2005, o então presidente Luiz Inácio Lula promoveu um referendo para consultar os brasileiros sobre a proibição do comércio de armas no País. Na época, os eleitores rejeitaram a altetração da Lei nº 10.826/2003 que proibia a comercialização de arma de fogo e munição em todo o território nacional.

Porém, mesmo com a população votando NÃO no referendo, grande parte dos que possuíam armas as entregaram voluntariamente em delegacias e postos de devolução em troca de uma pequena indenização - de R$ 100 a R$ 300 ou mesmo gratuitamente. De junho de 2004 até 23 de outubro 2005, 440 mil armas foram entregues.

Foto: Agência Brasil/Tânia Rêgo

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