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Vale diesel: Greve dos caminhoneiros está mantida para 1º de novembro

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bomba de combustível

Após um anúncio feito pela Frente Parlamentar dos Caminhoneiros, que notificou o governo sobre uma greve da categoria para o dia 1º de novembro, Bolsonaro decidiu agir. Em evento realizado ontem (21) na cidade de Sertânia (PE), Bolsonaro anunciou a criação de um "auxílio diesel" de R$ 400 para cerca de 750 mil caminhoneiros autônomos.

Segundo o site Brasil do Trecho, especializado em notícias para a categoria, Wallace Landim, líder da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), manterá a geve para a data anunciada. "Caminhoneiro não faz nada com R$ 400, com diesel na média de R$ 4,80. Os R$ 400 propostos pelo presidente não atendem às demandas dos caminhoneiros. Manteremos nossas demandas e greve em 1º de novembro", afirmou Landim, que é conhecido também como Chorão.

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Aumento do diesel deixa caminhoneiros em situação crítica

O doutor em economia Emílio Chernavsky apontou que desde o início do mandato de Jair Bolsonaro, o diesel teve uma aumento de 40%, sendo que 35% apenas em 2021. Sobre o auxílio diesel, Chernavsky concorda com a avaliação de Chorão: "Ocorre que a ajuda, que seria de R$ 400, mal dá para abastecer 80 litros de óleo, suficientes apenas para uma carreta rodar 200 km. Ou seja, não alivia quase nada a situação crítica dos caminhoneiros, afetados não somente pela disparada dos combustíveis, resultado da política de preços da Petrobras, mas também pela falta de cargas para transportar, resultado da estagnação da economia".

Chernavsky também projeta que o cenário não deve melhorar: "Essa situação deve continuar, dado que o governo já afirmou não pretender atuar para alterar a política da Petrobras e a economia deve permanecer parada, com a previsão de investimento público no menor nível em décadas e com o fim do auxílio emergencial, que deixará mais de 20 milhões de beneficiários sem fonte de renda".

Quebrar regras fiscais com motivação eleitoreira

Leonardo Rossato, sociólogo, especialista em políticas públicas e mestre em planejamento territorial, diz que o governo quer quebrar as regras fiscais para instalar políticas eleitoreiras. Em consonância com a opinião de Chernavsky e de Chorão, Rossato afirma: "Isso mostra como Bolsonaro age de maneira paliativa sem resolver o cerne da questão dos combustíveis, que é a política de preços da Petrobras".

Na opinião do especialista, enquanto a política de preços for essa, o combustível vai continuar em alta, "o que fará com que esses R$ 400 mensais ajudem cada vez menos os caminhoneiros". Rossato ainda retoma outro auxílio que está em evidência, o Auxílio Brasil: "O Auxílio Brasil é a deturpação do Bolsa Família, que é uma política de transferência de renda bem sucedida, e auxílios como o que Bolsonaro prometeu aos caminheiros são só mais uma prova de que a irresponsabilidade com os gastos públicos no próximo ano não será pontual, e sim sistêmica, com o objetivo declarado de reeleição".