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Vacinação infantil pode reverter quadro de internações e mortes entre crianças, diz infectologista pediátrico

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vacina contra a covid-19: não há registro de reação em crianças no Brasil

"Não há nenhum registro de criança que teve reação grave à vacina contra covid-19 no Brasil". A afirmação é do Dr. Marcelo Otsuka, infectologista pediátrico e vice-presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Porém, a falta de imunização em crianças tem feito aumentar o número de óbitos por covid-19 entre a população infantil.

Ainda que a ômicron tenha sintomas mais leves na maior parte dos infectados, o Dr. Otsuka explica que o número de doentes é imenso por causa da alta transmissibilidade, causando lotação de UTIs pediátricas e o óbito de crianças. "Durante o período de predomínio da variante delta, de cada 100 pessoas testadas, cerca de 35 tinham exames positivos. Agora, com a ômicron, esse número subiu para 60 em cada 100", explicou o infectologista.

Com o aumento das infecções, os mais penalizados são aqueles que ainda não tomaram nenhuma dose dos imunizantes disponíveis: "Temos uma população de adultos protegidos, mas não de crianças protegidas. Assim estamos vendo mais crianças internadas e morrendo porque elas não estão vacinadas", fez questão de destacar o médico Otsuka. 

Segundo o relato de uma mãe do Distrito Federal que preferiu não se indentificar, na creche em que sua filha voltaria a estudar - a partir de 10 de fevereiro - já há dois bebês internados na UTI. Ela soube da situação por meio de um grupo de mães de alunos da creche - num aplicativo de mensagens - e está em dúvida se mandará a criança de volta a instituição, mesmo precisando trabalhar.

As UTIs pediátricas da rede pública de Brasília estão lotadas e as da rede particular também estão cheias. A mãe de um dos bebês internados do grupo afirmou em áudio: "Estou no hospital há 13 dias e todo dia chega criança com covid. E é criança de 4 meses, 5 meses, 6 meses,...".

Quantas crianças morreram de covid-19 no Brasil?

Fonte: Sistema SIVEP-Gripe - O número de crianças cuja morte foi causada por Síndome Respiratória Aguda teve um pico em maio de 2020 e segue mais alto em 2022 em relação à 2019.

Informações do Instituto Butantan corroboram a visão do médico: mais de 1.400 crianças já morreram devido à doença no Brasil. Já os números da Sociedade de Pediatria de São Paulo são ainda maiores, por considerarem também adolescentes, ficando em 2.500 óbitos.

Em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde afirmou: "nenhuma outra doença imunoprevenível causou tantos óbitos em crianças e adolescentes no Brasil em 2021 como a covid-19". Um número que tem crescido com a chegada da variante ômicron.

Devo vacinar meu filho?

A Sociedade de Pedriátria do Estado de São Paulo orienta que SIM. Em um posicionamento oficial, a entidade afirma que ampliar a vacinação para crianças deve ser uma prioridade: "Vacina-se para prevenir hospitalizações, sequelas, uso de antibióticos, visitas aos serviços de saúde, ocupação de leitos em UTI, entre outros".

"O ritmo de imunização das crianças no Brasil ainda é muito ruim por conta de notícias errôneas que vêm sendo divulgadas e pela imposição de atestados para liberação da vacinação em crianças em algumas cidades" afirma o Dr. Otsuka. O médico ainda esclarece que isso jamais aconteceu para outras vacinas aprovadas pela Anvisa. "Há crianças que possuem dificuldade de acesso a pediatras e isso está impondo dificuldades à vacinação. Qualquer coisa que imponha dificuldades à vacinação é um problema", alertou o pediatra.

E os efeitos adversos?

Conforme explicitado no início dessa matéria, não houve nenhum relato de reação adversa grave em crianças no Brasil. Além disso, segundo o Dr. Otsuka, nem mesmo na Europa e nos EUA, onde milhões de crianças foram imunizadas com a vacina da Pfizer; nem mesmo no Chile e nos outros países que estão imunizando suas crianças com a vacina infantil Coronavac há registros de reações adversas graves.

Segundo o Dr. Otsuka, os resultados obtidos com a vacinação com os imunizantes infantis da Pfizer e da Caronavac têm demonstrado um alto nível de eficácia nas crianças.