Pular para o conteúdo principal

Vacina chega aos transplantados no Brasil

Imagem
Arquivo de Imagem

A vacina chegou aos braços dos transplantados no Brasil; mas com 422 mil mortes e milhões sem data para serem imunizados, ainda não há o que comemorar.

Chega a ser estranhamente constrangedor comemorar a primeira dose de vacina contra a Covid-19 no meu braço. Ainda que eu seja transplantada e tenha, obviamente, aguardado a data correta para tomar a vacina e esteja há mais de um ano dentro de casa com medo de morrer, parece injusto.

Siga a página do Reconta Aí no Instagram.
Siga a página do Reconta Aí no Facebook.
Adicione o WhatsApp do Reconta Aí para receber nossas informações.
Siga a página do Reconta Aí no Linkedin

Até o dia de hoje, 10 de maio, o Brasil teve pelo menos 422 mil mortes pelo coronavírus. Vivemos ontem o Dia das Mães mais triste da história. Perdemos médicos, enfermeiros, políticos. Mas perdemos principalmente pessoas com profissões menos valorizadas.

De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), as profissões com maior número de desligamentos por morte entre abril de 2020 e março de 2021 foram:

  1. Motoristas de ônibus urbanos;
  2. Cobradores;
  3. Vigias;
  4. Porteiros;
  5. Zeladores;
  6. Motoristas de ônibus rodoviários;
  7. Vigilantes;
  8. Motoristas de carros;
  9. Motoristas de caminhão;
  10. Motoristas de van.

Vacina não é presente, é futuro

Eu não tenho competência técnica para avaliar a ordem de prioridades da vacinação estabelecida pelo Ministério da Saúde. Além disso, segundo estudo publicado pelo Jornal da Sociedade Americana de Nefrologia, pacientes com insuficiência renal, como eu, têm uma mortalidade 40 vezes maior do que a população em geral. De acordo com o serviço de saúde no qual me trato, o do Hospital do Rim e Hipertensão de São Paulo, a cada cinco pacientes internados com Covid-19, um vai a óbito.

Contudo, no Brasil de Bolsonaro, do negacionismo, da inépcia e da crueldade, onde segundo o vice governador do Amazonas, Carlos Almeida Filho, "o estado do Amazonas foi transformado em um laboratório pra testar a imunidade de rebanho", tomar minha dose de AstraZeneca me traz certa culpa.

Uma culpa de estar imunizada enquanto meus amigos e amigas ainda não têm sequer uma data para serem vacinados. Enquanto a cabeleireira do bairro pena para sustentar seu filho sozinha - como grande parte das mães do Brasil - e seu salão está de portas fechadas. E sem sequer um auxílio governamental. Enquanto vejo ruas de comércio lotadas de placas de "passa-se o ponto". Enquanto minha editora segue com sua filha pequena em casa e com aulas à distância e longe de seus amiguinhos.

Entretanto, a sensação é pessoal, mas a racionalidade aponta para um culpado: o governo Bolsonaro.

Um governo que promoveu o negacionismo, que buscou o desinvestimento no Sistema Único de Saúde (SUS) por meio do subfinanciamento, que recusou 11 ofertas de vacinas, que não testou e nem tentou mitigar os efeitos da pandemia. Ao contrário, promoveu aglomerações, festas e a negação sistemática da ciência.

Um governo que responde hoje a uma CPI da Covid por sua atuação contra (ou a favor?) da doença, mas deveria ser julgado por um tribunal internacional.

Estou parcialmente imunizada e pronta para defender a vida em manifestações nas ruas, em favor do impeachment de Bolsonaro.

Leia mais sobre a CPI Covid no Reconta Aí.