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Trocar para não mudar: novo ministro da Saúde defende "tratamento" sem evidências

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Imagem do site Recontaai.com.br

Em meio ao agravamento da crise sanitária, o novo ministro da Saúde – o cardiologista Marcelo Queiroga – manteve as posições do Planalto sobre o assunto, as mesmas que levaram a queda de Eduardo Pazuello. Um dos exemplos é a defesa do chamado “tratamento precoce”, coquetel de remédios sem comprovação científica de eficácia.

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Sob pressão do chamado Centrão, Jair Bolsonaro decidiu trocar o comando no Ministério da Saúde. O novo titular da pasta é o quarto nome em 12 meses a ocupar o posto.

“O que é tratamento precoce? No caso da Covid-19, a gente não tem um tratamento específico. Existem determinadas medicações que são usadas, cuja evidência científica não está comprovada, mas, mesmo assim, médicos têm autonomia para prescrever”, disse Queiroga em entrevista à CNN Brasil.

Com diversos estados sob risco de colapso hospitalar, Queiroga foi evasivo sobre medidas sanitárias a serem tomadas: “Esse termo de lockdown decorre de situações extremas. São situações extremas em que se aplica. Não pode ser política de governo fazer lockdown. Tem outros aspectos da economia para serem olhados”. Queiroga não definiu o que pode ser considerado como “situação extrema”.

Novo ministro desagrada base do governo

O chamado Centrão, com o qual Bolsonaro se aliou na tentativa de obter base parlamentar, queria há muito a cabeça de Pazuello. O plano ideal do bloco, entretanto, era a indicação de um nome diretamente ligado ao grupo. Um dos nomes cogitados foi o do deputado federal Luiz Antonio Teixeira (PP-RJ), conhecido como Dr. Luizinho.

O Planalto resistiu à ideia. O nome da médica Ludhmila Hajjar foi defendido publicamente pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL). O fato levou Hajjar a afirmar que não tinha filiações políticas.

Bolsonaro, entretanto, resistiu ao nome de Hajjar, e optou por Queiroga, amigo da família da esposa de Flávio Bolsonaro. O Planalto não consultou o Centrão em relação ao nome.

A escolha gerou uma série de reações do Centrão, que foram de pedidos públicos de mudança na política de combate a pandemia até ameaças veladas de que a permanência de Bolsonaro na Presidência estará sob risco caso o quarto nome a ocupar a pasta fracasse novamente.