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Tereza Campello desmonta interpretação de dados da fome publicados pelo UOL

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Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome entre janeiro de 2011 a maio de 2016, a economista Tereza Campello refutou a interpretação do UOL em matéria sobre a miséria e a fome. De acordo com a ex-ministra, os repórteres erraram ao utilizar o Cadastro Único (CadÚnico) para apurar o número de pessoas pobres e extremamente pobres.

"Isto só poderia ocorrer se considerássemos que todos os brasileiros estivessem registrados (ou pelo menos, todos os pobres), e não estão", criticou Campello nas redes sociais.

A utilização dessa metodologia gerou erros absurdos de interpretação na matéria. Por exemplo, o fato de que em 2014, quando o Brasil saiu do Mapa da Fome das Nações Unidas e atingiu a menor taxa de desemprego, pobreza e extrema pobreza da série histórica registrada pelo IBGE, o gráfico mostra um pico do gráfico de pobreza.

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"O pico registrado no gráfico apresentado pela matéria - no Cadúnico - em 2014 ocorreu porque fizemos a BUSCA ATIVA entre 2011 e 2014, e a imensa maioria das famílias foi incluída, pela primeira vez, nos registros públicos", explica Campello. Em outras palavras, Campello relata que pessoas em situação de pobreza ou extrema-pobreza foram procuradas pelo governo para serem incluídas pela primeira vez em políticas de proteção social.

Pobreza e extrema-pobreza hoje

Ainda que o erro gere uma distorção na matéria publicada pelo UOL, a ex-ministra afirma que a parte da matéria que trata do presente é verídica. O texto mostra a realidade de um recorde no número de famílias pobres e extremamente pobres no CadÚnico.

Contudo, a situação é ainda mais grave já que, como alerta Campello, "existe um número gigantesco de famílias tentando se cadastrar sem conseguir, pois o cadúnico está praticamente paralisado". No mesmo sentido, a ex-ministra propõe um cruzamento entre os dados de famílias cadastradas no APP do auxílio emergencial que não estão no CadÚnico. A especialista afirma que essas pessoas deveriam ser informadas sobre a necessidade de se registrarem no cadastro.

Atualmente, o Banco Mundial fixou a taxa de pobreza para pessoas que vivem com uma renda mensal inferior a US$ 5,50 por dia. Já os que estão sob a extrema pobreza vivem com menos de US$ 1,90 por dia. Conforme a cotação do dólar hoje (28), auferida pelo conversor de moedas do Banco Central, o valor para determinar a pobreza é R$ 29,81 por dia; e a extrema pobreza, R$ 10,29.