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Takemoto: "Vamos supor que a Caixa seja um carro. Aí vende os bancos, o volante, os pneus. Vai sobrar uma carcaça"

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Em entrevista a TV 247, nesta sexta-feira (28), o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, ressaltou o quanto é difícil passar para a população que estão privatizando a Caixa.

A privatização de empresas públicas é uma das principais pautas do presidente Bolsonaro e do ministro da Economia, Paulo Guedes. Mas, infelizmente, a sociedade não entende como o País perde com essas privatizações.

Mas vale lembrar que existe um entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF) de que não se pode vender estatais sem a aprovação do Congresso Nacional.

De acordo com Takemoto, para burlar a legislação, o governo cria empresas de partes da Caixa – como a Seguridade, a Caixa Cartões e a Lotex -, porque assim ele pode vender essas empresas.

“Assim ele vai vendendo as partes mais lucrativas. Aí o lucro que essas empresas davam vão deixar de ir para o governo. Ele vai todo para os acionistas, porque ninguém vai entrar em um negócio desse se tiver que dar o lucro para o governo”, explica o presidente da Fenae.

Takemoto compara, de forma bem didática, o que está acontecendo na Caixa com um carro. Se você tem um carro e começa a vender bancos, volante, pneus, e assim por diante, o que vai sobrar?

“Vai sobrar uma carcaça. Aí pode fechar a Caixa, pode vender, pode fazer o que for, porque não vai ter mais utilidade. Então esse é o risco de fazer a venda de subsidiárias. Não vai sobrar quase nada para a Caixa. Vender as subsidiárias é a privatização, é o fim da Caixa”, alerta.

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Negociação da categoria

Durante a entrevista, Takemoto disse que os bancários estão enfrentando uma das negociações mais duras. “A Fenaban [Federação Nacional dos Bancos] vem com intenção de não conceder nenhum reajuste esse ano. E também estava querendo mexer na PLR e tirar a 13ª cesta alimentação”, revela o presidente da Fenae ao dizer que a intenção é a retirada de direitos.

Com relação à Caixa, ele enfatiza a questão do plano de saúde dos empregados. O Banco Público quer mudar as regras, fazendo uma individualização e também cobrando de acordo com a faixa etária.

Para Takemoto, isso significa um grande reajuste e inviabiliza o acesso ao plano de saúde para grande parte dos empregados da Caixa. “Nós estamos no meio de uma pandemia, onde os empregados estão arriscando suas vidas e dos seus familiares, e a Caixa quer inviabilizar o nosso plano de saúde”, ressalta.

Possibilidade de greve

De acordo com o presidente da Fenae, a categoria está na expectativa de que a Caixa reveja a sua posição e os banqueiros abram mão da ganância para conceder o reajuste necessário.

Ele explica que antes da Reforma Trabalhista, as regras do acordo anterior continuavam valendo até a assinatura de um novo. Agora, isso acabou. “O nosso acordo vence no dia 31 de agosto. Se não assinar um novo acordo, no dia 1º de setembro não tem mais validade e a gente fica descoberto dos nossos direitos”, acrescenta.

Takemoto revela que os bancos devem apresentar uma proposta definitiva. “Aí nós vamos analisar em assembléia se aceita. Se a gente recusar vamos ter que entrar em greve e, infelizmente, se tiver greve vai ser por culpa única e exclusivamente dos banqueiros e do governo”, finaliza.