Relatório divulgado pela OIT prevê que o desemprego no País ficará entre 12% em 2020 e 11,5% em 2024

O desemprego vem aumentando no mundo todo e no Brasil o cenário não está muito diferente. Relatório anual da Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgado nesta segunda-feira (20) mostra que, apesar de uma pequena redução no desemprego brasileiro, a previsão é de que ele fique entre 12% em 2020 e 11,5% em 2024. As taxas estão quase três vezes maiores que a média global de 5,4%.

Caso as previsões da OIT sejam confirmadas, o nível de pessoas sem um posto de trabalho no País continuará sendo o mais alto nos últimos 30 anos. Segundo o relatório, 2019 terminou com uma taxa de desemprego de 12,1% no Brasil. O dado é contrário ao divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que encerrou novembro com uma taxa de 11,2%.

Segundo a OIT, em 2020 o índice cai para 12%; em 2021, para 11,8% e, em 2022, para 11,6%. Já para os anos de 2023 e 2024 a taxa prevista é de 11,5%.

Desemprego
Foto: Roberto Parizotti

Queda no desemprego

“Não vemos um empurrão importante para permitir que taxa volte ao que existia em 2014”, afirmou Stefan Kuhn, macroeconomista da OIT. Naquele ano, a taxa de desemprego era de 6,7% e o número de desempregados era de 6,7 milhões, praticamente metade da cifra atual.

Segundo ele, uma volta às taxas anteriores à crise pode levar anos ainda para ocorrer. “Pode levar muito tempo”, alertou. “Atualmente, não há como saber. Não há uma previsão de queda acelerada (do desemprego) no Brasil”, disse.

A OIT aponta que o modelo usado pelo Brasil para garantir seu crescimento, baseado em exportações e commodities, é um dos problemas que impede a queda do desemprego. “A economia global está se deteriorando. Será cada vez mais difícil implementar o modelo liderado pelas exportações”, explicou o economista.

Medo do desemprego

A alta taxa de desemprego vem aumentando o medo do brasileiro, como mostrou a Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI). O Índice de Medo do Desemprego caiu 2,1 pontos em relação a setembro do ano passado, mas ainda atingiu  56,1 pontos em dezembro. São 6 pontos acima da média histórica, que é de 50,1. O índice varia de zero a 100.

Desemprego

Desemprego no mundo

O desemprego global permaneceu praticamente estável nos últimos nove anos, com uma taxa de 5,4%. Entretanto, a desaceleração do crescimento econômico global mostra que, embora a força de trabalho aumente em todo o mundo, não estão sendo criados novos empregos suficientes para absorver os que entram no mercado de trabalho.

O relatório da OIT destaca que o número de pessoas desempregadas deve aumentar em cerca de 2,5 milhões em 2020. O diretor-geral da organização, Guy Ryder, explicou que para milhões de pessoas é cada vez mais difícil construir uma vida melhor por meio do trabalho.

“As persistentes e substanciais desigualdades e exclusões relacionadas ao trabalho estão impedindo-as de encontrar trabalho decente e de construir um futuro melhor. Essa é uma descoberta extremamente preocupante, que tem repercussões profundas e alarmantes para a coesão social”, disse Ryder.

Tem muita gente aí, principalmente o governo, comemorando os números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). A taxa da população desocupada, hoje em 12,6 milhões de pessoas, recuou 4,6% (609 mil pessoas a menos) em comparação o trimestre de fevereiro a abril de 2019.

Isso é bom? É bom, mas nem tanto. Ficou confuso? Peraí que o economista Sergio Mendonça, ex-DIEESE e coordenador do Reconta Aí, explica. “Esse resultado é fruto da sazonalidade. Quer dizer, nessa época do ano, é esperada uma queda do desemprego”. Não entendeu? A gente explica mais.

O que é a sazonalidade

A partir de agosto, pelo efeito do 13º salário na economia e também pela preparação do comércio para as festas de fim de ano, é normal que haja um recuo nas taxas de desemprego.

Para termos uma comparação mais correta, é necessário olharmos para o mesmo período do ano anterior. Em julho de 2018, estimava-se que 12,3 milhões estavam desempregados. Em julho de 2019 são 12,6 milhões.

Ainda assim, o Brasil tem um número assustador de pessoas sem emprego. De 2014 (quando alcançamos o pleno emprego), ganhamos 6 milhões de desempregados. Isso tudo em apenas 5 anos!

A realidade do subemprego

Além disso, vale lembrar que as (poucas vagas) geradas desde o começo do ano estão, sobretudo, no subemprego e no mercado informal. O número de quem trabalha por conta própria, por exemplo, bateu novo recorde da série histórica e hoje atinge a marca de 24,2 milhões de pessoas

O número de pessoas subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas (aquelas que trabalham menos de 40 horas semanais) chegou a cerca de 7,3 milhões no trimestre de maio a julho de 2019, outro recorde dessa série histórica comparável.

Leia também: Desigualdade chega a níveis sem precedentes

E temos um outro indicativo importante da precarização do trabalho. O número de pessoas empregadas no setor privado com carteira assinada se manteve, no comparativo, em 33,1 milhões. No entanto, o número de empregados sem carteira assinada atingiu novo recorde e subiu em ambas as comparações (trimestre anterior e mesmo período do ano anterior), ficando e, 11,7 milhões de pessoas.

Fruto do desemprego: os desalentados

Outro dado triste que é a cara deste Brasil diz respeito aos desalentados. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que é quem realiza a PNAD, considera como aquele que estava fora da força de trabalho por uma das seguintes razões: não conseguia trabalho, ou não tinha experiência, ou era muito jovem ou idosa, ou não encontrou trabalho na localidade – e que, se tivesse conseguido trabalho, estaria disponível para assumir a vaga.

Esse número bateu recorde da série histórica no trimestre passado e manteve-se estável em 4,8 milhões de pessoas entre maio a julho de 2019. Esses números mostram que há muito pouco o que comemorar em relação à geração de empregos no Brasil. Mesmo após a aprovação da Reforma Trabalhista, em 2017, que rifou os direitos dos trabalhadores com a promessa de criação de postos de trabalho, a situação segue desesperadora.

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