Aproximadamente 67% dos brasileiros acreditam em ao menos uma informação imprecisa sobre vacinação.

Esse número é resultado do estudo “As fake news estão nos deixando doentes?”, da Avaaz em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

As duas instituições encomendaram junto ao Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE) uma pesquisa com cerca de 2 mil pessoas em todo o País.

Mesmo assim, 87% dos brasileiros disseram nunca ter deixado de se vacinar ou de vacinar uma criança sob seus cuidados. No entanto, embora o índice pareça bom, os 13% restantes podem representar 21 milhões de pessoas com 16 anos ou mais.

Reprodução Ministério da Saúde

O maior motivo da não-vacinação é a desinformação

Dentre os não-vacinantes, 57% alegam motivos tidos como desinformação pela SBIm: “não achei a vacina necessária” (31%); “medo de efeitos colaterais” (24%); “medo de contrair a doença que estava tentando prevenir com a vacina” (18%); “por causa das notícias, histórias ou alertas que li online (9%)”; e “por causa dos alertas, notícias e histórias de líderes religiosos” (4%).

Diante disso, o presidente da SBIm, Juarez Cunha, alerta para o retorno de doenças que já tinham sido erradicadas. “Se não nos empenharmos, é possível vislumbrar um cenário perigoso. O retorno do sarampo já demonstrou isso”, disse.

Desinformação sobre vacinas está nas redes sociais

Foi pedido que os entrevistados apontassem os canais pelos quais recebem notícias sobre vacinação. A mídia tradicional aparece em primeiro lugar (68%), mas em seguida vêm as redes sociais (48%).

Esse número é preocupante, visto que conversas com amigos e familiares – geralmente pautadas por fake news – constam na lista de principais fontes.

Reprodução Ministério da Saúde

Os números mostram que, a curto e longo prazo, isso deve ter impacto negativo significativo na saúde pública, já que 72% dos que acreditam que as vacinas são parcialmente inseguras e 59% daqueles que pensam que as vacinas são totalmente inseguras afirmaram que já receberam notícias negativas sobre elas em suas redes sociais e serviços de mensagens.

Discurso importado dos Estados Unidos

Diante dos resultados, a Avaaz refez a trilha por que passam as notícias falsas sobre vacinação e chegou aos Estados Unidos.

Quase metade da amostra de fake news corrigidas pelos verificadores brasileiros foi traduzida literalmente ou com base em informações originalmente publicadas, em inglês, nos Estados Unidos. O site “Natural News” é a fonte original de 32% da amostra e representa 69% do conteúdo não brasileiro. Os outros conteúdos eram nativos do país.

O conteúdo analisado teve grande repercussão no Brasil: 30 notícias falsas já desmembradas por atores de checagem foram usadas como ponto de partida.

Esse conteúdo foi compartilhado no YouTube (2,4 milhões de visualizações), no Facebook (23,5 visualizações de vídeos e 578 mil compartilhamentos), e em sites diversos.

Em uma análise mais aprofundada dos vídeos do YouTube, foram encontrados 69 dos principais vídeos antivacinação que atingem coletivamente 9,2 milhões de visualizações e 40.000 comentários.

“Vacinas são plano secreto e maligno da ‘nova ordem mundial'”

A Avaaz descobriu que, de 2016 para cá, as páginas que mais geraram interação nas redes sociais foram:

1) Cruzada Pela Liberdade – 762 mil interações / 350 mil seguidores
2) Grupo O Lado Obscuro das Vacinas – 64 mil interações / 13 mil membros / mais de 1.970 posts
3) Contra Nova Ordem Mundial – 54 mil interações / 22 mil seguidores

Algumas das desinformações antivacinação mais recorrentes no universo do nosso estudo foram:

  1. A crença de que as vacinas obrigatórias são um plano secreto e maligno da “nova ordem mundial” para dominar a sociedade;
  2. Relação entre vacinas e autismo;
  3. Alegações de que metais nocivos, como mercúrio, estão presentes em vacinas em alta dosagem;
  4. Argumentos de que as vacinas prejudicam o corpo, enquanto terapias e produtos naturais seriam a verdadeira maneira de prevenir doenças;

Veja a pesquisa completa aqui.

Saúde sem fake news

Visando o combate às notícias falsas, o Ministério da Saúde lançou, em agosto do ano passado, a campanha Saúde Sem Fake News, em que o cidadão pode tirar dúvidas por meio de um canal no whasapp: (61) 99289-4640.

A assessoria do Ministério informa que é difícil medir o número de mensagens diárias, já que as fake news circulam em ondas, mas informa que, desde o começo da campanha, já foram recebidas mais de 19 mil mensagens.

Não compartilhe!

  • O Ministério da Saúde recomenda que, em caso de dúvida, o cidadão se informe melhor junto aos órgãos oficiais e com sociedades científicas, para ter informações verdadeiras;
  • Leia a matéria completa, não apenas título e chamada;
  • Confira a data de publicação;
  • Cheque se o link é confiável.

As fake news têm uma linguagem que facilita o reconhecimento. Não compartilhe se:

  • Se deparar com temas polêmicos e de grande repercussão, como plantas que curam o câncer;
  • Solução mágica para alguma doença (obesidade, diabetes, etc);
  • Chamadas sensacionalistas como “A verdade que o governo não quer que você saiba”;
  • Informações teoricamente exclusivas que não encontram repercussão em veículos sérios: “Vazaram informações secretas da OMS que a mídia tenta esconder”;
  • Argumentos que colocam em dúvida campanhas consagradas de saúde: “Governo distribui vacinas para espalhar doenças”;
  • Supostos depoimentos de pessoas curadas por um tratamento sem qualquer comprovação científica: “O suco natural que me fez perder 20kg”;
  • Informações que não citam claramente a fonte ou são creditadas a “um amigo que trabalha na Fiocruz”, por exemplo.




Discurso do presidente na ONU pode ser capaz de interromper uma atuação profissional e conciliadora do Brasil nos fóruns internacionais.

O Brasil faz fronteira com 10 países; é o terceiro em número de fronteiras no mundo perdendo só para a Rússia e para a China. Aliada a essa questão geográfica, há uma questão política ainda mais importante: o Brasil vive em paz com essas 10 nações há mais de 116 anos. Isso é um fato incomum até para países que possuem menos fronteiras.

A defesa do multilateralismo e do direito internacional como modo de mediar conflitos é uma tradição no Brasil. Faz parte de um histórico que remonta à Liga das Nações, órgão internacional que deu origem à Organização das Nações Unidas (ONU). Nos fóruns, a participação brasileira foi quase sempre orientada pela não-intervenção na soberania de outros países e na construção de acordos.

Política internacional na ONU corajosa, mesmo em tempos obscuros

Mesmo durante a ditadura civil-militar, a diplomacia brasileira teve um papel ativo e altivo nos fóruns internacionais. Durante o período, reconheceu a independência da Angola em 1975, mesmo fruto de uma revolução comunista.

Durante os anos de chumbo no Brasil – as décadas de 1960/70 e 80 – a política internacional foi mais recuada em temas mundiais no período como as bombas nucleares, os direitos humanos e até o ambientalismo. Porém, a partir da redemocratização, voltou a ser referência nessas pautas e reconstruiu seu protagonismo mundial.

A diplomacia profissional dá espaço aos presidentes na ONU

Antes da reabertura democrática, o Brasil era representado na ONU por seu corpo diplomático. Isso mundou quando Sarney foi empossado presidente em 1985.

Ele usou a tribuna do organismo em seu primeiro discurso para falar sobre a redemocratização do Brasil e para condenar o regime racista da África do Sul.
“Estou aqui para dizer que o Brasil não deseja mais que sua voz seja tímida. Deseja ser ouvido sem aspirações de hegemonia, mas com determinação de presença. Não pregaremos ao mundo o que não falarmos dentro de nossa fronteira. Estamos reconciliados. A nossa força passou a ser a coerência. Nosso discurso interno é igual ao nosso chamamento internacional.” (Sarney, 1985)

Depois disso, os presidentes brasileiros sempre abriram as conferências mundiais da ONU. Alguns discursos marcaram a atuação do Brasil na tribuna ao mostrar a altivez do país e sua capacidade de pautar os grandes debates mundiais.

O discurso do presidente Lula, que incluiu a erradicação da fome como prioridade no mundo inaugurou essa era. “A ONU já deu mostras de que há alternativas jurídicas e políticas para a paralisia do veto e as ações sem endosso multilateral. A paz, a segurança, o desenvolvimento e a justiça social são indissociáveis.” (Lula, 2003)

Já a presidente Dilma Roussef denunciou a espionagem que os EUA promoviam então a todos os países do mundo. “Quero trazer à consideração das delegações uma questão à qual atribuo a maior relevância e gravidade. Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial” (Dilma Rousseff, 2013)

Ascenção e queda de países emergentes na política mundial

A África do Sul tem uma história diametralmente oposta a do Brasil na política internacional. Durante o período do apartheid no país africano, que vigorou entre 1948 e 1994, o país foi um ‘pária’ na política internacional.

Sofreu sanções da ONU, não participava das decisões mais importantes do organismo internacional e era não se submetia às decisões internacionais. Hoje, protagoniza os debates e se beneficia das decisões.

Boas relações têm importância vital num mundo cada vez menor

Não estar envolvido nos principais arranjos e debates internacionais é o maior perigo que o Brasil corre se o discurso do presidente Bolsonaro seguir a linha que ele anunciou à imprensa. Segundo especialista que não quis se identificar, isso pode ocasionar que o país fique a reboque das decisões dos outros países e sofra prejuízos.

O especialista também confirmou que já há um decaimento de prestígio internacional, expresso ao Brasil na Conferência do Clima da ONU. A isso, somam-se escândalos internacionais entre os quais ao insulto à memória do pai de Michelle Bachelet, às ofensas à aparência da primeira-dama da França, Brigitte Macron, a recusa do aceite de verbas europeias para a contenção do desastre ambiental da Amazônia, entre outras.

Isso faz com que mesmo que o discurso seja adequado às expectativas internacionais e mantenha o Brasil como o gigante gentil da América do Sul, as ações tomadas em nível nacional e internacional demonstram outra disposição política.

O jogo só acaba quando termina

Porém há delegações e líderes internacionais mais ‘treinados’. Há rumores inclusive sobre um possível boicote ao discurso do presidente brasileiro. O tão esperado e temido discurso de Bolsonaro pode ser uma mudança paradigmática na política internacional. Pode mudar a imagem de um país ‘bom de bola’ e de política internacional e rebaixá-lo sob os olhos de todas as nações.

Se no futebol já foi um triste espetáculo, na arena da ONU pode ser ainda mais desastroso.

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