Os dados do desemprego continuam a assombrar a vida de brasileiras e brasileiros: são 12,6 milhões de desempregados e a informalidade bate recorde, segundos dados do IBGE.

O desemprego recuou em relação ao trimestre anterior (11,8%), mas essa aparente melhora se deve ao fato da criação de vagas informais, que atingiram o recorde no período. Vale destacar que dentre os informais não estão apenas aqueles que trabalham sem registro em carteira, mas também os empreendedores por necessidade, aqueles que vendem mercadorias nas ruas ou pela internet.

Os trabalhadores sem carteira assinada no setor privado, 11,8 milhões de pessoas, bateram recorde da série histórica. O número dos que trabalham na informalidade cresceu em comparação com o trimestre anterior (mais 411 mil pessoas) e em relação ao mesmo período de 2018 (mais 661 mil pessoas).

Desemprego caiu, mas informalidade bate recorde

Os dados da Pnad/IBGE mostram que 41,4% da população ocupada no país se encontra na informalidade. É a maior proporção desde o que o indicador passou a ser divulgado. Das 684 mil pessoas que encontraram emprego no trimestre, 87,1% estão no mercado informal.

Além disso, o economista Sérgio Mendonça chama atenção para outro fato: a taxa de desemprego de agosto (trimestre móvel junho/julho/agosto de 2019) ficou igual a de julho (trimestre móvel maio/junho/julho). “Isso não é bom sinal, porque normalmente o desemprego costuma cair, em função da sazonalidade, nos meses do 2° semestre”, diz.

A analista de trabalho e renda do IBGE, Adriana Beringuy, enxerga uma mudança preocupante no mercado de trabalho. “Temos um mercado de trabalho que absorve pessoas, mas essa inserção não se dá pelos vínculos tradicionais da carteira”, explica.

Adeus aos direitos trabalhistas

Isso significa que os direitos trabalhistas conquistados com muito esforço deixam de existir a cada dia. Hoje, o novo tripé macroeconômico pode ser definido pela relação entre a venda de bolo no pote, a uberização e os serviços de entrega, como Rappi e iFood. Em relação ao Uber, foram 226 mil novos trabalhadores em um ano.

Esses números não têm reflexo, por exemplo, na proporção de contribuintes ao INSS, que está perto do piso histórico, em 62,4% do total. Mas refletem diretamente na perda de direitos trabalhistas como férias remuneradas, folgas, 13º salário, acesso a seguro-desemprego, seguro-saúde, entre outros.

Bem-vindo à era do Capitalismo Gore

A vida dos empreendedores por necessidade e daqueles que se viram engolidos pelos aplicativos de entrega não é nada fácil. O trabalho, nesse caso, afasta as pessoas da dignidade humana. Muitos deles têm que trabalhar 12 horas por dia, pedalar 30 km, e dormir na rua para ganhar por volta de um salário mínimo por mês.

Isso nos leva a questionar também outros aspectos relativos ao capitalismo selvagem (já chamado de necromercado e capitalismo gore) e como ele tem gerado o adoecimento das pessoas. O preço do transporte é um deles. Se um trabalhador de aplicativo não pode sequer dormir em casa depois de trabalhar por 12 horas para não gastar com o transporte, algo deu muito errado nessa equação.

Bolsonaro ri de trabalhador

Comemorar um número ilusório de pessoas empregadas é um ato de má-fé do governo, que se torna ainda pior quando vemos o presidente Bolsonaro, famoso por empregar sua família, debochando de um trabalhador brasileiro que, em desespero, implora ao presidente por emprego.

Essa cultura de consumo exacerbado com modernização e precarização das relações trabalhistas é também uma cultura de violência. Não podemos nos enganar fingindo que as coisas não estão relacionadas. E as risadas do presidente às custas de um trabalhador jamais mudarão esse triste quadro.

A informalidade é ruim também para o crescimento da economia, e assim fechamos o ciclo de miséria e tristeza para o qual fomos arrastados nos últimos anos. O que muda isso é compromisso do poder público com o povo e com o país. O resto é medida pra inglês (ou americano) ver.

Durante essa semana um relato chocante da morte de Thiago de Jesus Dias, entregador da Rappi, foi extensamente compartilhado nas redes sociais. Enquanto isso, senadores e deputados debatiam a Medida Provisória 881/2019, que em nome da Liberdade Econômica precariza ainda mais as relações trabalhistas.

Foi aprovado ontem, 11, no Senado Federal o relatório escrito pelo deputado Jerônimo Georgen (PP/RS) sobre a Medida Provisória 881/2019, conhecida como MP da Liberdade Econômica. O texto, além de propor uma desburocratização na abertura de empresas, também trata sobre a extinção do Fundo Soberano do Brasil, e faz uma minirreforma trabalhista.

No fundo do poço há um alçapão

A Reforma Trabalhista votada em 2017 durante o governo Temer prometia seis milhões de empregos em troca do fim de grande parte dos direitos trabalhistas. A Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) mudou muito, trabalhadores perderam direitos, o trabalho intermitente já é uma realidade, e o crescimento econômico, com a tão sonhada diminuição do desemprego, não emplacou.

Ao contrário disso, vivemos atualmente uma sucessão de projeções de queda no PIB de 2019, que atualmente está em 0,81%. A possibilidade de recessão é real, o primeiro trimestre do ano já teve crescimento negativo e a imprensa já noticia sobre o aumento do desalento e do desemprego de longa duração.

Os maiores empregadores do Brasil não tem responsabilidade alguma

Nesse cenário estarrecedor, a morte de um jovem trabalhador de 33 anos de idade comoveu a internet. Thiago de Jesus Dias era entregador da empresa Rappi e teve um acidente vascular cerebral enquanto realizava uma entrega.

A riqueza de detalhes com que a consumidora que estava recebendo a entrega relatou o ocorrido, mostrou que a empresa simplesmente não tem plano algum de proteção aos seus empregados. Aliás, empregados não, “parceiros”. Parceiros que por só por utilizarem os aplicativos, pagam até 20% de seus ganhos totais às empresas e em troca só recebem acesso ao aplicativo de pedidos.

Em nome da Liberdade Econômica trabalhadores morrem durante a jornada.
Relato completo: https://www.facebook.com/analuisa.pinto.10/posts/2479298185467171

Apoś o absurdo, a empresa Rappi disse que disponibilizará um botão de emergência na interface dos entregadores.

Não foi sem aviso

Em 22 de maio desse ano, a BBC Brasil fez uma extensa reportagem sobre as jornadas exaustivas a que estavam submetidos os trabalhadores de aplicativos. Além das motocicletas e os perigos que enfrentam nas vias das grandes cidades, ciclistas também realizavam jornadas de mais de 12h por dia, chegando a dormir nas ruas para que os rendimentos fossem vantajosos.

Aplicativos ainda pagavam bônus a quem estivesse disponível por mais de 12 horas fazendo entregas. Isso coloca em risco os entregadores e contraria a legislação trabalhista brasileira.

Resposta do Congresso não atende à sociedade

A trágica morte de Thiago deveria ter sensibilizado os políticos de Brasília na mesma medida que o fez com os internautas. Contudo, a aprovação, mesmo que ainda em fase de Comissão, da MP 881/2019, a MP da Liberdade Econômica, mostra justamente o oposto – mais desregulamentação e desproteção ao trabalhador.

Com a justificativa de legalizar as práticas que já vem sendo realizadas, o Congresso reforça tratamentos desumanos, principalmente aos trabalhadores com menos qualificação. Ou seja, penaliza ainda mais quem já de saída não conseguiu acessar direitos básicos de qualidade, como a educação.

O discurso da desburocratização não pode ser pano de fundo para a superexploração do mais fraco nas relações trabalhistas, o empregado.

O economista Sérgio Mendonça explicou como essa relação é perigosa para o trabalhador:

Atualiza Aí


Afinal, por que é tão importante que a gestão do FGTS continue com a Caixa Econômica?

A MP 889/19, apresentada ao Congresso Nacional pelo governo Bolsonaro, permite que a gestão do FGTS seja realizada por bancos privados. Mas o que isso significa? A gente explica!

Nobel de Economia vai para pesquisas de combate à fome

Comunicado do Comitê do Nobel diz que pesquisas “melhoraram consideravelmente a capacidade de combater a pobreza global”. Premiados são Abhijit Banerjee e Michael Kremer e Esther Duflo.

Pela primeira vez, Pronaf concede crédito para o manejo florestal comunitário familiar

Pela primeira vez, Pronaf destina crédito para Manejo Florestal Comunitário Familiar. Montante de R$ 850 mil vem do Banco da Amazônia (BASA)

Frente Parlamentar lança amanhã (15) estudo sobre reforma administrativa

Objetivo é fazer uma discussão equilibrada sobre o que está sendo elaborado pelo governo federal.

Multimídia


Afinal, por que é tão importante que a gestão do FGTS continue com a Caixa Econômica?

A MP 889/19, apresentada ao Congresso Nacional pelo governo Bolsonaro, permite que a gestão do FGTS seja realizada por bancos privados. Mas o que isso significa? A gente explica!

Flávio Dino ressalta a necessidade de uma reforma tributária

Flávio Dino (PCdoB/MA) esteve presente no lançamento da proposta de Reforma Tributária Justa, Solidária e Sustentável que ocorreu ontem em Brasília.

Reforma tributária da oposição quer tornar mais justa a cobrança de impostos no País

O lançamento da Reforma Tributária Justa, Solidária e Sustentável mostra que os partidos da oposição começaram a propor saídas para o Brasil.