No próximo dia 4 de setembro, será lançada a Frente Parlamentar em Defesa da Soberania Nacional. Por meio de um seminário, a frente informará aos parlamentares e à população sobre as principais questões relativas ao patrimônio público, à produção científica e às riquezas naturais do Brasil.

Soberania Nacional em pauta na Câmara dos Deputados.

O seminário na Câmara dos Deputados será realizado entre 4 e 5 de setembro na cidade de Brasília. Na pauta, as áreas mais importantes para a defesa do Brasil, que vão desde o seu patrimônio natural até à produção científica e o desenvolvimento de novas tecnologias. O evento será realizado no auditório Nereu Ramos, com entrada livre, respeitando a capacidade do auditório e ingresso liberado mediante a apresentação de documento com foto.

Soberania , segundo a definição obtida no dicionário de política de Norberto Bobbio, é um acordo jurídico que define quem é legitimamente dono do poder. No caso de um país, como o Brasil, fala-se em soberania nacional.

Para assegurar a sua situação dono do poder, o estado é responsável não só pelas relações diplomáticas com outros países, mas também é a instância de relacionamento entre os cidadãos. Ou seja, o estado media as relações internas entre os indivíduos, e também sua posição no mundo com as outras nações.

O seminário terá discussões por eixos, com aprofundamento em algumas áreas:

  • Desenvolvimento Econômico;
  • Ambiental: Amazônia, Biodiversidade, Mineração e Água;
  • Ciência, Tecnologia e Educação.

Os temas serão apresentados por especialistas, trabalhadores das áreas e movimentos sociais.

Sobreania Nacional em pauta, veja a programação

4 de setembro

9h – Ato político em defesa da soberania nacional

11h30 – Desenvolvimento Econômico e Soberania Nacional 

14h30 – Privatizações: Bancos, Previdência, Correios, Eletrobrás e Petrobrás 

5 de setembro

9h – Ambiental: Amazônia, Biodiversidade, Mineração e Água

10h30 – Ciência Tecnologia e Educação.

14h – Aprovação do Manifesto em Defesa da Soberania Nacional

Encaminhamentos práticos para a construção de um Movimento Nacional em Defesa da Soberania.

O ouro tem a maior alta em seis anos. Quem puxa a fila das compras é a Rússia, mas a China também vêm investindo no metal, o que sinaliza um a formação de um bloco importante na geopolítica e na economia mundial. Reservas ambientais brasileiras entram na mira de garimpeiros e grandes mineradoras.

Barras de ouro.
Nem tudo que reluz é ouro, mas nesse caso é.

O padrão-ouro foi criado no século XVIII por David Hume, porém, começou a vigorar na economia real no século XIX. Durante 1929, foi abandonado por causa da Grande Depressão. Com o acordo de Breton Woods, o lastro em ouro vigorou como tendência até o ano de 1971, organizando toda a economia mundial.

O vai e vem do ouro

O ouro não possui valor intrínseco: ele depende da demanda e dos estoques. Porém, diferente de papéis, moedas e ações, ele resiste como moeda de troca e produto há milênios. Isso o torna uma forma de reserva de valor historicamente estável.

Atualmente investir em ouro é tentar minimizar um risco geopolítico. A dívida mundial hoje é aproximadamente de US$ 244 trilhões. Isso é o triplo do tamanho da economia global, segundo o Institute of International Finance. Os dólares não são mais o ativo mais seguro do mundo, perdendo espaço para o ouro. A guerra comercial China X EUA contribui para o cenário.

Ouro em onças.
Uma onça troy corresponde à 31,1034768 gramas.

Nova valorização

Uma nova corrida do ouro está em curso, e a Rússia busca a dianteira. Somente no ano passado o país comprou 42% do ouro colocado a venda para bancos centrais de todas as nações. Em 2019, a Rússia tournou-se a sexta colocada em reservas mundiais do metal, segundo o World Gold Council, a maior autoridade mundial no comércio de ouro.

Além do aumento das reservas de ouro, a Rússia tem diminuído suas reservas em dólar. Ou seja, optou por uma troca estratégica. Além do ouro, o país governado por Vladimir Putin tem investido nas moedas japonesas e chinesas.

Perigosas riquezas

Garimpo ilegal de ouro nas Terras Yanomamis.
Crédito: Rogério Assis/ISA
Garimpo ilegal de ouro nas Terras Yanomamis.

A Terra Indígena Yanomami possui grande possibilidade de mineração de  ouro, cassiterita e tantalita. Já foi invadida por garimpeiros entre 1987 e 1992. Isso ocasionou a morte de 1 500 a 1800 indígenas. As mortes distribuíram-se entre assassinatos, contaminação dos indígenas com doenças para as quais não possuíam anticorpos e intoxicação com os subprodutos da mineração.

Segundo dados do Terras Indígenas, o panorama da Reserva Yanomami no Brasil mostra que duas etnias principais, Yanomami y Ye’kwana, reúne população de quase 27 mil pessoas incluindo indígenas isolados e são falados cinco idiomas.

Yanomami, Demini, Brasil
© Fiona Watson/Survival

A Reserva ocupa 9665 mil hectares, pertence à Amazônia Legal, perpassa dois estados brasileiros – Roraima e Amazonas – e faz fronteira com a Venezuela. Há dois tipos de cobertura vegetal: a Floresta Ombrófila Densa e Contato Campinarana-Floresta Ombrófila, situada na bacia do Rio Negro.

A volta dos assassinatos pelo ouro

Davi Yanomami em uma comunidade, Brasil.
© Survival

O Massacre de Haximu, ocorrido em 1993 contra 16 Yanomamis, foi o primeiro crime cujos réus foram julgados por genocídio. Porém a pauta indigenista já não comove mais o Brasil de 2019.

O mês de julho marcou a volta dos assassinatos por causa do garimpo ilegal. As mineradoras já viraram seu foco para a região:foram 534 pedidos de pesquisa para exploração no território, segundo levantamento do Instituto Socioambiental (ISA). Porém, a legislação ambiental assegura o direito dos indígenas sobre a terra.

Já o garimpo ilegal segue crescendo nas terras. São recorrentes as notícias sobre exportação ilegal, aumento do desmatamento , assassinatos de indígenas , extração de madeira, pesca e caça ilegal.

Aumento da demanda pelo ouro, pressão nas reservas

Família Yanomami mora em Reserva Ambiental cujo subsolo tem ouro.
Família Yanomami
© Victor Englebert/ Survival

Com uma imensa população desempregada, desalentada e sem perspectivas de melhora, a opção ilegal do dinheiro por meio do garimpo cresce. A tensão aumenta e a disposição do governo em coibi-la parece cada vez menor. A demissão do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, cujo trabalho revelou ao mundo o aumento do desmatamento na Amazônia é uma forte sinalização de Bolsonaro sobre o tema.

Voltar a debater o garimpo ilegal, os subprodutos tóxicos e genocídio de etnias será uma constante nessa nova corrida do ouro.

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