Em entrevista para a Rádio CBN na manhã desta sexta, 2, o presidente da Caixa Econômica, Pedro Guimarães, confirmou que o cronograma de saques das contas do FGTS, bem como as informações sobre as questões operacionais desses saques serão divulgadas na próxima segunda-feira, 5, pela instituição.

Guimarães também confirmou o que já tinha dito antes: as agências abrirão aos sábados, durante seis meses, para dar conta da demanda. A medida deve atingir cerca de 100 milhões de contas.

Pedro assume que os R$ 500 reais liberados devem ser usados pela maioria da população para pagar dívidas. Isso indica que, em termos de consumo, a economia não deve ser grandemente impactada.

Já dissemos aqui como essa medida significa uma desidratação a longo prazo do Fundo, que serve para financiamento de habitação popular, obras de saneamento básico e infraestrutura.

Trabalhadores da Caixa sofrem com falta de informação e sobrecarga

Conversamos com Dionísio Reis, coordenador da Comissão Executiva dos Empregados (CEE/Caixa) , que explicou que os funcionários da Caixa que participaram de operação semelhante em 2017 (durante a liberação de contas inativas do FGTS feitas pelo governo Michel Temer) esperam até hoje para receber parte do adicional de horas extras pelo trabalho nos finais de semana.

“Eles trabalharam aos sábados, durante dois meses, se empenharam e fizeram pagamentos em agências lotadas, pois o anúncio foi feito logo após o primeiro PDVE (Programa de Demissão Voluntária Extraordinário), o que piorou a situação com a diminuição do quadro de empregados”, relembra.

Regras de saque do FGTS devem ser esclarecidas na próxima semana

As regras de funcionamento e para realização do saque ainda não estão claras. Segundo Guimarães, quem possui conta-poupança na Caixa deve receber o dinheiro automaticamente.

Caso o cliente não queira receber, deverá informar ao banco, que fará o estorno. Ele disse ainda, que, pela experiência que tem, “mais de 99% das pessoas irão utilizar e fazer o resgate”.

Ele também afirmou que a Caixa vai realizar uma grande campanha publicitária de esclarecimento, já que as pessoas ainda estão confusas sobre a questão.

O presidente da instituição falou também sobre os resgates do PIS-Pasep, para quem trabalhou com Carteira assinada até 1988 e ainda não fez o resgate do recurso em conta. Esses trabalhadores devem receber primeiro, ainda em agosto. Os resgates das contas do FGTS devem ficar para setembro.

Mudanças no crédito imobiliário

Guimarães falou também sobre a mudança que a Caixa deve realizar na oferta do crédito imobiliário, mudando a taxa-base de TR (Taxa Referencial) para IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) – ambos índices que corrigem os contratos de financiamento habitacional.

A expectativa da mudança, segundo ele, “está deixando as empresas da construção civil muito animadas”. A instituição aguarda autorização do Banco Central para realizar a medida que, para o presidente da Caixa, “trará grande impulso no crédito imobiliário do país, com redução significativa na prestação da casa própria”.

Clientes da Caixa com boa avaliação de crédito pagarão juros menores. Caso aprovada pelo Banco Central, a nova regra só valerá para novos contratos.

Com juros mais baixos, o banco pretende estimular novos empréstimos e emitir títulos imobiliários no mercado com a receita desses pagamentos; uma ação semelhante à que causou o estouro da bolha imobiliária em 2008, nos Estados Unidos.

Medidas podem aumentar inadimplência

Para o economista Sergio Mendonça, a mudança pode aumentar os índices de inadimplência. “Muitas vezes o discurso é maravilhoso, mas a realidade é outra. E existirá um risco de que a inflação suba no futuro e a taxa variável suba junto com uma inflação mais alta. Aí o risco de inadimplência aumentará, pois os tomadores de empréstimos terão maior dificuldade de saldar esses empréstimos”, explica.

Guimarães também anunciou redução de juros para suas principais linhas de crédito, incluindo o cheque especial, uma medida que deve impactar positivamente a população mais endividada que faz uso do recurso.

Empresas também terão juros reduzidos. Hoje, a as taxas de juros para pessoas físicas no cheque especial chegam a 13,45% ao mês. Para as empresas, a taxa é de 14,95% ao mês.

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