As flores representam as trabalhadoras rurais presentes na Marcha das Margaridas. São uma homenagem à Margarida Alves, trabalhadora rural assassinada em frente a sua casa por exigir direitos trabalhistas.

Marcha das margaridas com representantes de todos os sotaques, todas as culturas, todos os povos.

Entre 13 e 14 de agosto, cerca de 80 mil mulheres de cada canto de Brasil estiveram reunidas em Brasília para dividir suas experiências sobre o trabalho no campo e reivindicar mais direitos. Além das brasileiras, aproximadamente 50 mulheres representantes de organizações de agricultura familiar de países da América do Sul, América Central, África, Europa e Ásia também estiveram presentes.

O evento é quadrienal e conta com o apoio de diversas organizações feministas, além de organizações de agricultura familiar, sendo a maior delas a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Com o tema “Por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência” as mulheres se reuniram no pavilhão do Parque da Cidade, em Brasília, e passaram o dia 13 entre rodas de conversa organizadas pela direção do evento, apresentações culturais e a venda dos produtos vindos da produção de cada uma.

Economia feminista

Os produtos vendidos no pavilhão da cidade eram manufaturados. Ao invés da venda de frutas, geléias e compotas; ao invés da palha, biojóias; ao invés do côco, cosméticos; e assim por diante. As mulheres apresentavam orgulhosas o fruto do trabalho de cooperativas que geraram além de emprego e renda, independência financeira.

Econtro de saberes e sabores no Pavilhão do Parque da Cidade. Entre pimentas e cosméticos, mulheres vendem e compram produtos.

Segundo muitas delas, com as cooperativas foi possível obter uma renda maior, o que acarretou uma mudança de vida para as famílias, sobretudo para filhos e filhas.

Um novo campo, apesar dos pesares

As jovens presentes não possuíam o estereótipo de uma mulher do campo, ao contrário: eram desenvoltas, com celulares e câmeras na mão, fotografando o evento, movimentando as rodas de conversa e expressando sua cultura por meio das músicas e das danças.

A questão da violência foi bastante debatida e contou com a presença das Promotoras Legais Populares. Além da violência doméstica, ainda necessariamente debatida em todos os eventos de mulheres, a violência no campo estava em evidência.

Debates sérios ocorreram na concentração da Marcha das Margaridas no Pavilhão do Parque da Cidade.
Mulheres defendendo mulheres.

Os conflitos fundiários, o trabalho análogo à escravidão, a mão-de-obra infantil e outros temas ainda são observados na zona rural brasileira.

Na abertura do evento, mulheres de todo o Brasil se juntaram para ver apresentações que representavam os locais de onde vinham.

O aumento do desmatamento, a poluição dos rios pelos agrotóxicos, sementes transgênicas e outros assuntos que mudam a vida das trabalhadoras rurais e das extrativistas também foram pautas importantes e perpassaram não só a abertura do evento, como o ato.

Enfim, a Marcha das Margaridas

Às 7h da manhã, sob o sol forte do Centro-oeste, as mulheres começaram a marchar em direção ao Congresso, não sem antes juntarem-se às mulheres indígenas acampadas próximas à Funarte.

Sob o Sol muitas batucadas chamando as mulheres a defender seus direitos.

Aos milhares, unidas, cantando diversas músicas andaram cerca de 2km, e quando as primeiras mulheres chegaram ao destino, muitas ainda não haviam saído do ponto de partida, tão grande era o ato.

Sem nenhuma intercorrência, pacífica e gigante a Marcha das Margaridas passou pela parte central da Brasília ganhando a simpatia dos que não estavam no ato.
‘Nem uma a menos’ foi um movimento que teve início na Argentina e contagiou toda a América do Sul, cujos países tem altas taxas de feminicídios.

Na chegada ao Congresso Nacional, as Margaridas receberam o apoio de diversas e diversos congressistas. Deputadas e deputados às saudaram nos carros de som e também no chão.

As Margaridas homenageiam Margarida Alves vestindo lilás e ostentando seus chapéus de palha, um símbolo das pessoas do campo.

Mini-Reforma Trabalhista foi tema de protestos

A recém-aprovada Medida Provisória 881 – ou como têm sido chamada a “Mini-Reforma Trabalhista” – foi alvo de protestos na Marcha. A matéria, que terá destaques votados nesta quarta na Câmara dos Deputados, foi comentada pelo deputado federal Carlos Zarattini.

Deputado Zarattini fala sobre liberdade econômica e direitos trabalhistas.

Mais de 100 mil trabalhadoras do campo, da floresta e das águas devem ocupar Brasília a partir desta terça-feira (13), quando tem início a Marcha das Margaridas 2019, que tem como lema “Margaridas na luta por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência”.

A marcha reúne as trabalhadoras a cada quatro anos, desde os anos 2000, sempre em Brasília, para lutar por direitos e denunciar retrocessos. Neste ano, o encontro acontece nos dias 13 e 14 de agosto.

Neste ano, a marcha pela Esplanada dos Ministérios começa na quarta-feira (14) pela manhã. No entanto, na terça (13), haverá uma sessão solene na Câmara dos deputados, às 9h; a Mostra de Saberes e Sabores das Margaridas, a partir das 14h, no Parque da Cidade. Lá, à noite, será realizado também um ato político cultural.

A primeira Margarida

Margarida Maria Alves é a grande inspiração desse evento tão importante para as trabalhadoras do campo.

Nordestina e trabalhadora rural, ocupou por 12 anos a presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba. Além da luta por terras, era grande incentivadora da escolarização das mulheres e fundou o Centro de Educação e Cultura do Trabalhador Rural.

Aos 40 anos, foi assassinada na porta de casa, em 12 de agosto de 1983. Pistoleiros portando armas de calibre 12 atiraram em seu rosto, em frente a seu filho e marido. O crime foi em retaliação às denúncias que Margarida fazia contra abusos a trabalhadores nas usinas da região. Seu nome se tornou símbolo de força e resistência.

Durante o 30º Congresso Nacional de Funcionários do Banco do Brasil e o 35º Congresso Nacional dos Trabalhadores da Caixa (CONECEF), funcionários dos dois maiores bancos públicos do Brasil se uniram na noite desta quinta, 1º, qem defesa das instituições e em homenagem a Olivan Justino, trabalhador do Banco do Brasil que faleceu ontem, na Bahia.


Olivan Faustino faleceu ontem, quarta-feira, 31, na cidade de Juazeiro, na Bahia. Era bancário do Banco do Brasil e um lutador social que será lembrado por sua solidariedade e capacidade de diálogo.

Juntos contra o retrocesso

Os retrocessos impostos pelo novo governo e pelos presidentes dos dois bancos públicos juntaram Caixa e Banco do Brasil em um auditório na Zona Norte de São Paulo para defender todas as instituições públicas, mas principalmente os bancos públicos.

Em uma mesa composta por mais de 20 pessoas e um auditório lotado, apesar do avançado da hora, os dirigentes retomaram a história do movimento e falaram da necessidade de seguir resistindo e lutando cada vez mais contra as privatizações e o desmembramento das instituições públicas.

Resistência contra o desmonte dos bancos públicos

A deputada Erika Kokay (PT-DF), funcionária histórica das lutas dos empregados da Caixa, foi aplaudida de pé ao dizer que o Brasil tem história de luta contra governos adeptos das privatizações de empresas públicas.

“Nós temos um projeto de desenvolvimento nacional. Esse Brasil filho da Casa Grande e Senzala, elegeu um operário que dizia que a fome não é natural, que colocou o pobre no orçamento”, disse.


“Querem arrancar nossas vozes, nossas organizações e nossos risos, estamos aqui de peito pulsante pra dizer que este país é filho de Zumbi dos Palmares, de Chico Mendes, de Margarida Alves. E que luta e vai lutar como Marielle, porque vamos preservar nossas instituições e vamos resistir. Aqui, neste momento, ninguém vai soltar a mão de ninguém”, declarou sendo ovacionada pelo auditório lotado.

Bolsonaro e Paulo Guedes unidos contra instituições públicas

A articulação entre o presidente Bolsonaro, o ministro Paulo Guedes e os presidentes da Caixa, Pedro Guimarães, e do Banco do Brasil, Rubem Novaes, segue forte no sentido do desmonte. Isso motiva que os trabalhadores se unam sem distinção na defesa dos Bancos Públicos.

O deputado Zé Carlos (PT-MA), presidente da Frente Parlamentar em Defesa dos Bancos Públicos, declarou que vai rodar o Brasil denunciando os desmontes. “Quem paga a conta das privatizações é o povo brasileiro. Como presidente da Frente, me coloco à disposição pra percorrer o Brasil com vocês pra denunciar o que está por trás desse governo e as ameaças que sofremos”, finalizou.

A importância dos bancos públicos e a polêmica do FGTS

A urgência no esclarecimento da população com relação à importância dos Bancos Públicos na sociedade brasileira foi ressaltada em diversas falas. O tom de unidade permeou o evento. E a criminalização dos movimentos sociais e o corte em programas salutares, como é o caso do Bolsa Família, foram denunciados.

A ideia de avisar à população sobre essa luta durante as próximas semanas, durante o período em que será feito o saque do FGTS foi levantado e avaliado como oportuno pelos presentes.

Fenae e ANABB marcaram presença na mesa e reafirmaram sua importância na organização dos funcionários nesse momento de luta. Jair Pedro Ferreira, presidente da Fenae, relembrou histórias de resistências.

“Nós fizemos congressos com demitidos, eles foram readmitidos, vencemos. Vamos ter um pouco de dificuldades agora nesse momento, mas se atuarmos em conjunto defendendo a democracia e a soberania venceremos novamente”, afirmou.

Atualiza Aí


Documento aponta diretrizes para uma reforma administrativa democrática

A Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público se posicionou hoje (15) em relação à reforma administrativa proposta pelo governo do presidente Jair Bolsonaro.

Decreto inclui Casa da Moeda no programa de privatizações

A edição desta terça-feira (15) do DOU traz um decreto assinado por Bolsonaro que inclui a Casa da Moeda do Brasil no programa de privatizações.

Vozes Silenciadas na cobertura da Reforma da Previdência – Podcast #EP10

O EP10 aborda a cobertura da mídia durante o processo da Reforma da Previdência e como as opiniões contrárias foram silenciadas neste debate.

Multimídia


Flávio Dino ressalta a necessidade de uma reforma tributária

Flávio Dino (PCdoB/MA) esteve presente no lançamento da proposta de Reforma Tributária Justa, Solidária e Sustentável que ocorreu ontem em Brasília.

Reforma tributária da oposição quer tornar mais justa a cobrança de impostos no País

O lançamento da Reforma Tributária Justa, Solidária e Sustentável mostra que os partidos da oposição começaram a propor saídas para o Brasil.