Discurso do presidente na ONU pode ser capaz de interromper uma atuação profissional e conciliadora do Brasil nos fóruns internacionais.

O Brasil faz fronteira com 10 países; é o terceiro em número de fronteiras no mundo perdendo só para a Rússia e para a China. Aliada a essa questão geográfica, há uma questão política ainda mais importante: o Brasil vive em paz com essas 10 nações há mais de 116 anos. Isso é um fato incomum até para países que possuem menos fronteiras.

A defesa do multilateralismo e do direito internacional como modo de mediar conflitos é uma tradição no Brasil. Faz parte de um histórico que remonta à Liga das Nações, órgão internacional que deu origem à Organização das Nações Unidas (ONU). Nos fóruns, a participação brasileira foi quase sempre orientada pela não-intervenção na soberania de outros países e na construção de acordos.

Política internacional na ONU corajosa, mesmo em tempos obscuros

Mesmo durante a ditadura civil-militar, a diplomacia brasileira teve um papel ativo e altivo nos fóruns internacionais. Durante o período, reconheceu a independência da Angola em 1975, mesmo fruto de uma revolução comunista.

Durante os anos de chumbo no Brasil – as décadas de 1960/70 e 80 – a política internacional foi mais recuada em temas mundiais no período como as bombas nucleares, os direitos humanos e até o ambientalismo. Porém, a partir da redemocratização, voltou a ser referência nessas pautas e reconstruiu seu protagonismo mundial.

A diplomacia profissional dá espaço aos presidentes na ONU

Antes da reabertura democrática, o Brasil era representado na ONU por seu corpo diplomático. Isso mundou quando Sarney foi empossado presidente em 1985.

Ele usou a tribuna do organismo em seu primeiro discurso para falar sobre a redemocratização do Brasil e para condenar o regime racista da África do Sul.
“Estou aqui para dizer que o Brasil não deseja mais que sua voz seja tímida. Deseja ser ouvido sem aspirações de hegemonia, mas com determinação de presença. Não pregaremos ao mundo o que não falarmos dentro de nossa fronteira. Estamos reconciliados. A nossa força passou a ser a coerência. Nosso discurso interno é igual ao nosso chamamento internacional.” (Sarney, 1985)

Depois disso, os presidentes brasileiros sempre abriram as conferências mundiais da ONU. Alguns discursos marcaram a atuação do Brasil na tribuna ao mostrar a altivez do país e sua capacidade de pautar os grandes debates mundiais.

O discurso do presidente Lula, que incluiu a erradicação da fome como prioridade no mundo inaugurou essa era. “A ONU já deu mostras de que há alternativas jurídicas e políticas para a paralisia do veto e as ações sem endosso multilateral. A paz, a segurança, o desenvolvimento e a justiça social são indissociáveis.” (Lula, 2003)

Já a presidente Dilma Roussef denunciou a espionagem que os EUA promoviam então a todos os países do mundo. “Quero trazer à consideração das delegações uma questão à qual atribuo a maior relevância e gravidade. Recentes revelações sobre as atividades de uma rede global de espionagem eletrônica provocaram indignação e repúdio em amplos setores da opinião pública mundial” (Dilma Rousseff, 2013)

Ascenção e queda de países emergentes na política mundial

A África do Sul tem uma história diametralmente oposta a do Brasil na política internacional. Durante o período do apartheid no país africano, que vigorou entre 1948 e 1994, o país foi um ‘pária’ na política internacional.

Sofreu sanções da ONU, não participava das decisões mais importantes do organismo internacional e era não se submetia às decisões internacionais. Hoje, protagoniza os debates e se beneficia das decisões.

Boas relações têm importância vital num mundo cada vez menor

Não estar envolvido nos principais arranjos e debates internacionais é o maior perigo que o Brasil corre se o discurso do presidente Bolsonaro seguir a linha que ele anunciou à imprensa. Segundo especialista que não quis se identificar, isso pode ocasionar que o país fique a reboque das decisões dos outros países e sofra prejuízos.

O especialista também confirmou que já há um decaimento de prestígio internacional, expresso ao Brasil na Conferência do Clima da ONU. A isso, somam-se escândalos internacionais entre os quais ao insulto à memória do pai de Michelle Bachelet, às ofensas à aparência da primeira-dama da França, Brigitte Macron, a recusa do aceite de verbas europeias para a contenção do desastre ambiental da Amazônia, entre outras.

Isso faz com que mesmo que o discurso seja adequado às expectativas internacionais e mantenha o Brasil como o gigante gentil da América do Sul, as ações tomadas em nível nacional e internacional demonstram outra disposição política.

O jogo só acaba quando termina

Porém há delegações e líderes internacionais mais ‘treinados’. Há rumores inclusive sobre um possível boicote ao discurso do presidente brasileiro. O tão esperado e temido discurso de Bolsonaro pode ser uma mudança paradigmática na política internacional. Pode mudar a imagem de um país ‘bom de bola’ e de política internacional e rebaixá-lo sob os olhos de todas as nações.

Se no futebol já foi um triste espetáculo, na arena da ONU pode ser ainda mais desastroso.

O preço do gás de cozinha tem impossibilitado famílias brasileiras de usar fogões tradicionais.

Lenha substitui o gás de cozinha em fogueira improvisada para fazer comida.

Gerando danos à saúde e também ambientais, a volta do uso de lenha e carvão para cozinhar, geralmente de forma improvisada, têm causado acidentes e exposto principalmente mulheres e crianças à situações de perigo, que vão além da pauperização.

Gás de cozinha e programas sociais

O problema brasileiro com o uso de lenha e gás para cozinhar é antigo. No início dos anos 2000, foi objeto de programas sociais federais. Um ano após a virada do milênio, o então presidente Fernando Henrique Cardoso criou o programa social Vale Gás, incorporado em 2008 pelo Bolsa Família pelo governo Lula.

Uma pesquisa do IBGE demonstrou que o problema estava decrescendo com o crescimento da economia e do emprego, mas voltou a assombrar o país no ano de 2016.

Gás de cozinha e valores

Em novembro de 2001, o botijão normal de gás de cozinha custava em média R$ 18,87 segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O último levantamento do órgão, referente à abril de 2019, mostra o mesmo botijão sendo vendido à R$ 69,06. Esses dados referem-se a uma média brasileira, porém, em muitas regiões o gás de cozinha tem alcançado o valor de R$ 89,00, como no Distrito Federal.

Gás de cozinha e miséria

Não só os aumentos acima da inflação explicam o fenômeno da volta a primitiva técnica da lenha. Na década de 2001 à 2010, o Brasil teve uma taxa média real de crescimento anual de 3,7%, e a atualmente projeta-se um crescimento de apenas 0,9%. Além disso, o aumento da concentração de renda e o aumento do desemprego e do desalento empurram grande parte da população pobre para a pobreza extrema. Como se vê nem só o preço do gás de cozinha empurra as famílias para o risco, mas a falta do que colocar na panela também.


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