Segundo estudo, existe um desentendimento de objetivos entre os agentes do futebol brasileiro: torcida e dirigentes vivem em pé de guerra e isso pode ser explicado pela economia

Futebol é tema de economia, política, sociologia e muito mais.

O futebol é um vício no Brasil e em grande parte do mundo. Longe de ser apenas um esporte, o futebol envolve paixão, cultura e diversos aspectos sociais. Entre Campeonato Europeu, Brasileirão, Copa América, Libertadores e tantos outros campeonatos, o futebol movimenta atualmente mais de R$ 100 bilhões!

Mas não é só pelo aspecto fiscal que se pode estudar esse esporte à luz da economia. Marcelo de C. Griebeler e Diego Baldusco escolheram abordar a divergência de objetivos entre torcidas e dirigentes de clubes em um estudo inovador, publicado na Revista Economia, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Estudo novo, paixão antiga

Segundo os autores, há poucos trabalhos acadêmicos na área de economia sobre futebol no Brasil. E estes têm um foco diferente do abordado pelos economistas nesse trabalho. Os temas escolhidos, tradicionalmente, são ligados aos próprios times, ligas, campeonatos, televisões e estádios.

Por isso, decidiram ser pioneiros ao analisar um problema frequente na atualidade: as brigas homéricas entre torcedores e dirigentes. Estas são acompanhadas pela imprensa nos mais diversos times, quase cotidianamente.

F

Se por um lado as manifestações das torcidas vão desde o famoso ‘xingar muito no twitter’ até as pixações, os dirigentes têm utilizado instrumentos judiciais (mas também costumam ‘xingar muito no twitter’).

'Acobou a paz' marcou o Futebol brasileiro da mesma forma que o bordão 'o jogo só acaba quando termina'.
‘Acabou a paz’ entre torcida e atletas do Corinthians, como mostra a pichação no Parque São Jorge, em 2014.

Há brigas que muitas vezes viram comédia, porém, o que preocupou os pesquisadores foram os episódios de violência que ocorreram no futebol brasileiro em 2008. Conflitos entre torcedores, atletas e dirigentes ocorreram no Flamengo, Bahia, Botafogo e Palmeiras. Eles foram citados como justificativa para a realização do estudo.

As cenas lamentáveis passaram a ocorrer desde então, e o motivo delas foi o que os economistas Marcelo de C. Griebeler e Diego Baldusco buscaram responder.

Para tanto, utilizaram um modelo teórico baseado no ‘Agente Principal’ e na ‘Assimetria de Informações’ elaboradas por Jensen e Mackling, em 1976.

O que opõe dirigentes e torcidas?

Um dos pontos-chave do estudo é essa relação entre torcida, ‘principal’, e dirigentes, os ‘agentes’.

“O principal, a torcida, delega para o agente; o dirigente, a
tarefa da produção de vitórias e resultados positivos. Contudo, nem sempre
o dirigente do clube deseja maximizar o número de vitórias. Ele pode querer
manter o orçamento do clube equilibrado, para isso vendendo os melhores
atletas do elenco”.

Há também outras hipóteses em debate. Segundo os autores, pode haver uma tentativa de maximização do número de sócios e voltar-se à publicidade. Mas, qualquer que seja a premissa, a torcida se ressente com a queda da qualidade do futebol e a venda dos craques que surgem nos times brasileiros em detrimento de metas fiscais.

Outras tretas

Um dos pontos mais importantes que caracteriza o futebol brasileiro, e está presente no modelo teórico, é a assimetria de informações. A falta de transparência dos clubes e dirigentes afeta a capacidade de escolha da torcida, a ‘principal’ interessada no tema.

Assim, a torcida tem parâmetros menos objetivos para criticar com qualidade o trabalho dos dirigentes. Isso diminui a possibilidade de haver cobranças racionais, o que faz a insatisfação degenerar para a violência.

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