Parceria entre a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e o Ministério Público do Trabalho (MPT) revela ao mundo que ainda há trabalho escravo no Brasil de hoje.

O trabalho escravo existe no campo, nas cidades no Brasil de 2019.
Foto: OIT/ Sérgio Carvalho

É impossível ficar indiferente ao documentário “Precisão”. Não há maquiagem nem sensacionalismo nas cenas do filme, apenas a sucessão de cenários conhecidos, da língua que nós falamos e de trabalhadores, antes de tudo pessoas, que vivem situações inacreditáveis de sofrimento impostas por patrões no Brasil de 2019.

Crianças, mulheres e homens contam em primeira pessoa como foram obrigados pela miséria a buscar o sustento longe de suas casas. Sobre como patrões desumanos se aproveitaram disso e roubaram sua liberdade e dignidade. E sobre como conseguiram, por meio do amparo da lei e da solidariedade, se empoderar e lutar contra essa realidade.

Como se não bastassem as seis histórias em primeira pessoa, o documentário é ainda permeado por entrevistas com especialistas na área do trabalho. Uma procuradora Federal do MPT, um Auditor Fiscal do Trabalho, uma coordenadora da OIT Brasil e uma jornalista que, além de trazerem dados – como o valor que lucra quem usa a escravidão como meio de produção -mostram a percepção de quem volta pra casa depois de lidar com violações tão graves.

Se o presidente Jair Bolsonaro defende o trabalho infantil e quer afrouxar as punições aos fazendeiros que utilizam trabalho escravo ou análogo à escravidão em suas propriedades, os que foram escravizados hoje se empoderam e lutam ao lado da justiça contra as práticas.

Trabalho forçado, jornadas exaustivas, condições degradantes e servidão por dívida são resquícios da escravização do povo negro durante os primeiros três séculos da história do Brasil. Mas também são a realidade incômoda que parte da sociedade insiste em não querer ver.

As flores representam as trabalhadoras rurais presentes na Marcha das Margaridas. São uma homenagem à Margarida Alves, trabalhadora rural assassinada em frente a sua casa por exigir direitos trabalhistas.

Marcha das margaridas com representantes de todos os sotaques, todas as culturas, todos os povos.

Entre 13 e 14 de agosto, cerca de 80 mil mulheres de cada canto de Brasil estiveram reunidas em Brasília para dividir suas experiências sobre o trabalho no campo e reivindicar mais direitos. Além das brasileiras, aproximadamente 50 mulheres representantes de organizações de agricultura familiar de países da América do Sul, América Central, África, Europa e Ásia também estiveram presentes.

O evento é quadrienal e conta com o apoio de diversas organizações feministas, além de organizações de agricultura familiar, sendo a maior delas a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).

Com o tema “Por um Brasil com soberania popular, democracia, justiça, igualdade e livre de violência” as mulheres se reuniram no pavilhão do Parque da Cidade, em Brasília, e passaram o dia 13 entre rodas de conversa organizadas pela direção do evento, apresentações culturais e a venda dos produtos vindos da produção de cada uma.

Economia feminista

Os produtos vendidos no pavilhão da cidade eram manufaturados. Ao invés da venda de frutas, geléias e compotas; ao invés da palha, biojóias; ao invés do côco, cosméticos; e assim por diante. As mulheres apresentavam orgulhosas o fruto do trabalho de cooperativas que geraram além de emprego e renda, independência financeira.

Econtro de saberes e sabores no Pavilhão do Parque da Cidade. Entre pimentas e cosméticos, mulheres vendem e compram produtos.

Segundo muitas delas, com as cooperativas foi possível obter uma renda maior, o que acarretou uma mudança de vida para as famílias, sobretudo para filhos e filhas.

Um novo campo, apesar dos pesares

As jovens presentes não possuíam o estereótipo de uma mulher do campo, ao contrário: eram desenvoltas, com celulares e câmeras na mão, fotografando o evento, movimentando as rodas de conversa e expressando sua cultura por meio das músicas e das danças.

A questão da violência foi bastante debatida e contou com a presença das Promotoras Legais Populares. Além da violência doméstica, ainda necessariamente debatida em todos os eventos de mulheres, a violência no campo estava em evidência.

Debates sérios ocorreram na concentração da Marcha das Margaridas no Pavilhão do Parque da Cidade.
Mulheres defendendo mulheres.

Os conflitos fundiários, o trabalho análogo à escravidão, a mão-de-obra infantil e outros temas ainda são observados na zona rural brasileira.

Na abertura do evento, mulheres de todo o Brasil se juntaram para ver apresentações que representavam os locais de onde vinham.

O aumento do desmatamento, a poluição dos rios pelos agrotóxicos, sementes transgênicas e outros assuntos que mudam a vida das trabalhadoras rurais e das extrativistas também foram pautas importantes e perpassaram não só a abertura do evento, como o ato.

Enfim, a Marcha das Margaridas

Às 7h da manhã, sob o sol forte do Centro-oeste, as mulheres começaram a marchar em direção ao Congresso, não sem antes juntarem-se às mulheres indígenas acampadas próximas à Funarte.

Sob o Sol muitas batucadas chamando as mulheres a defender seus direitos.

Aos milhares, unidas, cantando diversas músicas andaram cerca de 2km, e quando as primeiras mulheres chegaram ao destino, muitas ainda não haviam saído do ponto de partida, tão grande era o ato.

Sem nenhuma intercorrência, pacífica e gigante a Marcha das Margaridas passou pela parte central da Brasília ganhando a simpatia dos que não estavam no ato.
‘Nem uma a menos’ foi um movimento que teve início na Argentina e contagiou toda a América do Sul, cujos países tem altas taxas de feminicídios.

Na chegada ao Congresso Nacional, as Margaridas receberam o apoio de diversas e diversos congressistas. Deputadas e deputados às saudaram nos carros de som e também no chão.

As Margaridas homenageiam Margarida Alves vestindo lilás e ostentando seus chapéus de palha, um símbolo das pessoas do campo.

Mini-Reforma Trabalhista foi tema de protestos

A recém-aprovada Medida Provisória 881 – ou como têm sido chamada a “Mini-Reforma Trabalhista” – foi alvo de protestos na Marcha. A matéria, que terá destaques votados nesta quarta na Câmara dos Deputados, foi comentada pelo deputado federal Carlos Zarattini.

Deputado Zarattini fala sobre liberdade econômica e direitos trabalhistas.

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