Como já dissemos aqui, o abismo em que entrou a economia brasileira nos empurra novamente na direção de um passado sombrio em que as famílias, vítimas da parca distribuição de renda, do aumento da pobreza e do desemprego, são obrigadas a usar novamente o fogão a lenha para cozinhar.

Riscos para a saúde e meio ambiente


Isso tem um efeito desastroso tanto para a saúde das pessoas quanto para o meio ambiente. Esse é um dos alertas do estudo desenvolvido pela professora Adriana Gioda, do Departamento de Química do Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CTC/PUC–Rio).

Com o desemprego e a volta do uso da lenha, vem um problema adicional, segundo Adriana: o consumo da lenha catada em fogões rústicos, com queima ineficiente. Isso faz com que as pessoas tenham doenças variadas, principalmente problemas respiratórios. “No longo prazo, isso acaba indo para a corrente sanguínea, entrando no cérebro e afetando vários órgãos do corpo”, adverte em entrevista para o jornal Correio Braziliense.

A pesquisa da professora Adriana Gioda foi publicada na revista científica Biomass and Bioenergy, usando dados disponíveis de 2016 do IBGE e da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia.

Uso maior entre as populações mais pobres


A professora Gioda alerta para o fato de que uso é muito maior no Nordeste do que nas outras regiões do país – o aumento é mais observado dentre a população mais pobres, por causa do aumento do preço do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP). Conforme a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustiveis (ANP), a queda de 1% no consumo de GLP, de 2017 para 2018, significou 13,2 bilhões de litros consumidos a menos em todo o Brasil.

Pobreza e morte ao redor do mundo


Adriana também informa que muita gente morre em decorrência dos efeitos da exposição à queima. Quase 3 bilhões de pessoas usam a lenha como principal combustível ao redor do mundo, cerca de 40% da população mundial.


Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são registradas mais de 4,3 milhões de mortes no mundo, das quais cerca de 70 mil na América Latina e Caribe, provocadas pela poluição do ar no ambiente doméstico, gerada pela utilização da lenha e carvão. A maioria das mortes é prematura e afeta principalmente mulheres e crianças.

Com informações do Correio Braziliense

O preço do gás de cozinha tem impossibilitado famílias brasileiras de usar fogões tradicionais.

Lenha substitui o gás de cozinha em fogueira improvisada para fazer comida.

Gerando danos à saúde e também ambientais, a volta do uso de lenha e carvão para cozinhar, geralmente de forma improvisada, têm causado acidentes e exposto principalmente mulheres e crianças à situações de perigo, que vão além da pauperização.

Gás de cozinha e programas sociais

O problema brasileiro com o uso de lenha e gás para cozinhar é antigo. No início dos anos 2000, foi objeto de programas sociais federais. Um ano após a virada do milênio, o então presidente Fernando Henrique Cardoso criou o programa social Vale Gás, incorporado em 2008 pelo Bolsa Família pelo governo Lula.

Uma pesquisa do IBGE demonstrou que o problema estava decrescendo com o crescimento da economia e do emprego, mas voltou a assombrar o país no ano de 2016.

Gás de cozinha e valores

Em novembro de 2001, o botijão normal de gás de cozinha custava em média R$ 18,87 segundo a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O último levantamento do órgão, referente à abril de 2019, mostra o mesmo botijão sendo vendido à R$ 69,06. Esses dados referem-se a uma média brasileira, porém, em muitas regiões o gás de cozinha tem alcançado o valor de R$ 89,00, como no Distrito Federal.

Gás de cozinha e miséria

Não só os aumentos acima da inflação explicam o fenômeno da volta a primitiva técnica da lenha. Na década de 2001 à 2010, o Brasil teve uma taxa média real de crescimento anual de 3,7%, e a atualmente projeta-se um crescimento de apenas 0,9%. Além disso, o aumento da concentração de renda e o aumento do desemprego e do desalento empurram grande parte da população pobre para a pobreza extrema. Como se vê nem só o preço do gás de cozinha empurra as famílias para o risco, mas a falta do que colocar na panela também.


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