Depois da censura ao comercial do BB que exibia jovens e representava a diversidade da população do país, o banco foi usado mais uma vez como linha auxilar para avaliar ideologicamente produções audiovisuais.

A Constituição Federal, em seu artigo 220, inciso 2º, determina que: “É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.”

Promulgação da Constituição de 1988.

Porém, a BB DTVM, subsidiária do Banco do Brasil cuja responsabilidade é a gestão de recursos de terceiros e na administração dos fundos de investimento dos clientes, não está observando a lei máxima do país.

Em edital lançado para a para apoiar filmes longa-metragens via Lei do Audiovisual, a BB DTVM colocou em seu formulário questões morais ideológicas. A prática de uma empresa pública apoiar ou não um filme baseada nesses critérios é bastante questionável.

João Fukunaga, bancário do BB e secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, se manifestou de maneira enfática contra a medida: “É um absurdo o governo usar o Banco do Brasil para aplicar esta clara tentativa de censurar, através da força do dinheiro, o cinema brasileiro.”

Fukunaga ainda arrematou seu pensamento fazendo uma pergunta necessária em um estado laico. ” Se um filme aborda uma temática relacionada a uma religião diferente da do presidente, não poderá ser realizado?”, questiona.

Censura impede criatividade premiada de cineastas brasileiros

Brasil já produziu filmes premiads em todo o mundo. A censura não irá refrear essa onda de criatividade.
Imagem: AdoroCinema

O renascimento do cinema nacional data de meados da década de 1990 e tem como expoente o lançamento do longa “Carlota Joaquina, Princesa do Brazil”. O filme, de tom satírico, faz uma crítica à formação do país e, pelo edital proposto pela BB DTVM, poderia não ter sido lançado.

Assim como Carlota Joaquina, filmes que contenham cunho político ou religioso, façam referência a crimes e prostituição ou apresentem cenas de nudez estão vetados pelo edital.

Edital censura manifestações artísticas que refletem a sociedade.
Reprodução de parte do edital da BB DTVM que impede críticas e reflexões sobre a sociedade brasileira.


Felipe Novaes Elias, documentarista, manifestou apreensão com a medida. “Como realizador audiovisual, eu me pergunto quais os critérios que serão julgados por meio dessas perguntas na seleção. Principalmente tratando-se de um fundo de investimentos de um banco público, que visa o investimento em conteúdo independente. Gostaria de entender no edital qual a finalidade das respostas ao formulário. Um projeto meu seria considerado ainda que falasse sobre uma religião diferente da do presidente, ou se tratasse de temas sexuais?”

Fukunaga acredita que o Banco do Brasil deveria zelar pela pluralidade de ideias e de temas. “Vetar que empresas públicas financiem obras cinematográficas devido ao seu conteúdo é uma clara tentativa de censura, a qual o presidente do banco público, Rubem Novaes, corrobora”, afirma.

Além de contrariar a Constituição, esse edital fere de morte a indústria cinematográfica. Segundo artigo publicado pelos doutores Cristóvão Domingos Almeida e Cleber Morelli Mendes, a indústria cinematográfica brasileira hoje depende dos investimentos privados recebidos por meio das Leis Rouanet e de Incentivo ao Audiovisual.

Porém, segundo o mesmo estudo, ambas deixam aberto ao patrocinador privado escolher que tipo de produção desejam apoiar, fazendo com que majoritariamente produções comerciais, sem preocupação com a diversidade da população ou o caráter artístico sejam contempladas.

O papel de um Banco Público é fomentar a cultura nacional para que seja um reflexo da população, a fim de que esta faça parte e se veja nas produções.

Nenhum passo atrás

A situação é tão grave que suscitou uma representação na Procuradoria Geral da República (PGR) contra o presidente Jair Bolsonaro e contra o Banco do Brasil por improbidade administrativa, por conta dos aspectos de censura do edital.

Segundo o PSOL, autor da representação, ela será protocolada ainda nesta terça, 13, na Procuradoria Geral da República (PGR).

O que diria Affonso Segretto, um dos pioneiros do cinema no Brasil ao ver tamanha involução cultural?

Atualiza Aí


Carnaval: veja como fugir de golpes com seu cartão de crédito

Cuidado com o golpe! Muitas quadrilhas aproveitam as multidões e a distração dos foliões para trocar os cartões de crédito no momento dos pagamentos.

Tensões entre Guedes e Bolsonaro marcam começo de 2020

Como pano de fundo, houve divergências sobre o conteúdo e o ritmo de apresentação da agenda econômica do governo neste ano.

Carnaval: confira o horário dos bancos

Agências bancárias não irão funcionar na segunda e terça de Carnaval. Na quarta-feira de cinzas, o expediente começa às 12h.

Multimídia


Entidades se reúnem em defesa do estatuto da Funcef

Entidades entregaram ao Conselho Deliberativo da Funcef uma petição com 21,7 mil assinaturas de aposentados de todo o País.

Sérgio Mendonça: o papel dos Bancos Públicos na economia

Economista Sérgio Mendonça participou do programa Crivelli Convida com o advogado Ericson Crivelli.