Brasil é apontado como o País mais desigual, segundo o relatório Panorama Social 2019 divulgado nesta quinta-feira (28)

O relatório feito pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) mostra que a pobreza deve aumentar de 30,1% da população para 30,8% em 2019.

A pobreza extrema saltaria de 10.7% para 11,5%. Os números se devem, principalmente, às crises que Brasil, Venezuela e Argentina estão enfrentando desde o ano passado.

Isso quer dizer que o número de pessoas na pobreza aumentaria de 185 milhões para 191 milhões do ano passado para este. O total de latino-americanos na extrema pobreza passaria de 66 milhões para 72 milhões.

Depois de um período de crescimento, a região tem enfrentado sérias ameaças à sua democracia e instabilidade em seus sistemas políticos.

Sendo assim, esse cenário aprofunda as desigualdades e faz crescer a pobreza. A situação fica ainda pior com o o fim do superciclo das commodities.

A diminuição de renda e a destruição de programas sociais também contribuem para o agravamento do quadro, assim como o ajuste fiscal.

Vale ressaltar que 76,8% da população da América Latina têm renda baixa ou média-baixa. Enquanto os mais ricos aumentam de 2,2% para 3% do total.

“Por quase uma década, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) posicionou a igualdade como base do desenvolvimento. Hoje, constatamos novamente a urgência de avançar na construção do Estado de Bem-Estar, baseado em direitos e na igualdade, que outorguem a seus cidadãos e cidadãs acesso a sistemas integrais e universais de proteção social e a bens públicos essenciais, como saúde e educação de qualidade, habitação e transporte. A convocação é para criar pactos sociais para a igualdade ”, afirmou Alicia Bárcena, Secretária-Executiva do organismo regional, durante o lançamento do relatório, no Chile.

O texto “Desenvolvimento econômico da América Latina e alguns de seus principais problemas” escrito pelo economista Raul Prebisch ficou conhecido como “Manifesto Latino-Americano”. Não é para menos. Ele lançou as bases institucionais da Comissão Econômica para a América Latina )CEPAL), além de fundar o pensamento teórico desenvolvimentista.

O Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e a Fundação Perseu Abramo realizarão, nos dias 27 e 28 de agosto, debates sobre o desenvolvimento econômico da América Latina a partir dos seus mais importantes autores.

Raul Prebisch, criador do Manifesto Latino-Americano

O pano de fundo será o aniversário de 70 anos do Manifesto Latino-Americano, um texto que deu origem ao pensamento desenvolvimentista na América Latina, e influenciou autores de relevância internacional, como Celso Furtado.

O desenvolvimentismo é uma teoria econômica e social de suma importância, pois inaugura um novo marco teórico nas ciências sociais. A partir dele foi possível criar análises baseadas na História dos países do continente, sem precisar encaixá-las nas categorias e orientações dos sistemas europeus e norte-americanos de análise.

Temas como distribuição de renda, divisão internacional do trabalho e industrialização são centrais para o desenvolvimentismo enquanto ciência, e também enquanto teoria norteadora das práticas políticas.

Aos 70 anos o Manifesto Latino-Americano segue atual

Mesmo com todas as transformações pelas quais passou o capitalismo e a política nos países da América Latina, o continente ainda se mantém na condição de periferia.

Os esforços empreendidos pelos governos dos anos 2000 estão sendo suplantados pelo liberalismo econômico que retirou conquistas sociais importantes e recém-adquiridas pela população.

A leitura crítica dos clássicos pode apontar novos rumos? Esse é o desafio proposto pelo evento que ocorrerá em São Paulo e terá transmissão ao vivo pelas plataformas da Fundação Perseu Abramo no Facebook e Youtube.

Serviço

Data: 27 e 28 de agosto
Local: Nobile Downtown – Rua Araújo, 141, República, São Paulo (SP) – próximo à estação República do metrô
O evento é gratuito e não é necessário se cadastrar previamente.

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