Bancos deverão colocar nos extratos dos clientes informações como valor e forma de apuração de tarifa cobrada, além do valor dos juros pela utilização do cheque especial

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O Banco Central quer mais transparência das cobranças relacionadas ao cheque especial. A instituição publicou na última quinta-feira (6) uma circular obrigando bancos a colocarem novas informações nos extratos dos clientes. Dentre elas, estão o valor e forma de apuração de tarifa cobrada do limite de crédito, além do valor dos juros pela utilização do serviço no mês.

Em janeiro deste ano começaram a valer novas regras para o cheque especial. Foi colocado um limite de 8% nos juros cobrados pelos bancos para pessoa física e microempreendedor individual (MEI). Também foi estipulada a cobrança de tarifa de 0,25% mensal sobre o valor que ultrapassar o limite de R$ 500.

Conforme o Banco Central, as instituições financeiras que optarem por cobrar a citada tarifa têm até primeiro de junho para se adaptarem. Já os bancos que optarem por não cobrar tarifa, deverão publicar as informações sobre utilização do cheque especial a partir de primeiro de novembro.

O Banco Central explica que as novas exigências são para oferecer condições adequadas para os clientes acompanharem o uso do cheque especial. Dessa forma, é possível avaliar o impacto das cobranças de juros e de tarifas realizadas pelos bancos.

Transparência no cheque especial

O documento do Banco Central vem complementar as medidas recentes implementadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). De acordo com o documento, são cinco as informações mínimas obrigatórias que devem constar no extrato bancário.

Além do valor e forma de apuração de tarifa cobrada e valor de juros devido pela utilização do cheque especial no mês, as instituições deverão informar o limite de crédito contratado. Os extratos também deverão ter os valores utilizados diariamente e a taxa de juros remuneratória efetiva ao mês.

Os bancos precisam informar ainda o valor dos juros acumulado pela utilização do serviço no período de apuração até a data do fornecimento do extrato.

O relatório anual sobre crédito do Banco Central (BC) foi divulgado na última quarta-feira (29). Segundo os dados, apesar da queda na taxa Selic, o spread bancário aumentou. O que é cada uma dessas coisas e como elas afetam diretamente a vida do cidadão comum é o que explicamos abaixo.

A taxa Selic é a taxa básica de juros, definida pelo Banco Central. Ela serve para determinar como os títulos públicos que o Estado emite serão remunerados. Em outras palavras, quando necessita de dinheiro, o País emite papéis que são comprados. Esses papéis garantem aos seus compradores o direito de receber a quantia original paga acrescida de um percentual, calculado pela taxa Selic.

Esse patamar definido pelo Banco Central acaba servindo como referência para o dinheiro que os bancos pegam emprestado. Apesar de que possa parecer estranho, as instituições financeiras ganham dinheiro justamente na diferença entre o que pegam emprestado e o que emprestam.

E como funciona?

Quando alguém faz uma aplicação financeira – depositando dinheiro em uma instituição financeira para retirar uma quantia maior posteriormente – está, tecnicamente, emprestando dinheiro ao banco. Este último capta o dinheiro se comprometendo a entregar uma quantia maior calculada com base em uma taxa de juros de captação.

André Paiva Ramos, economista da ACLacerda Consultores, explica que a taxa Selic serve como referência para a taxa de captação por um fator simples: caso ela seja muito inferior à Selic, as pessoas optarão por comprar títulos públicos e não em aplicar nos bancos.

“No Brasil, como há cinco grandes bancos que detém 80% do mercado de crédito, tendo uma alta capilaridade [com grande números de agências pelo País], e como as pessoas muitas vezes nem cogitam comprar títulos públicos, a taxa média de captação dos bancos consegue ser até 20% menor que a Selic”, diz.

Resumindo: os bancos pegam dinheiro emprestado pagando uma determinada taxa de juros. Para ganhar dinheiro, emprestam com uma taxa de juros maior. Essa diferença é o que se chama spread bancário.

Selic

Em 2019, a taxa Selic caiu dois pontos percentuais: de 6,5% para 4,5% ao ano. Segundo os dados do BC, o spread foi em sentido contrário. Em dezembro de 2018, estava em torno de 17%, chegando, no mesmo mês de 2019, em 18,4%.

A taxa média de juros aplicados pelos bancos a pessoas e empresas, no mesmo período, caiu de 23,2% para 23%. Se a Selic caiu e os juros para os que pegam empréstimos também caíram, a única explicação para o aumento do spread é a de que os bancos não repassaram totalmente a queda da selic aos consumidores finais.

Juros

A taxa de juros estipulada pelos bancos ao consumidor final tem de incluir fatores como custos administrativos, impostos, a possibilidade de inadimplência e, claro, o lucro do banco. Os bancos justificam a elevação do spread com base em uma dessas variáveis: a possibilidade de calote.

Ramos, entretanto, relativiza o argumento. Segundo ele, os próprios altos juros cobrados pelos bancos – “que agem como oligopólio” – acabam gerando o não pagamento, “estrangulando” quem pega empréstimos.

“A pessoa pega, por exemplo, cem reais emprestado. A dívida duplica, triplica, quadruplica em um curto período. A pessoa não consegue realmente pagar. Tem renegociação e paga 200. Nesse caso, com inadimplência, o banco obtém 100% do valor original. Nós vemos os bancos, em período de crise, tendo recordes de lucro”, aponta.

O economista aponta que seriam necessárias, portanto, medidas de desconcentração bancária no País. Em paralelo e no curto prazo, os Bancos Públicos deveriam ser fortalecidos, não só para gerar concorrência na oferta de crédito com taxas mais baixas, mas também para oferecer modalidades de empréstimos que, ao menos atualmente, não são do interesse dos bancos privados: “O BNDES, por exemplo, talvez tenha sido o único banco que foi capaz de emprestar para investimentos produtivos cujo retorno é de longo prazo, estipulando 20 anos para o pagamento”.

As novas regras que estabelecem um teto para os juros do cheque especial começam a valer a partir desta segunda-feira, 6 de janeiro.

As novas medidas foram anunciadas pelo Banco Central em novembro do ano passado. Foi colocado um limite de 8% nos juros cobrados pelos bancos, além da cobrança de tarifa de 0,25% mensal sobre o valor que ultrapassar o limite de R$ 500.

Dessa forma, os bancos não poderão cobrar taxas superiores a 8% ao mês, o equivalente a 151,8% ao ano.

Para os contratos em vigor, a cobrança da tarifa de 0,25% sobre o valor que ultrapassar o limite de R$ 500  só será permitida a partir de 1 º de junho de 2020. Para os novos, passa a valer em 6 de janeiro.

O cheque especial é um dos motivos que explica o endividamento de quase 30 milhões de pessoas no Brasil, aponta Pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Quem mais usa o cheque especial são as classes menos abastadas do País, C, D e E, que correspondem a 48% dos usuários.

O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, classificou o cheque especial como um “produto regressivo” pois quem está “embaixo da pirâmide” está sustentando quem está “em cima” e não usa o produto.

OAB pede ao BC que revogue

a cobrança do cheque especial

A OAB Nacional encaminhou ofício ao Banco Central requerendo que a autarquia determine o fim da cobrança, por parte dos bancos, da tarifa de disponibilização do cheque especial aos clientes. 

“A previsão de cobrança pela mera disponibilização do serviço fragiliza a proteção do consumidor, que conta com amplo amparo em nosso ordenamento jurídico, no nível constitucional e infraconstitucional”, alegam os signatários do ofício.

Pelo texto da resolução contestada, clientes que possuam limites de crédito superiores a R$ 500 (quinhentos reais) poderão sofrer cobrança de uma tarifa calculada em 0,25% do valor excedente, mesmo sem utilizar o serviço.

Como será a cobrança do cheque especial?

Em entrevista ao Reconta Aí, William Baghdassarian, professor de Economia do Ibmec Brasília, explicou o que muda com as novas regras do cheque especial.

Mas fique atento! Se você tem um limite de cheque especial de R$ 1.000,00, o que passar de R$ 500, será cobrada uma taxa de 0,25% ao mês. Até R$ 500 não pagará nada de limite.

Confira a entrevista!

A retomada lenta da economia tem deixado o consumidor frustrado. O Indicador de Confiança do Consumidor marcou 47,2 pontos em novembro, abaixo do registrado em janeiro de 2019, que foi de 49,0 pontos. Os dados foram divulgados hoje (5) pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil). 

O indicador de confiança do consumidor varia de zero a 100 e somente resultados acima de 50 pontos mostram uma percepção otimista do consumidor.

Em termos percentuais, apenas 9% dos consumidores consideram o momento da economia bom. Em contrapartida, seis em cada dez (66%) consumidores acham o cenário econômico ruim. As principais razões estão ligadas a uma percepção de alta dos preços dos produtos e serviços (66%), ao desemprego alto (65%) e às elevadas taxas de juros (30%). 

Imagem: Arquivo EBC

Em relação aos próximos seis meses, 27% dos consumidores estão otimistas com o futuro da economia. Por outro lado, 27% consideram-se pessimistas por terem a sensação de que os preços continuam subindo (49%) e o desemprego segue elevado (44%). 

A pesquisa também aponta que 42% discordam das medidas econômicas do governo. Há também os que se sentem receosos em relação às instabilidades políticas (32%) e os que acreditam que as leis e instituições não favorecem o desenvolvimento do país (26%). 

Conforme o levantamento, o que mais tem pesado na vida financeira das famílias é o alto custo de vida, em razão do elevado preço dos produtos e serviços (54%). O desemprego (17%) e o endividamento (14%) aparecem logo em seguida. 

Foram entrevistados 800 consumidores.

O Banco Central anunciou novas medidas para o cheque especial, que passam a valer a partir do próximo ano. William Baghdassarian, professor de Economia do Ibmec Brasília, explica o que muda com as novas regras.

O cheque especial destaca-se não apenas por ser um produto com taxas de juros elevadas, mas também pelo fato de sua oferta ocorrer de forma praticamente automática nos casos de limite de crédito pré-aprovado.

Apesar dos juros altos, fica a dúvida se as pessoas sabem como funciona o cheque especial. O valor do cheque especial muda conforme a avaliação que o banco faz do cliente e, ao contrário do empréstimo pessoal, acaba se tornando caro por conta da instituição financeira ceder esse crédito sem pedir garantia. 

Recentemente, o Banco Central anunciou novas medidas para o cheque especial, que passam a valer a partir do próximo ano. Foi colocado um limite de 8% nos juros cobrados pelos bancos, além da cobrança de tarifa de 0,25% mensal sobre o valor que ultrapassar o limite de R$ 500.

A limitação dos juros entrará em vigor no dia 6 de janeiro de 2020 para as novas contas.

Para os contratos em vigor, a cobrança da tarifa de 0,25% sobre o valor que ultrapassar o limite de R$ 500  só será permitida a partir de 1 º de junho de 2020. Para os novos, passa a valer em 6 de janeiro.

William Baghdassarian, professor de Economia do Ibmec Brasília, explica o que muda com as novas regras do cheque especial.

Como vai funcionar para os clientes dos bancos?

Imagine que você tem um limite de cheque especial de R$ 10.500,00. O limite que passar de R$ 500,00, você pagará uma taxa de 0,25% ao mês. Até R$ 500 não pagará nada de limite.

Se, por acaso, você vier a usar qualquer montante do cheque especial, esse juro que você irá pagar será de 8%, no máximo, ao invés dos juros que são hoje.  As grandes instituições cobram 12%. 

Em termos de juros, a grande mudança é que ao  invés de pagar juros de 12%, vai pagar de 8%. O problema é que quando você coloca essa tarifa de 0,25%, o juro efetivo que você vai pagar não fica tão  claro. 

É possível exemplificar?

Vamos supor que você tem um limite de cheque especial de R$ 10.500. Com a taxa de 0,25% sobre R$ 10.000, você pagará  R$ 25,00. Então, para ter um cheque especial de R$ 10.500, você vai pagar R$ 25.

Bom, se você não utilizar nada, vai pagar os R$ 25. E se você vier a usar o cheque especial, dependendo do que utilizar – vamos supor,  R$ 1.000 – você pagará R$ 80. Se você utilizar R$ 10.000, pagará R$ 800.

Então, não  dá para ter uma noção clara de quanto a  pessoa irá pagar por mês de juros. Vai depender de quanto ela tirou e do impacto da taxa de 0,25%. 

A tarifa de 0,25% é sobre qual valor? 

Vai depender do montante do cheque especial e do que foi utilizado. Ou seja, desse 0,25% e dos 8%. Não dá pra dizer se vai ficar melhor, pode ser que até fique pior, dependendo da circunstância.

A pessoa que usa o cheque especial vai pagar mais. E mesmo quem não usou o cheque especial, vai pagar a tarifa de 0,25%. Então, vai afetar mais pessoas, pois muita gente não usa o cheque especial e vai ter que pagar do mesmo jeito.

Qual avaliação faz dessa medida?

Na minha opinião, é uma medida média. Ela melhora uma situação atual, mas não torna boa. O grande questionamento é que, mesmo com os juros de 8% ao mês, serão 151% ao ano.

Uma informação  importante do estudo do Banco Central – que decidiu essa medida – é que os grandes bancos são insensíveis aos seus riscos de crédito. A intuição que a gente tem é que quanto menos arriscado é o tomador do dinheiro, menor tinha que ser o juro. O estudo do Banco Central mostra que os grandes bancos são insensíveis a isso, então tanto faz se você é um bom pagador ou um mal pagador, a taxa deles é fixa. 

E isso vai contra toda uma argumentação que foi criada, por exemplo, à época da aprovação do Cadastro Positivo. 

O Cadastro Positivo é uma medida em que o cliente autoriza as instituições a terem acesso a seus dados bancários, você abre mão da sua privacidade para garantir que cobrem juros menores de você. 

Ou seja, a medida que esses bancos pediram esse cadastro positivo, o Cadastro Positivo foi aprovado e eles continuam sendo insensíveis a isso.

Resumindo, a minha avaliação é de que melhorou um pouco, mas não consigo dar um grau de melhora, pois não está clara a combinação de tarifa com juro, se vai trazer um juro efetivo menor. Eu não consigo dizer se vai ficar muito melhor ou muito pior, mas continua sendo uma situação muito ruim.

A mudança vai beneficiar clientes de menor poder aquisitivo?

Vai beneficiar um pouco os clientes de menor poder aquisitivo, mas voltamos ao mesmo problema. A gente associa cliente de menor poder aquisitivo ao cheque especial e isso não é necessariamente a verdade. Tem gente que ganha muito bem e utiliza o cheque especial e gente que é pobre e tem as contas organizadas. 

Então, uma pessoa de menor poder aquisitivo e que não usa o cheque especial será prejudicada pois passará a pagar a taxa de 0,25%, Uma pessoa de menor poder aquisitivo, que usa o cheque especial, vai pagar menos juros, mas vai pagar tarifa. Então, não é linear, não dá  para dar uma resposta clara.

Quais são as alternativas que podem substituir o cheque especial?

Com o cheque especial, você está transferindo o sacrifício do presente para o futuro, mas você vai pagar. Uma solução criativa, principalmente para quem tem uma renda anual mais incerta, é nos momentos em que ela tiver uma renda sobrando, criar um fundo e fingir que esse fundo é seu cheque especial.

Gostaria de fazer alguma consideração final?

Se eu tenho um cliente que tem o risco baixo e cobro dele o mesmo de um cliente que tem o risco alto, tem uma coisa errada nessa conta: é questionar o papel da autoridade monetária enquanto promotora da  defesa da concorrência. Na minha opinião, eles poderiam estar fazendo um trabalho mais eficaz.

A Caixa Econômica Federal anunciou, nesta quarta-feira (30), as novas taxas de juros para financiamentos de imóveis com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e saldos devedores atualizados pela Taxa Referencial (TR). Foi a segunda vez, neste mês, que o banco público cortou o  juro do crédito imobiliário.

A partir do dia 6 de novembro, a taxa mínima de financiamento para imóveis residenciais enquadrados nos Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Sistema Financeiro Imobiliário (SFI) será de 6,75% ao ano mais a Taxa Referencial (TR). Já a taxa máxima será de 8,50% mais a TR. As taxas valem para os novos contratos.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a redução de juros permite a ampliação do acesso à moradia por conta da prática de preços mais competitivos. Além disso, o impacto é positivo para setor da construção civil, gerando emprego e renda.

A redução dos juros segue em linha com o que havia anunciado, recentemente, o presidente da Caixa: “se o Banco Central continuar com a redução de taxas de juros, a Caixa seguirá revisando as taxas”. 

Ontem, o Comitê de Política Econômica Monetária (Copom) reduziu a taxa básica de juros da economia para 5% ao ano. O corte de 0,50 ponto percentual da Selic já era esperado pelo mercado. 

Caixa reduz juros para a compra da casa própria

Novas taxas passam a valer a partir da próxima segunda-feira (14). Redução para financiamento imobiliário acompanha recente queda da Taxa Selic anunciada pelo Banco Central

A Caixa Econômica Federal anunciou hoje (8) a redução de até 1 ponto percentual das taxas de juros para os financiamentos da casa própria com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A taxa mínima para imóveis residenciais será de 7,50% ao ano + TR (Taxa Referencial), com taxa máxima de TR + 9,50% ao ano. As taxas passam a valer a partir da próxima segunda-feira (14).


Ao anunciar a nova redução, o presidente do Banco Público, Pedro Guimarães, afirmou que “se o Banco Central continuar com a redução de taxas de juros, a Caixa seguirá revisando as taxas”. 

Em junho, a Caixa anunciou a redução de até 1,25 p.p. nas taxas de juros para operações pelo SBPE, além de alternativas para renegociação de contratos habitacionais para pessoa física. 

Segundo a Caixa,  já foram realizadas mais de 3,5 milhões de simulações no site, 38.665 clientes foram avaliados e quase R$ 2 bilhões em operações em andamento ou contratadas. 

Investir e garantir políticas públicas que promovam a igualdade, como o crédito acessibilidade é função de bancos públicos, como o Banco do Brasil.

Exercitando uma das razões da sua existência – a execução de políticas sociais – o Banco do Brasil comemorou no dia 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, sete anos do Crédito Acessibilidade.

Desde de 2012, quando a linha de financiamento foi criada, já foram investidos mais de meio bilhão de reais no programa. Isso significa que cerca de 73 mil pessoas com deficiência puderam adquirir bens e serviços de tecnologia assistiva para melhorar sua qualidade de vida.

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Banheiro adaptado para as necessidades do usuário

Somente neste ano mais de sete mil operações ocorreram. Isso significa que quase sete mil pessoas puderam adaptar uma realidade não feita para elas para poder viver melhor. Porém, isso ainda é insuficiente. Segundo o Censo de 2010 do IBGE, o último ser realizado no Brasil, 24% da população possui algum grau de deficiência. A mesma pesquisa aponta que se considerarmos apenas deficiências graves, o percentual chega a 6,7% da população brasileira.

O crédito acessibilidade é destinado a clientes do banco, com limite de crédito disponível e renda mensal bruta de até 10 salários mínimos. Os juros ficam entre 5% a 5,5% ao ano – muito menores do que os praticado comercialmente no crédito pessoal, por exemplo.

Isso mostra que o crédito acessibilidade é bom, porém insuficiente para atender a demanda do Brasil. E o que pode modificar essa realidade é o aumento da área social dos bancos públicos – nesse caso, o Banco do Brasil.

Arquitetura e acessibilidade

A arquiteta e urbanista Kaísa Isabel Santos trabalha para a autonomia de pessoas. Segundo ela, o desenho universal e a acessibilidade possibilitam que o maior número de pessoas frequentem e utilizem de forma igualitária espaços públicos, edificações de uso coletivo, e lugares de uso comum nas edificações, tais como corredores, piscina, playground e outras áreas de convívio em condomínios. 

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Uma plataforma elevatória custa aproximadamente R$40 mil

“As pessoas sob tutela da Lei da Inclusão podem e devem ter o direito às próprias adaptações ou reformas das condições de acessibilidade em seus próprios espaços quando estes não atendem as suas necessidades. Por exemplo: para uma residência onde não há espaço para uma rampa com a inclinação adequada, uma plataforma elevatória para este fim custa aproximadamente R$40 mil. Este custo, facilmente ou não, pode ser rateado pelos condôminos de um edifício, porém para uma pessoa é algo a ser levado em conta nas prioridades para a cessão de créditos destinados a este fim porque o acesso, circulação e as transposições são primordiais para ser viver em uma residência”, explica Kaísa.

Outro exemplo: para algumas pessoas, certos tipos de cuidados devem ser levados em conta na reforma de uma residência. A abertura de portas com vão maiores, alarmes em diferentes alturas nos sanitários ou instalação de sensores de aproximação que auxiliam em seu uso são itens primordiais.

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Entender que a normativa serve para desenharmos muitos espaços é importante, mas também precisamos saber que cada residência para uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida pode ter diferentes necessidades ao longo de uma vida. E ela custa. 

Pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que um dos motivos que explica o endividamento de quase 30 milhões de pessoas no Brasil é o cheque especial. oferta abusiva de crédito por parte dos bancos.

Em um cenário de altíssimo desemprego, oferecer um crédito de uso fácil e de tarifas muito altas (os juros são de 320% ao ano) é algo perigoso. A pesquisa mostra que apenas 24% das pessoas que usaram o cheque especial no último ano solicitaram o crédito de forma espontânea.

Outro dado importante é observar que quem mais usa o cheque especial são as classes menos abastadas do país, C, D e E, que correspondem a 48% dos usuários. Mais grave ainda é saber que quase metade dessas pessoas (43%) não sabe o valor dos juros cobrados e mais de um terço (34%) ficou com o ‘nome sujo’ por não honrar com o pagamento.

José Vignoli, que é educador financeiro do SPC Brasil, diz que é um erro incorporar o limite do cheque especial como parte da renda. “Essa ilusão pode levar o consumidor a gastar mais do que o orçamento e ver sua dívida se transformar em uma bola de neve muito difícil de ser paga”.

Veja a pesquisa completa aqui.






Os juros do cheque especial estão no maior nível desde que a série histórica começou a ser calculada pelo Banco Central, há 25 anos.

O cheque especial gera uma dívida difícil de carregar.

322,23% ao ano, quase 1% ao dia! Usar o limite do banco, prática corriqueira para pessoas endividadas, é a maior cilada que qualquer um pode cair na atualidade. Mesmo com a taxa básica de juros baixíssima – 6,5% ao ano – os juros do cheque especial subiram.

O cheque especial é um crédito automático na conta de clientes que não tenham fundos, mas precisam efetuar pagamentos ou transferências. Ele é acordado no momento da abertura da conta corrente ou a qualquer momento quando a pessoa já é correntista.

Cheque especial em alta é sintoma des escolha política sobre Bancos Públicos

Desde que os maiores Bancos Públicos do país, Caixa e Banco do Brasil, começaram a subir suas taxas de juros em financiamentos e empréstimos de todos os tipos, as instituições privadas se seguiram confortáveis para também fazê-lo.

Taxas mais baixas em empréstimos nos Bancos Públicos ajudam a regular os preços do setor bancário como um todo, já que o número de concorrentes nesse mercado é baixo. Os cinco maiores bancos do Brasil concentram 80% dos depósitos e empréstimos feitos no país, algo que eleva os preços repassados aos clientes das instituições.

Mesmo sendo um dos mais caros tipos de empréstimos disponíveis nos bancos, estudo aponta que até 10% do lucro líquido gerado pelo crédito no sistema bancário, provém do cheque especial.

A recessão também tem sua parte nesse problemão

Crédito caro inibe investimentos. Essa cantilena já foi repetida mil vezes por economistas e meios de comunicação, porém sempre aplicadas a grandes empresas. E a pessoa física, endividada e com dificuldades para se manter com um baixo salário?

Essa é uma questão relevante. Sem acesso à tarifas mais baixas, as pessoas acabam contraindo ainda mais dívidas e ‘se afundando’ em empréstimos bancários. Isso faz com que consuma menos e siga aprofundando o cenário de crise e possível recessão.

Atualiza Aí


Mercado segue desaminado com a economia brasileira

Relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira (17), mostra que a previsão do mercado sobre a expansão do Produto Interno Bruto (PIB) caiu para 2,23%.

Receita paga hoje (17) restituição do lote residual do Imposto de Renda

Crédito bancário será feito para 116.188 contribuintes, somando mais de R$ 297 milhões. Os valores são referentes aos exercícios de 2008 a 2019.

Peça de autor inglês tem temporada prorrogada no CCBB – RJ

A temporadal de “Billdog 2” na capital fluminese foi prorrogada até 1º de março, com apresentações de quarta a domingo, às 19h30.

Multimídia


Entidades se reúnem em defesa do estatuto da Funcef

Entidades entregaram ao Conselho Deliberativo da Funcef uma petição com 21,7 mil assinaturas de aposentados de todo o País.

Sérgio Mendonça: o papel dos Bancos Públicos na economia

Economista Sérgio Mendonça participou do programa Crivelli Convida com o advogado Ericson Crivelli.