Caixa reduz juros para a compra da casa própria

Novas taxas passam a valer a partir da próxima segunda-feira (14). Redução para financiamento imobiliário acompanha recente queda da Taxa Selic anunciada pelo Banco Central

A Caixa Econômica Federal anunciou hoje (8) a redução de até 1 ponto percentual das taxas de juros para os financiamentos da casa própria com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). A taxa mínima para imóveis residenciais será de 7,50% ao ano + TR (Taxa Referencial), com taxa máxima de TR + 9,50% ao ano. As taxas passam a valer a partir da próxima segunda-feira (14).


Ao anunciar a nova redução, o presidente do Banco Público, Pedro Guimarães, afirmou que “se o Banco Central continuar com a redução de taxas de juros, a Caixa seguirá revisando as taxas”. 

Em junho, a Caixa anunciou a redução de até 1,25 p.p. nas taxas de juros para operações pelo SBPE, além de alternativas para renegociação de contratos habitacionais para pessoa física. 

Segundo a Caixa,  já foram realizadas mais de 3,5 milhões de simulações no site, 38.665 clientes foram avaliados e quase R$ 2 bilhões em operações em andamento ou contratadas. 

Investir e garantir políticas públicas que promovam a igualdade, como o crédito acessibilidade é função de bancos públicos, como o Banco do Brasil.

Exercitando uma das razões da sua existência – a execução de políticas sociais – o Banco do Brasil comemorou no dia 21 de setembro, Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência, sete anos do Crédito Acessibilidade.

Desde de 2012, quando a linha de financiamento foi criada, já foram investidos mais de meio bilhão de reais no programa. Isso significa que cerca de 73 mil pessoas com deficiência puderam adquirir bens e serviços de tecnologia assistiva para melhorar sua qualidade de vida.

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Banheiro adaptado para as necessidades do usuário

Somente neste ano mais de sete mil operações ocorreram. Isso significa que quase sete mil pessoas puderam adaptar uma realidade não feita para elas para poder viver melhor. Porém, isso ainda é insuficiente. Segundo o Censo de 2010 do IBGE, o último ser realizado no Brasil, 24% da população possui algum grau de deficiência. A mesma pesquisa aponta que se considerarmos apenas deficiências graves, o percentual chega a 6,7% da população brasileira.

O crédito acessibilidade é destinado a clientes do banco, com limite de crédito disponível e renda mensal bruta de até 10 salários mínimos. Os juros ficam entre 5% a 5,5% ao ano – muito menores do que os praticado comercialmente no crédito pessoal, por exemplo.

Isso mostra que o crédito acessibilidade é bom, porém insuficiente para atender a demanda do Brasil. E o que pode modificar essa realidade é o aumento da área social dos bancos públicos – nesse caso, o Banco do Brasil.

Arquitetura e acessibilidade

A arquiteta e urbanista Kaísa Isabel Santos trabalha para a autonomia de pessoas. Segundo ela, o desenho universal e a acessibilidade possibilitam que o maior número de pessoas frequentem e utilizem de forma igualitária espaços públicos, edificações de uso coletivo, e lugares de uso comum nas edificações, tais como corredores, piscina, playground e outras áreas de convívio em condomínios. 

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Uma plataforma elevatória custa aproximadamente R$40 mil

“As pessoas sob tutela da Lei da Inclusão podem e devem ter o direito às próprias adaptações ou reformas das condições de acessibilidade em seus próprios espaços quando estes não atendem as suas necessidades. Por exemplo: para uma residência onde não há espaço para uma rampa com a inclinação adequada, uma plataforma elevatória para este fim custa aproximadamente R$40 mil. Este custo, facilmente ou não, pode ser rateado pelos condôminos de um edifício, porém para uma pessoa é algo a ser levado em conta nas prioridades para a cessão de créditos destinados a este fim porque o acesso, circulação e as transposições são primordiais para ser viver em uma residência”, explica Kaísa.

Outro exemplo: para algumas pessoas, certos tipos de cuidados devem ser levados em conta na reforma de uma residência. A abertura de portas com vão maiores, alarmes em diferentes alturas nos sanitários ou instalação de sensores de aproximação que auxiliam em seu uso são itens primordiais.

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Entender que a normativa serve para desenharmos muitos espaços é importante, mas também precisamos saber que cada residência para uma pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida pode ter diferentes necessidades ao longo de uma vida. E ela custa. 

Pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) mostra que um dos motivos que explica o endividamento de quase 30 milhões de pessoas no Brasil é o cheque especial. oferta abusiva de crédito por parte dos bancos.

Em um cenário de altíssimo desemprego, oferecer um crédito de uso fácil e de tarifas muito altas (os juros são de 320% ao ano) é algo perigoso. A pesquisa mostra que apenas 24% das pessoas que usaram o cheque especial no último ano solicitaram o crédito de forma espontânea.

Outro dado importante é observar que quem mais usa o cheque especial são as classes menos abastadas do país, C, D e E, que correspondem a 48% dos usuários. Mais grave ainda é saber que quase metade dessas pessoas (43%) não sabe o valor dos juros cobrados e mais de um terço (34%) ficou com o ‘nome sujo’ por não honrar com o pagamento.

José Vignoli, que é educador financeiro do SPC Brasil, diz que é um erro incorporar o limite do cheque especial como parte da renda. “Essa ilusão pode levar o consumidor a gastar mais do que o orçamento e ver sua dívida se transformar em uma bola de neve muito difícil de ser paga”.

Veja a pesquisa completa aqui.






Os juros do cheque especial estão no maior nível desde que a série histórica começou a ser calculada pelo Banco Central, há 25 anos.

O cheque especial gera uma dívida difícil de carregar.

322,23% ao ano, quase 1% ao dia! Usar o limite do banco, prática corriqueira para pessoas endividadas, é a maior cilada que qualquer um pode cair na atualidade. Mesmo com a taxa básica de juros baixíssima – 6,5% ao ano – os juros do cheque especial subiram.

O cheque especial é um crédito automático na conta de clientes que não tenham fundos, mas precisam efetuar pagamentos ou transferências. Ele é acordado no momento da abertura da conta corrente ou a qualquer momento quando a pessoa já é correntista.

Cheque especial em alta é sintoma des escolha política sobre Bancos Públicos

Desde que os maiores Bancos Públicos do país, Caixa e Banco do Brasil, começaram a subir suas taxas de juros em financiamentos e empréstimos de todos os tipos, as instituições privadas se seguiram confortáveis para também fazê-lo.

Taxas mais baixas em empréstimos nos Bancos Públicos ajudam a regular os preços do setor bancário como um todo, já que o número de concorrentes nesse mercado é baixo. Os cinco maiores bancos do Brasil concentram 80% dos depósitos e empréstimos feitos no país, algo que eleva os preços repassados aos clientes das instituições.

Mesmo sendo um dos mais caros tipos de empréstimos disponíveis nos bancos, estudo aponta que até 10% do lucro líquido gerado pelo crédito no sistema bancário, provém do cheque especial.

A recessão também tem sua parte nesse problemão

Crédito caro inibe investimentos. Essa cantilena já foi repetida mil vezes por economistas e meios de comunicação, porém sempre aplicadas a grandes empresas. E a pessoa física, endividada e com dificuldades para se manter com um baixo salário?

Essa é uma questão relevante. Sem acesso à tarifas mais baixas, as pessoas acabam contraindo ainda mais dívidas e ‘se afundando’ em empréstimos bancários. Isso faz com que consuma menos e siga aprofundando o cenário de crise e possível recessão.

A Caixa Econômica deve anunciar nas próximas semanas, após autorização do Banco Central, uma redução de juros para financiamentos imobiliários. Isso será possível com a mudança do índice que corrige os contratos de financiamento habitacional. Hoje, é usada a TR (Taxa Referencial); seria adotado então a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo).

Clientes da Caixa com boa avaliação de crédito pagarão juros menores. Caso aprovada pelo Bacen, a nova regra só valerá para novos contratos. Com juros mais baixos, o banco pretende estimular novos empréstimos e emitir títulos imobiliários no mercado com a receita desses pagamentos; uma ação semelhante à que causou o estouro da bolha imobiliária em 2008, nos Estados Unidos.

Essa medida é mais uma tentativa da equipe econômica de Bolsonaro de melhorar os resultados pouco expressivos que a economia do País tem apresentado.

Para o economista Sergio Mendonça, a mudança pode aumentar os índices de inadimplência. “Resta saber se, na prática, a Caixa de fato cobrará juros de 2 ou 3%. Muitas vezes o discurso é maravilhoso, mas a realidade é outra. E existirá um risco de que a inflação suba no futuro e a taxa variável suba junto com uma inflação mais alta. Aí o risco de inadimplência aumentará, pois os tomadores de empréstimos terão maior dificuldade de saldar esses empréstimos”, explica.

O lucro líquido dos cinco maiores bancos brasileiros atingiu incríveis R$ 86 bilhões em 2018. Enquanto isso, a população do país vive os efeitos do desemprego, da diminuição do PIB per capita e tem dificuldades para acessar crédito.

Os cinco maiores bancos do país em volume de ativosItaú, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal – lucraram R$86 bilhões somente em 2018, cerca de 16% a mais do que no ano anterior. O total de ativos das cinco maiores instituições bancárias é, atualmente, de R$ 6,4 trilhões.

Alto lucro e rentabilidade elevada

Os principais motivos do resultado positivo foram a queda das despesas de captação de crédito, impulsionadas pela queda da taxa Selic; a diminuição das provisões de eventuais perdas dos empréstimos, a elevação das receitas com tarifas e serviços; cortes de pessoal; controle das despesas administrativas e redução de impostos. 

Isoladamente, cada um desses fatores é importante. Porém, quando aplicados coletivamente, geram um descolamento da realidade econômica que afeta a população brasileira, mesmo fazendo parte dessa realidade. 

Reforma Trabalhista, privatização de áreas estratégicas de bancos públicos, abandono de políticas econômicas anticíclicas e restrição de crédito para as famílias e para o setor produtivo são, paradoxalmente, motores do aumento de lucros, principalmente para os bancos privados. Mas tem impacto implacável quando falamos em geração de empregos e renda para brasileiras e brasileiros. 

E o futuro, a quem pertence?

O relatório sobre o Desempenho dos Bancos em 2018, elaborado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), aponta um rumo bastante claro: uma forte reestruturação do setor bancário apontando para estruturas virtuais de atendimento.

Isso significa que a cada momento mais usuários serão atendidos por meio de seus smartphones e que agências bancárias e postos de trabalho estão em risco. Além disso, o que se desenha para o futuro é uma limitação na concessão de crédito para pessoas físicas, sobretudo nos empréstimos fora do modelo consignado ou no financiamento de imóveis. Ambos com um risco menor de inadimplência.  

Empregos e empregados

Bradesco, Itaú e Caixa, juntos, fecharam 212 agências bancárias durante o ano 2018. Já Banco do Brasil e o Santander abriram 76 e 28 no ano, respectivamente, totalizando 104 novas agências. O saldo segue negativo, principalmente quando se fala de postos de trabalho.

Entre programas de demissão voluntária (PDV) e desligamentos, foram fechados 3.305 postos de trabalho. Somente entre Caixa e Banco do Brasil foram quase cinco mil empregados, o que afeta diretamente a qualidade do serviço e a quantidade de trabalho para cada funcionário.

Sinais, fortes sinais

Aliados a esses fatores conjunturais de 2018, deve-se considerar questões estruturais do sistema financeiro no Brasil. Os cinco maiores bancos do país aumentam a concentração bancária reduzem a concorrência. Isso encarece os serviços e permite que os bancos mantenham altos spreads (margens) e altas taxas de juros.

A redução gradual e sistemática do tamanho dos Bancos Públicos e o esvaziamento de seu papel social são uma clara sinalização do atual governo. A privatização de tais instituições, em parte ou totalmente, deve conduzir a maior concentração bancária, a restrição na oferta de crédito, dificultando a recuperação da economia e a melhoria de vida da população. Aparentemente, este é o caminho que o Governo Bolsonaro resolveu seguir.





O sobe e desce do dólar – ou melhor, o câmbio – é um dos preços básicos mais importantes da economia.

Nota de um dólar.

Pode-se afirmar que o preço do dólar sobe e desce na economia de acordo com a quantidade da moeda em circulação no país. Porém, existem muitas variáveis que influenciam diretamente esse resultado, e compreendê-las é saber o que está em jogo.

Câmbio no Brasil

O câmbio – ou mais precisamente, as taxas de câmbio – é o valor de uma moeda em relação à outra. Isso garante que exista uma medida de comparação entre elas. Por exemplo, um real vale 4 pesos argentinos* se pensarmos na moeda, e vale 0,25% de 1 dólar se pensarmos na moeda americana.

O Banco Central de cada país determina o regime cambial vigente. No Brasil, desde 1999 existe o câmbio flutuante, o que significa que as variações no preço do dólar acontecem principalmente pela lei da oferta e da procura. Porém, o Banco Central do Brasil costuma vender ou comprar dólares para evitar quedas e subidas muito bruscas, que são danosas à economia.

O dólar sobe…


Vários são os fatores que diminuem o número de dólares em circulação na nossa economia:

  • A incerteza em relação à política econômica adotada pelo governo diminui os investimentos estrangeiros;
  • Quando o Brasil vende um valor mais baixo do que importa, ficamos com uma quantidade menor de dólares no país;
  • O baixo crescimento econômico, ou até mesmo apenas sua projeção, faz com que a produção diminua, assim como o comércio internacional;
  • Os gastos de brasileiros em turismo no exterior fazem com que haja menos dólares em circulação no Brasil, aumentando seu preço;
  • E, finalmente, o crescimento das taxas de juros em países desenvolvidos, sobretudo nos EUA;

…e dólar desce!

  • Taxas de juros atrativas, altas, para especuladores no Brasil;
  • Superávit da balança comercial, ou seja, a venda de produtos brasileiros em valor superior do que a compra de produtos estrangeiros;
  • Atração de turistas estrangeiros para o Brasil e o gasto que eles fazem no país;
  • Alto crescimento econômico com campo para novas empresas ou aumento de produção e mercado consumidor;
  • Quando não há crescimento robusto nos países desenvolvidos de economia mais estável, sobretudo nos EUA;

O sobe e desce do dólar e a economia real

O câmbio está intimamente relacionado à inflação, e  o Brasil, como quase qualquer país do mundo, importa muitos itens. Com a alta do dólar há um aumento generalizado de preços, pois mesmo os produtos nacionais muitas vezes têm componentes e peças importadas. Compras internacionais com cartões de crédito e viagens ao estrangeiro tem seu custo drasticamente aumentado.

Para produtores  que mantêm comércio exterior, a alta do dólar pode ser vantajosa, principalmente pela competitividade de produtos com preço baixo. De qualquer forma, o panorama da economia não é dos mais animadores com a alta do dólar.

*Valores hipotéticos


O governo federal encaminhou uma proposta de ampliar a autonomia/independência do Banco Central do Brasil (BCB). Trata-se de um projeto de lei complementar que dispõe sobre autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira do Banco Central e altera artigos da Lei 4595/64 (Reforma Bancária). Também estipula mandatos para os futuros dirigentes do Banco.

É um assunto de enorme interesse para a população brasileira, embora não seja tratado assim nos meios de comunicação de massa.

O Banco Central é um dos órgãos mais importantes de qualquer Estado Nacional no mundo. Não é exagero afirmar que o banco central dos EUA, o Federal Reserve (FED), é a instituição econômica mais poderosa do mundo!

A principal atribuição dos bancos centrais é manejar a política monetária, através da taxa básica de juros (custo do dinheiro) e da quantidade de moeda (liquidez).

Além disso, o BCB tem outras atribuições: regular o sistema financeiro (solidez dos bancos e instituições financeiras), garantir a quantidade adequada de dinheiro em circulação para a população (meio circulante), guardar as reservas internacionais do país. O Banco Central é, também, o banco dos bancos (!), assegurando a fluidez do sistema financeiro e o fechamento diário das contas para que elas não fechem o dia no negativo.

Missão do Banco Central

A principal missão do Banco Central é assegurar a estabilidade de preços, ou seja, manter a inflação sob controle, dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional – CMN. Para isso utiliza-se do principal instrumento que dispõe, que é o manejo da taxa básica de juros (Selic). Ao tornar o dinheiro mais caro ou mais barato, subindo ou baixando a taxa básica de juros, o Banco Central visa assegurar que, através dos efeitos da política monetária sobre a atividade econômica (crescimento/expansão ou recessão/contração), a taxa de inflação fique bem comportada.

Bem ou mal sucedido na sua principal atribuição, o BCB influencia a vida de toda a população, uma vez que somos todos afetados pela inflação, através da perda do poder aquisitivo da moeda. Poder aquisitivo do qual todos dependem, especialmente as pessoas e famílias de baixa renda.

Exatamente por dispor de todo esse poder, o Banco Central deve estar subordinado ao poder da soberania popular, ou seja, ao voto. Por isso, o presidente do BCB é indicado pelo Presidente da República e aprovado pelo Senado, os dois poderes eleitos pela população.

Banco Central na nossa história

Nos últimos 25 anos (do Plano Real até hoje), o BCB atuou com bastante autonomia. Seus presidentes foram indicados pelos Presidentes da República e os nomes seguiram para aprovação do Senado Federal. No entanto, não tiveram mandato fixo e podiam ser demitidos a qualquer momento pelo PR.

Nesse período o BCB teve 8 presidentes. Nesse mesmo período o Brasil teve 5 presidentes da República (sem contar o atual Presidente). Dá para ver como os presidentes do BCB tiveram vida longa no cargo.

O projeto encaminhado pelo governo Bolsonaro

O projeto encaminhado pelo atual governo fixa um mandato de 4 anos para o presidente e para os diretores do Banco Central (8 diretores), permitindo uma recondução pelo mesmo período. Além disso, torna os mandatos dos presidentes (da República e do BCB) não coincidentes, ou seja, o recém eleito presidente da República pode ter de trabalhar, nos seus primeiros dois anos de mandato, com um presidente do Banco Central que não foi indicado por ele. E, se quiser indicar um novo presidente, só o fará no meio do seu mandato.

Segundo o projeto encaminhado, a demissão do presidente do BCB poderá ocorrer a pedido, por doença, por improbidade administrativa ou por insuficiência de desempenho em relação aos objetivos do BCB (estabilidade de preços e solidez do sistema financeiro). Nesse último caso (insuficiência de desempenho), a exoneração pelo PR só ocorrerá se autorizada por maioria absoluta do Senado Federal (41 senadores). Isso mesmo, quem poderá demitir o presidente será o Senado, mesmo que o recém eleito PR queira indicar um novo presidente do BCB!

Em nome de uma suposta isenção, neutralidade e conhecimento técnico dos dirigentes do Banco Central, a proposta limita a soberania popular, impedindo que o PR eleito demita o presidente e a diretoria do BC. Contudo, cabe a pergunta: o BC é um órgão puramente técnico, que não sofre influência externa dos diversos atores econômicos, especialmente dos bancos e instituições do sistema financeiro? A resposta é obvia. Sim. Sofre forte influência desses atores que já são muito poderosos no dia a dia da economia.

Concentração bancária no Brasil

Um dos indicadores dessa influência é a expressiva concentração bancária no Brasil. Os 5 maiores bancos detém 81,3 dos ativos totais, 84,4% dos depósitos totais e 83,5% das operações de crédito do segmento bancário no Brasil[1]. Segundo esse mesmo relatório do BCB, a concentração bancária, medida por ativos totais, é a segunda maior numa amostra de 20 países (14 desenvolvidos e 6 emergentes). Não é por acaso que vários presidentes do BCB são oriundos das instituições privadas do sistema financeiro. O penúltimo presidente do BCB veio do Banco Itaú. O atual presidente teve uma longa carreira no Banco Santander.

Assim, dar mais poder aos dirigentes do Banco Central, em nome de uma suposta neutralidade técnica, acima dos legítimos interesses da maioria da população, estipulando mandatos não coincidentes com o mandato do PR, impedindo sua demissão pelo PR (só poderá ser demitido por maioria do Senado), é praticamente conceder um cheque em branco para uma tecnocracia não submetida ao voto popular, na condução de políticas públicas de enorme impacto sobre a população. E, mais ainda, submetida aos interesses do sistema financeiro, setor do qual, aí sim, o BC deveria atuar de forma autônoma e independente!

Exatamente porque a atuação do Banco Central afeta inflação, nível de atividade, emprego, renda e desemprego, é que sua diretoria tem que responder aos interesses da população através do poder executivo e do poder legislativo, sendo demissível a qualquer momento pelo PR. Não cabe nem independência, nem autonomia da vontade popular.


[1]Relatório de Economia Bancária do BCB – 2017

Juro é o preço do dinheiro. Como assim?
Jack pegou um empréstimo de R$500 e dividiu o pagamento em 5 vezes.
Porém cada parcela custou R$110. Logo, Jack pagou o total de R$550. Esses R$50 a mais no preço final foi o juro, isto é, foi o preço que custou esse dinheiro emprestado.

É assim, chamamos de juros a diferença, em dinheiro, do valor que alguém pega emprestado e o valor que ele paga pelo empréstimo. Ele também é aplicado em outros tipos de transações, como compras parceladas, por exemplo. #RecontaAí

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