Na tarde deste sábado (03), bancários e lideranças políticas se reuniram para discutir as ferramentas de defesa da soberania nacional. O encontro faz parte da 21º Conferência Nacional dos Bancários, que acontece neste fim de semana em São Paulo.

O caminho do dinheiro


Os convidados para o debate foram o professor e economista Ladislau Dowbor, autor de mais de 40 livros; João Pedro Stédile, coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Jaques Wagner, senador pelo PT-BA.


Ladislau falou da desigualdade perpetuada pelo atual sistema econômico”. “Hoje, seis famílias têm mais dinheiro do que as 140 milhões de pessoas mais pobres do Brasil”, explicou.


O professor também explicou as novas formas de circulação de capital com a “globalização do dinheiro”, e como isso reforça a concentração de dinheiro e poder. “Segundo o Instituto Federal de Tecnologia da Suíça, com sede em Zurique , 737 corporações controlam 80% da economia mundial”.

Para ele, se tornou impossível controlar e entender o caminho do dinheiro, e isso é fundamental para a vida dos cidadãos. “O controle do dinheiro é fundamental para a lógica de seu uso. O crescimento do PIB mundial é de 2% ao ano. As aplicações financeiras internacionais rendem de 7% a 9% ano. Os grandes grupos financeiros colocam dinheiro nisso, não há controle”, explica.

População precisa defender soberania nacional


Para o líder do MST, a população não entende ainda o significado da expressão “soberania nacional” e, portanto, não consegue defendê-la. “Todos sabemos o significado da expressão, mas se confunde com um certo nacionalismo. A soberania nacional é o direito que o povo tem de ter autonomia sobre sua economia, suas riquezas, seus produtos, seus bancos, seus recursos. Portanto, diz respeito ao futuro do povo, em qualquer país”.

João Pedro Stédile


Stédile criticou fortemente o que chamou de “sanha privatista” do governo Bolsonaro, que remete aos anos de Collor e FHC, e garantiu que esta vai se manter. “Bolsonaro tomou com voracidade essa sanha de desnacionalização, de se apropriar dos bancos públicos, da Caixa, do Banco do Brasil, do Banco do Nordeste e dos outros grandes empreendimentos nacionais, como Correios, como a Embrapa, e isso vai continuar com a Petrobras, com a Eletrobras…”, disse.

Há esperança


Por fim, Jaques Wagner relembrou que a mobilização popular obteve vitórias importantes, ao menos, no que diz respeito à Reforma da Previdência. “Apesar de aprovada em primeiro turno na Câmara, o povo teve ganhos: a questão do BPC, a questão da capitalização… O texto que foi aprovado é menos draconiano do que o original. Não é motivo de comemoração, mas de animação pelo que foi conquistado”, disse.


Ele ainda chamou atenção para as novas tecnologias, que exigem novas formas de organização para se opor a medidas do governo, e daquilo que vem sendo chamado de “necromercado“, que destrói os direitos trabalhistas e promove uma desumanização do trabalhador. “Cinco milhões de brasileiros trabalhando no Uber ou no iFood, não existe relação trabalhista, é a escravidão moderna. Essa é a economia moderna, que não quer nem saber quem é o operário”.

Conferência Nacional dos Bancários reúne Ladislau Dowbor, Jaques Wagner e João Pedro Stédile para discutir a necessidade de defesa da soberania nacional
Jaques Wagner

Por fim, Wagner explicou que Bolsonaro cria polêmicas para desviar atenção das ações de desmonte que seu governo vem promovendo. “Paulo Guedes rouba o que temos de patrimônio e de oportunidade de futuro, enquanto o presidente diverte o mundo. Tem a função de criar temas pra seguir destruindo a nação”.

A Conferência discute, ainda hoje, o tema da Previdência Social e continua na manhã deste domingo para discutir o futuro das formas e relações de trabalho.

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