Desde 2018 existe o Índice de Sigilo Financeiro. Ele serve para medir quanto dinheiro circula no mundo ‘por debaixo dos panos’.

O Sigilo Financeiro esconde parte de todo o dinheiro que circula pelo mundo.
Parte do dinheiro que circula pelo mundo é visível, parte dele não.

Os números assustam por sua magnitude: de US$ 21 a 32 trilhões estão nos chamados ‘paraísos fiscais’. Esse dinheiro não é tributado, ou é pouquíssimo tributado e está depositado em condição de sigilo.

O sigilo financeiro que essas localidades oferecem atraem clientes que não podem comprovar a origem do seu dinheiro. Ou seja, parte do dinheiro que está nos paraísos fiscais tem origens ilegais ou abusivas.

Tráfico de drogas, armas, pessoas, diamantes, corrupção, entre outras atividades ilícitas são parte desses trilhões de dólares escondidos pelo mundo. Segundo dados da Tax Justice Network, a soma dos fluxos financeiros transnacionais atinge até 1,6 trilhões de dólares por ano.

A Tax Justice Network é uma rede internacional independente, que pesquisa, analisa e advoca sobre regulamentação tributária. Sua atuação é global e seus trabalhos refletem a situação tributária do mundo hoje.

O Sigilo Financeiro tira dinheiro da economia

O dinheiro sujo sai da economia real e vai para os paraísos fiscais. Isso tem implicações concretas nos países de onde sai o dinheiro, tais como alterações cambiais e inflação.

Além disso, desde os anos 1980, quando houve uma globalização da economia, criou-se uma indústria para lidar com o sigilo financeiro. Nessa indústria, grandes bancos, grandes escritórios de advocacia e empresas de contabilidade se uniram para criar estruturas para os clientes que querem fugir dos impostos.

O ambiente de sigilo promove um ambiente permissivo para uma série de condutas ilícitas. Sonegação de impostos, fraudes, peculatos e lavagem de dinheiro são alguns deles.

Quais são os paraísos ficais?

Pode causar certo estranhamento, mas ideia de uma ilha tropical com coqueiros onde tudo é permitido é falsa. Como a lista a seguir mostra, países desenvolvidos tem mecanismos que escondem o dinheiro das fraudes. Confira a lista, elencada pelo rigor do sigilo de cada país:

  1. Suíça
  2. EUA
  3. Ilhas Cayman
  4. Hong Kong
  5. Singapura
  6. Luxemburgo
  7. Alemanha
  8. Taiwan
  9. Emirados Árabes Unidos (Dubai)
  10. Guernsey
  11. Líbano
  12. Panamá
  13. Japão
  14. Holanda
  15. Tailândia

Isso mostra que os países mais ricos lucram duas vezes com o sistema financeiro: quando financiam atividades ilícitas pelo mundo e quando as rentabilizam por meio do seu sistema financeiro.

A ‘Japonização’ da economia refere-se ao 失われた20年, Ushinawareta Nijūnen. Não entendeu? A gente reconta!

A Japonização da economia tem a ver principalmente com o monstro da deflação.
Como uma crise econômica, o Godzilla destró setores produtivos inteiros de um país.

O Japão, assim como o Brasil e outros países, viveu um verdadeiro Milagre Econômico. Só que, por lá, esse milagre começou por volta da década de 1950 e acabou na década de 1990.

A partir daí, teve início o que foi chamado Ushinawareta Nijūnen no Japão, período que, no resto do mundo, ficou conhecido como as décadas perdidas. Ele começou por volta de 1980, quando os bancos japoneses expandiram suas linhas de crédito e o valor dos financiamentos. O problema é que eles não se preocuparam o suficiente com a capacidade de pagamento dos tomadores de empréstimo.

Aí o Godzilla apareceu…

Na verdade, não. Mas na década de 1980, o grande nível de créditos fez com que a inflação crescesse e, para diminuí-la, o Banco do Japão aumentou muito a taxa dos empréstimos intrabancos. Isso ocasionou a quebra do mercado japonês, ou a explosão da bolha.

A partir daí, o governo japonês teve que socorrer bancos, seguradoras e seu sistema financeiro como um todo. A forma com que isso ocorreu levou ao período das décadas perdidas cujo início foi 1990.

O Japão não se desindustrializou durante as décadas perdidas, mas perdeu espaço para os produtos dos Tigres Asiáticos, principalmente para a Coréia do Sul.

Os efeitos foram a deflação, ou seja, os preços ao consumidor caíam ano após ano; estagnação do crescimento do Produto Interno Bruto, o PIB; os salários sem aumento real ao longo do tempo; queda do PIB per capita, ou por pessoa, indicando empobrecimento da população e diminuição da sua economia perante o mundo.

A ‘Japonização’ significa, em termos econômicos que existe um risco de o mundo crescer muito pouco.

Porém, apesar do Japão crescer pouco há muito tempo, desde a década de 1990, a taxa de desemprego é bem baixa.

Além disso, a economia japonesa é a terceira maior do mundo (só recentemente foi ultrapassada pela economia chinesa). E mantém um dinamismo tecnológico invejável.

Japonização europeia?

A diminuição do ritmo de crescimento das economias emergentes e também das economias centrais de Estados Unidos e China mostram que o mundo todo pode sofrer com a crise.

E assim como com o Godzilla, a conversa e os acordos são fundamentais para sair das crises econômicas.

Só resta esperar que o monstro da estagnação do crescimento não piore o cenário mundial da economia.

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