Empregados e entidades defensoras protestaram contra as medidas de fatiamento e o processo de reestruturação do Banco Público durante o Dia Nacional de Luta

luta

O Dia Nacional de Luta em defesa da Caixa 100% pública marcou esta quinta-feira (13) em todo o Brasil. Empregados e entidades defensoras protestaram contra as medidas de fatiamento e o processo de reestruturação do Banco que vai retirar direitos dos trabalhadores.

Durante o Ato, em Brasília, o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Jair Pedro Ferreira, lembrou a importância do Banco para o País. “É uma empresa responsável por milhões e milhões de investimentos e pagamentos de benefícios para milhares de brasileiros, mas que está sendo desmontada”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro vem negando uma possível privatização da Caixa. Mas a realidade é que o governo está fatiando o Banco Público e privatizando algumas operações. A Caixa já bateu o martelo para a privatização da Lotex, Caixa Seguridade, Caixa Cartões e também está organizando uma reestruturação na área de microcrédito do Banco Público.

O vice-presidente da Fenae, Sérgio Takemoto, lembrou que esse processo de desmonte está acabando com o papel social da Caixa. “Esse governo está vendendo as partes mais lucrativas do Banco, as partes que o sistema financeiro internacional deseja. O governo está comprometido com os interesses financeiros, mas nós vamos defender a Caixa até o fim”, afirmou Takemoto.

Reestruturação da Caixa

Junto ao desmonte da instituição, a Caixa está promovendo uma reestruturação que irá prejudicar os empregados. A proposta da Caixa é revalidar a função dos empregados, colocando sob ameaça os trabalhadores, tanto de descomissionamento sumário quanto de transferência arbitrária.

Durante a manifestação, a diretora da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Fabiana Uehara, lembrou como foi difícil a negociação com a direção da Caixa, nesta quarta-feira (12). “Nós fomos intransigentes sim e defendemos todos os direitos dos empregados da Caixa. Temos que lutar para defender a nossa empresa e com isso garantimos os nossos direitos”, destacou.

Takemoto aproveitou o ato para convidar todos os empregados da Caixa para participarem dessa luta contra o desmonte da instituição. “Essa reestruturação, na verdade, não é uma reestruturação. É uma destruição da nossa empresa e a destruição dos valores que a Caixa tem como principal, que é atender a população mais pobre desse País”, finalizou.

Japonesa Tokio Marine e brasileira Icatu serão sócias da Caixa Seguridade nas áreas de habitação e capitalização, respectivamente

Caixa Seguridade
Imagem: Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro vem negando uma possível privatização da Caixa. Mas a realidade é que o governo está fatiando o Banco Público e privatizando algumas operações. É o caso da Caixa Seguridade, braço de seguros e previdência da instituição, que terá como sócias a japonesa Tokio Marine e a brasileira Icatu Seguros nas áreas de habitação e capitalização, respectivamente.

A representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, explica que a Caixa Seguridade é a quarta maior empresa de seguros do Brasil. “É uma empresa em expansão e que já está na linha de frente do mercado. Portanto, não existe nenhuma justificativa, do ponto de vista da visão pública, para justificar ou autorizar essa privatização”, explica.

A parceria com a Tokio Marine foi anunciada no início de janeiro para vender seguro habitacional e residencial pelo prazo de 20 anos. A Caixa Seguridade terá 75% de participação na sociedade, enquanto a Tokio Marine deterá os demais 25%. A gestão e a governança serão compartilhadas entre as duas empresas.

Já o acordo com a Icatu Seguros foi anunciado pelo governo nesta segunda-feira (20). Assim como a Tokio, a Icatu ficará com 25% de participação na sociedade, deixando os 75% para a Caixa Seguridade. Pelos termos do acordo, a empresa poderá oferecer produtos de capitalização no balcão da Caixa Econômica.

Rita Serrano entende que essas sociedades irão causar vários problemas para a instituição. “Um deles é a sustentabilidade do Banco em um médio prazo. Quando você tem acionistas privados, o único interesse deles é o lucro. Mas o interesse da empresa pública tem que ser o investimento no País”, alerta.

Oferta Pública Inicial de Ações (IPO)

Caixa Seguridade
Imagem: Divulgação

A Caixa prepara para abril a abertura de capital da Caixa Seguridade e a expectativa é de que a empresa chegue valendo entre R$ 50 bilhões e R$ 60 bilhões. Esse será o primeiro IPO da história da instituição e da equipe econômica do presidente Bolsonaro.

Mas o que é IPO? É quando uma empresa vende ações para o público pela primeira vez. Também é conhecido como abertura de capital, já que é a primeira vez que os proprietários da empresa renunciam de parte dessa propriedade em favor de acionistas em geral.

Deputados são contrários à privatização da Caixa

Levantamento feito pelo site JOTA com parlamentares federais mostra que 62,4% deles são contrários à privatização da Caixa. Somente 33,6% dos deputados são favoráveis à desestatização e outros 4% não são nem contra, nem a favor.

A maior parte dos parlamentares que são favoráveis à privatização está na base governista (44,3%). Já na oposição, todos se dizem contrários à desestatização do Banco Público.

O site também questionou os deputados sobre a privatização do Banco do Brasil, Petrobras, Eletrobras, Correios e Serpro.

Ministério da Economia divulgou a meta de R$ 150 bilhões em privatização e desinvestimento para o País

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na semana passada, o Ministério da Economia divulgou a meta de R$ 150 bilhões em privatizações e desinvestimentos para o País. Além da grande repercussão no mercado financeiro, o anúncio motivou a reação de entidades representantes dos trabalhadores em empresas públicas. Elas denunciam a fragilidade dos argumentos para privatização.

O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Ferreira, disse em entrevista ao Valor Econômico que o que está em curso é um processo de fatiamento da Caixa.

Segundo ele, está havendo uma privatização disfarçada. Isso deixa o banco enfraquecido ao dividir com o setor privado os ganhos das áreas rentáveis como seguro, loterias e cartões. “Se tirar áreas importantes como essas, você enfraquece o banco. Quem será prejudicada é a população, porque a Caixa terá menor capacidade de atuar”, disse.

Embora a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) liberando de autorização do Congresso a venda de subsidiárias dificulte o quadro, o presidente da Fenae adiantou que estão buscando caminhos jurídicos para tentar barrar os processos em curso. De acordo com Jair, os esforços junto à classe política e sociedade para evitar essas privatizações serão intensificados.

Eletrobras

Foto: Divulgação Eletrobras

Em entrevista ao Valor, o diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos da Eletrobras (Aesel), Íkaro Chaves, questionou dados apresentados pelo secretário especial de Desestatização, Desinvestimento e Mercados, José Salim Mattar Júnior.

“A Eletrobras não precisa de R$ 14 bilhões anuais do Tesouro. Ao contrário, nos últimos 11 anos deu ao Tesouro Nacional mais de R$ 16 bilhões”, destacou Íkaro. Ele acrescentou que a empresa está financeiramente saudável e é plenamente capaz de realizar investimentos.

“Se hoje a Eletrobras prefere repassar dividendos bilionários a seus acionistas, entre eles a União, em detrimento de realizar investimentos, é uma opção dos seus controladores, no caso o governo”, finalizou o diretor.

Privatização

O Valor destacou ainda que a apresentação do secretário especial Salim Mattar deixou dúvidas e lacunas relacionadas aos dados expostos. O Ministério não apresentou, por exemplo, a decomposição por empresa ou grupo econômico dos R$ 150 bilhões a serem obtidos com o processo de privatização.

Também não foi detalhado como se darão os impactos fiscais diretos e indiretos que o processo deve ter e, até agora, também não está claro como será o tal “fast track” (via rápida) das privatizações, cujo projeto está previsto para ser enviado em fevereiro.

Para a coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa, Rita Serrano, o governo, mais uma vez, aposta na confusão para tentar encaminhar seus projetos privatistas sem que sejam entendidos e avaliados pela sociedade. “Por isso temos que nos manter atentos e mobilizados, ampliando a informação sobre os malefícios da privatização”.

Com informações do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas e do Valor Econômico

Governo cancela benefícios de pessoas com baixa renda em um cenário de 11,9 milhões de pessoas desempregadas

Bolsa Família
Foto: Rafael Zart/Ministério da Cidadania

Em um País com 11,9 milhões de pessoas desempregadas, o Governo Federal retirou 1,3 milhão de beneficiários do Programa Bolsa Família em 2019. O cancelamento de benefícios gerou economia de R$ 1,3 bilhão para os cofres públicos.

A ex-ministra Tereza Campello se manifestou em sua página no Facebook destacando que, em 2019, o Bolsa Família voltou ao patamar de 2010. “Só que hoje a economia vai mal, o desemprego é o dobro do que era há 9 anos, com muita precarização. Nesse cenário, um milhão de famílias que se enquadram nos requisitos do programa estão fora, tentando entrar, mas o programa está congelado”, explica.

Em 2019 voltamos ao patamar de nove anos atrás, de 2010. Só que hoje a economia vai mal, o desemprego é o dobro do que…

Posted by Tereza Campello on Friday, January 10, 2020

O governo estuda mudanças no Bolsa Família e detalhes da proposta já foram apresentados ao presidente Jair Bolsonaro. Dentre os pontos da proposta está a mudança no nome do programa. Entretanto, o prazo para que a reformulação seja lançada ainda não foi definido.

O Estadão repercutiu que essa reestruturação no programa prevê aumentar a renda de 10 milhões de beneficiários mais pobres que já estão no programa social. Segundo o jornal, o custo da mudança deve ser em torno de R$ 7 bilhões.

Em entrevista ao jornal, o ministro da Cidadania, Osmar Terra, explicou que as faixas de enquadramento do programa serão reajustadas para R$ 100 e R$ 200, respectivamente. Na prática, isso vai aumentar o valor do benefício para famílias em condições de maior miséria.

Hoje, o programa usa como linha de corte para a concessão do benefício a situação financeira da família, classificada em extrema pobreza (até R$ 89 per capita) e pobreza (até R$ 178 per capita). O benefício médio pago a cada família é de R$ 189,21.

O jornal destaca que o custo da reformulação deve ficar em torno de R$ 4,5 bilhões. Além disso, para manter o pagamento de um 13º salário em 2020, serão necessários ao menos outros R$ 2,5 bilhões.

Como funciona o Bolsa Família

Criado em 2003, o Bolsa Família é um programa de transferência de renda do governo federal que tem o objetivo de combater a extrema pobreza no país. O programa atende hoje 13,5 milhões de famílias e tem orçamento total de R$ 30 bilhões. Em 2020, o Orçamento da União prevê que R$ 29,5 bilhões sejam pagos em benefícios do programa.

Para garantir o acesso ao benefício, as famílias devem seguir condicionalidades impostas pelo governo, como frequência escolar e cartão de vacinadas em dia (para crianças).

Começa nesta sexta-feira (20) o pagamento do dinheiro excedente do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O valor pode chegar a R$ 498.

O presidente Jair Bolsonaro sancionou em 12 de dezembro a lei que aumentou o valor de R$ 500 para R$ 998 (o valor de um salário mínimo) por conta ativa ou inativa. A proposta veio do Congresso Nacional.

No entanto, quem tinha mais do que R$ 998 por conta até 24 de julho deste ano só tem direito a sacar R$ 500.

Para aqueles que têm conta-poupança na Caixa, os valores até R$ 498 devem ser depositados pelo banco automaticamente.

Caso não queira receber, o trabalhador deve solicitar o desfazimento. Os valores ficam liberados a todos os trabalhadores até 31 de março de 2020.

Quem não sacar o dinheiro, não perde, já que os valores são redirecionados à conta do trabalhador.

Em caso de dúvidas, é possível acessar o site do FGTS, o aplicativo do fundo, ou entrar em contato pelo 0800 724 2019.

Nesta terça-feira (10), Bolsonaro chamou a ativista Greta Thunberg de “pirralha”. O comentário foi feito em coletiva, na saída do Palácio da Alvorada.


O assunto começou quando o presidente foi questionado sobre a morte de dois indígenas de etnia Guajajara, em um atentado ocorrido no Maranhão.


No dia dos assassinatos, Greta escreveu que os indígenas são assassinados por tentar proteger a floresta do desmatamento.


Isso foi suficiente para que Bolsonaro partisse para a agressão. “A Greta já falou que os índios morreram porque estavam defendendo a Amazônia. É impressionante a imprensa dar espaço pra uma pirralha dessa aí, pirralha”, disse.


No entanto, o presidente mexeu com a pessoa errada, pelo menos no que diz respeito à sua imagem. A sueca de 16 anos é mundialmente reconhecida por seus discursos e ações firmes contra as mudanças climáticas.

Ela, sozinha, mobiliza o mundo


Como exemplo dessa determinação, Greta passou a protestar todas sextas-feiras, desde o início de 2018, em frente ao Parlamento sueco – em Estocolmo, com uma placa feita à mão para sensibilizar congressistas sobre a questão climática.


Essa ação gerou o movimento global #schoolstrike4climate, que levou às ruas mais de 1,5 milhão de estudantes de mais de 100 países, em setembro.

“Lute pelo nosso futuro”: reprodução de imagem dos protestos na Austrália

Greta é um fenômeno também nas redes sociais


Nas redes sociais, ela coleciona mais de 16 milhões de seguidores. São 3,1 milhões no Twitter; 2.586.349 curtidas no Facebook, mais 2.743.369 pessoas que seguem suas publicações; no Instagram, Greta acumula 8,4 milhões de seguidores e tem 15,5 mil inscritos em seu canal no Youtube.

Apesar de Greta possuir perfis menores do que os de Bolsonaro nas mídias sociais, a ativista pauta a imprensa e ganha a queda de braço com o presidente. Somente hoje, até às 15h, com o alcance de grandes veículos, jornalistas e artistas repercutindo o caso “pirralha”, Greta já conseguiu mais de 49,4 milhões de impressões (vezes em que as pessoas visualizaram o conteúdo).


Sua atuação lhe rendeu o direito de falar a mais de 60 líderes mundiais reunidos na última cúpula climática da ONU, também em setembro. “Vocês roubaram meus sonhos e minha infância com suas palavras vazias”, disse, entre lágrimas.

Greta é coerente em suas viagens. Para chegar a Nova York para o encontro da ONU, atravessou o Oceano Atlântico em um barco à vela. A embarcação era movida pelo vento e 100% sustentável, com painéis solares e turbinas que geravam energia pelo movimento das águas. Ela também é vegana e prega o consumo consciente.


Os críticos usam sua doença – ela foi diagnosticada com Síndrome de Asperger, uma espécie de autismo – para tentar desqualificar sua militância. Mas são muitos os que a admiram e seguem, principalmente os jovens.

Juventude que muda o mundo

Greta Thunberg nasceu em 2003, na cidade de Estocolmo, na Suécia. É filha de uma cantora de ópera e de um ator. Começou sua militância pelo clima aos 11 anos, quando desenvolveu uma depressão ao saber mais sobre as mudanças climáticas.


O ex-presidente americano Barack Obama a vê como a personificação de uma juventude que “muda o mundo”. Em abril, o papa Francisco recebeu a jovem em Roma por ocasião do segundo aniversário da “Laudato si” (Louvado seja), a segunda encíclica do pontífice.


Greta é resultado do sistema educacional sueco, que prioriza a construção do pensamento crítico ao invés do acúmulo de conhecimento. Até junho, ela estudava na escola pública Kringlaskolan.

Para a Anistia Internacional, ela é a voz de defesa dos direitos humanos. A ONG conheceu à sueca o prêmio de “embaixadora da consciência”. Seu nome também foi mencionado como um possível candidato ao Prêmio Nobel da Paz de 2019, mas o vencedor foi o primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed.

Greta também foi considerada a mulher mais influente do ano na Suécia e um dos 25 jovens mais influentes de 2018.

Greta também ficou famosa pela reação nada amistosa que teve ao ver Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, na cúpula climática da ONU. O presidente norte-americano fez um tuíte sarcástico após o ocorrido dizendo que Greta parece “uma jovem super alegre”.

Acostumada com as críticas, Greta se agiganta frente a pessoas que deveriam mostrar muito mais maturidade em relação a ela, como Jair Bolsonaro. Ao saber da declaração do presidente brasileiro, Greta colocou o adjetivo “pirralha” como sua “bio” do Twitter.


Neste domingo (8), é comemorado o Dia da Família. E, embora membros do parlamento queiram deslegitimar famílias que não se enquadram em modelos tradicionais, há bons dados a apresentar.

Os casamentos civis entre pessoas do mesmo sexo tiveram aumento significativo em 2018 na comparação com o ano anterior, segundo as Estatísticas de Registro Civil 2018.

Os números foram divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no último dia 4 de dezembro.

Mais de 9 mil casais homoafetivos se uniram formalmente em 2018. Já em 2017, o número foi de 5.887. Sendo assim, houve um aumento de 61,7% nessas uniões.

Apesar disso, uniões formais entre casais do mesmo sexo correspondem a somente 0,9% do total das registradas no País.

Reprodução IBGE

Casamentos homoafetivos cresceram após vitória de Bolsonaro

Rodrigo Rocha, que é empresário em Brasília, casou-se com José Henrique, publicitário, na hora do almoço, em um cartório da capital, em agosto do ano passado. O casal ainda faz planos de uma festa para reunir as famílias.

Rocha explica que o casamento tem a ver com reconhecimento e direitos. “Essa conquista do casamento que a gente teve, falando individualmente mas também como grupo, tem um significado muito forte do ponto de vista da aceitação entre os heterossexuais, porque pra mim o papel tem mais a ver com a conquista de direitos concretos, como herança, plano de saúde…”, diz.

A pesquisa mostra que o número de casamentos homoafetivos aumentou nos últimos meses de 2018, após a vitória da Jair Bolsonaro. Do total de 3.958 casamentos entre homens, 29,6% foram registrados só em dezembro.

Entre casais formados por mulheres, 34% das 5.562 uniões também aconteceram no último mês do ano passado. Outros 11,3% do total é formado por casamentos entre homem e mulher.

Rodrigo concorda que esse foi, também, um movimento político. “Eu acho que esse aumento tem tudo a ver com o momento em que a gente vive. Nossos direitos estão em constante ameaça e tem uma onda conservadora tomando conta do País e isso significa que nós estamos, sim, em risco, no sentido de que os direitos que conquistamos podem ser perdidos. Até o momento, não aconteceu, mas o movimento existe e a gente precisa combater”, explica.

Reprodução IBGE

A conquista do casamento gay se tornou possível em 2011, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável entre casais do mesmo sexo. Em 2013, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) publicou uma norma obrigando cartórios a realizar a união.

“Uma vida plena carece de direitos legais”

Com a vitória de Bolsonaro, veio o medo. O presidente ainda não fez qualquer movimento no sentido proibir a formalização da união de casais homoafetivos, no entanto, durante sua campanha, assinou um termo em que se comprometia a promover “o verdadeiro sentido do matrimônio, como união entre homem e mulher”.

Diante dessa ameaça, Rodrigo também fala sobre o conceito de família. “Pode ser qualquer união entre pessoas que sentem que são uma família. Pode ser minha, avó, meu primo, minha irmã que eu não vejo há vinte anos. Não acho que o Estado precisa intervir no conceito do que é família, ele precisa entender que existem outras formatações, reconhecer e acolher de forma legal. Uma vida plena e feliz não carece só de amor, na prática ela carece também de direitos legais e de possibilidades de desenvolvimento”, finaliza.

Rodrigo Rocha e José Henrique, no dia em que oficializaram sua união, em agosto de 2018

Este foi o maior resultado para um mês de novembro desde 2015, quando o IPCA ficou em 1,01%.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou para 0,51% em novembro, após ter ficado 0,10% um mês antes.

Os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice é termômetro oficial da inflação do País. O IPCA tem por objetivo medir a inflação de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo, referentes ao consumo pessoal das famílias. 

A elevação da inflação foi puxada pelo grupo Alimentação e Bebidas (0,72%). Nessa categoria está embutido o aumento do preço da carne (8,09%). O item representou, sozinho, 0,22 ponto percentual (quase metade) do IPCA de novembro.

Por isso, comer fora de casa também fica mais caro. A alimentação fora do domicílio subiu 0,21% (frente à alta de 0,19% no mês anterior), influenciada pelo item lanche, que passou de 0,32% em outubro para 0,56% em novembro e contribuiu com 0,01 p.p. no índice do mês.

INPC também dispara por causa da carne

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de novembro foi de 0,54%, enquanto, em outubro, havia registrado 0,04%. Este resultado é o maior para um mês de novembro desde 2015. 

Os produtos alimentícios tiveram alta de 0,78% em novembro enquanto, no mês anterior, registraram 0,02%. O agrupamento dos não alimentícios, por sua vez, apresentou variação de 0,44%, enquanto, em outubro, havia registrado 0,05%.


O Sistema de Informações e Indicadores Culturais (SIIC 2007-2018), divulgado hoje (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o setor público destinou para a área de cultura R$ 9,1 bilhões em 2018.

Esse valor corresponde a 0,21% do total de despesas consolidadas da administração pública. Apesar de ser um investimento maior, todas as esferas do governo reduziram suas participações de gastos em cultura nos sete anos contemplados pela pesquisa.

Os gastos totais passaram de 0,28% em 2011, para 0,21% em 2018. A participação do governo federal passou de 0,08% em 2011 para 0,07% no ano passado.

Por sua vez, governos estaduais reduziram de 0,42% para 0,28% no mesmo mesmo período. Nos municípios, a queda foi de 1,12% para 0,79%.

“Os investimentos em cultura vêm caindo devido à crise fiscal, rotatividade de quadros e descontinuidade de políticas no governo federal. O orçamento fica limitado às despesas de custeio”, avalia o pesquisador do IBGE, Leonardo Athias.

Cultura no alvo

Esse cenário de diminuição de recursos causa ainda mais preocupação quando deparado com uma constante perseguição ao setor cultural.

“Os resultados mostram queda dos investimentos com perda de importância da cultura nos gastos públicos”, avalia Leonardo Athias, pesquisador do IBGE.

Nesta semana, por exemplo, cartazes de filmes nacionais que estavam expostos nos corredores da Ancine foram retirados e informações sobre as obras foram excluídas do site. O presidente Jair Bolsonaro já havia declarado que pretendia transformar a Agência em secretaria por “falta de filtro”.

Cartaz do filme Cabra Marcado Pra Morrer, de Eduardo Coutinho, lançado em 1984

Essa perseguição ao setor cultural causa impacto negativo em diversos aspectos e a diminuição dos investimentos em cultura só aprofunda as desigualdades existentes no Brasil.

Aprofundamento de desigualdades

Os números do SIIC mostram, por exemplo, que quase 40% da população brasileira vive em cidades onde não existe sequer uma sala de cinema. A falta de acesso potencial a esse e a outros equipamentos culturais, como museus e teatros, varia por sexo, cor, grupo de idade e nível de instrução.

Para Leonardo Athias, pesquisador do IBGE, os números mostram dupla desigualdade. “Entendemos que há restrição de acesso à educação que coincide com municípios que têm menos estrutura, menos presença de equipamentos culturais”, disse.

Isso se dá em maior número nas regiões Norte e Nordeste, que têm menos equipamento, menos capilaridade e menores níveis socioeconômicos.

Crianças e adolescentes enfrentam pior cenário

Crianças e adolescentes vivem o pior cenário: 43,8% das pessoas até 14 anos viviam em municípios sem cinema e 35,9% delas viviam em municípios sem museu. As crianças e adolescentes do Maranhão são as que têm menos acesso potencial a museu (23,6%), a teatros e sala de espetáculos (30,8%) e a cinema (19,6%).

O estudo também mostra que a população preta ou parda tem menor acesso potencial a esses equipamentos culturais. Enquanto 44% dos pretos ou pardos moram em municípios sem cinema, esse número em relação aos brancos era de 34,8%.

Diferença de salário entre homens e mulheres é maior na cultura

Outro dado que preocupa é a diferença salarial entre homens e mulheres no setor. Apesar de serem maioria dos trabalhadores no setor cultural, elas continuam ganhando menos do que os homens.

De 2014 para 2018, a participação feminina passou de 47,6% para 50,5%. No último ano, o rendimento das mulheres foi de R$ 1.805, e dos homens foi R$ 2.586, uma diferença de R$ 781, enquanto em todos os setores, essa disparidade era de R$ 508.

Para Athias, essa diferença se dá por causa do acesso ao ensino superior. “O setor cultural tem mais profissionais com nível superior e a gente sabe, pelos estudos de gênero, que a desigualdade nesse nível de escolaridade é maior do que em outros níveis”, avalia.



O presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, anunciou na manhã desta segunda-feira que irá taxar novamente todo o aço e alumínio importados do Brasil e da Argentina. Mas por quê?

Trump acusa Brasil

Trump afirma que houve uma “desvalorização maciça” das nossas moedas, o que não é bom para o mercado norte-americano.

Afinal, com o dólar em alta, o real fica desvalorizado, o que torna os produtos brasileiros mais baratos no mercado exterior. Consequentemente, prejudica os produtores norte-americanos, dificultando a competição por lá.

Mas como tudo isso começou? Foi assim: em agosto de 2018, o governo Trump anunciou uma redução das taxas sobre importação de aço e alumínio do Brasil e da Argentina. Assim, empresas dos EUA não precisariam mais pagar imposto de 25% sobre o preço original do produto, caso as mesmas comprovassem falta da matéria-prima naquele mercado.

E eu com isso?

Atualmente, os Estados Unidos são os maiores compradores do aço brasileiro, movimentando US$ 2,6 bilhões por ano. O retorno dessa taxação causa impacto direto sobre o mercado brasileiro e o nosso PIB.

Sendo assim, não parece que esse cenário mudará em breve. Na última projeção do boletim Focus, do Banco Central, a moeda americana fechará o ano em R$ 4,10.

Em março do ano passado, Trump já sinalizava mudanças para o setor metalúrgico. “Não podemos deixar que tirem proveito do nosso país, empresas e trabalhadores”, afirmou o presidente no Twitter.

Essa mudança poderá impactar diretamente a cadeia do sistema produtivo. Segundo Marcelo Toledo, da Fitmetal, a previsão é que tais restrições deixem até 300 mil trabalhadores sem emprego no Brasil.

Discutir com Guedes para não recuar

Basta agora saber o que o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, fará para reverter a decisão de Trump. Questionado, ele afirmou que irá conversar com o ministro da Economia, Paulo Guedes, e depois dará uma resposta “para não ter que recuar”.

A situação pode piorar ainda mais pelo cenário político latino-americano. Se Bolsonaro tivesse um bom relacionamento com o presidente eleito na Argentina, Alberto Fernández, poderia agir em conjunto. Fernández tomará posse em oito dias. Bolsonaro avisou que não participará da cerimônia.

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