Com forte inspiração keynesiana o Plano Real foi aplicado pela metade. A ancoragem em políticas cambiais sugerida pelo cânone, foi substituída pela abertura completa do mercado aos produtos estrangeiros, gerando concentração de renda, aumento de tributos e diminuição do mercado formal de trabalho.

Completando 25 anos em 2019, o Plano Real é citado como o remédio certo para a inflação, porém, seu impacto econômico é muito maior do que esse.  Mas muita água passou por debaixo dessa ponte.

Quem pariu Mateus que o embale

Elaborado por economistas do PSDB, o Plano Real foi baseado nas soluções propostas pelo economista John Maynard Keynes para a crise de hiperinflação vivida pela Alemanha nos anos 20 do século passado. 

Tinha como premissas três pilares: a iniciativa governamental na reestruturação da economia, a fixação de uma taxa de câmbio que promovesse a estabilização dos preços e a priorização da economia real antes do pagamento dos déficits governamentais, que seriam pagos posteriormente com o crescimento econômico.

Apresentado ao público enquanto Fernando Henrique Cardoso era ministro da Fazenda do presidente Itamar Franco, foi realmente levado à cabo por Rubens Ricupero, seu substituto quando saiu do ministério para disputar a presidência da república.

Causa e solução de todos os problemas econômicos do Brasil

A implementação de um plano econômico não ocorre do dia para a noite. E assim foi com o Real. Antes de ser lançado exatamente há 25 anos atrás, houve a utilização do Cruzeiro Novo em uma conta complicada que a população fazia baseada em uma Unidade Real de Valor, a URV. O processo foi bastante confuso e durou apenas quatro meses, mas chegou ao fim em primeiro de julho.

O plano original do Plano Real era manter um câmbio fixo, como preconizava Keynes, e assim manter os preços vinculados às moedas do exterior. Contudo, no Brasil optou-se por um câmbio flutuante, baseado na ação do Banco Central, que venderia moedas estrangeiras em caso de alta do real e a compraria em caso de desvalorização. 

O que realmente aconteceu foi uma inesperada valorização do real. Com isso,  houve uma opção pelo câmbio megavalorizado e uma ampla abertura comercial. Isso prejudicou a indústria nacional, afetando a quantidade de empregos, e aumentou a concentração de renda.

Toma que o filho é seu!

Um pouco antes da reeleição de Fernando Henrique Cardoso os preços realmente haviam baixado, e não era mais preciso estocar comida em casa, como faziam as famílias brasileiras. A despensa ficou mais vazia, só que não se sabia qual a causa: a inflação sob controle ou o imenso desemprego. 

Nos primeiro 4 anos de governo FHC foram criados menos de 900 mil empregos formais. Na década anterior a média foi de um milhão por ano. A participação dos salários no PIB do Brasil caiu de 45,1% em 1993 para 38,2% em 1999, ou seja a riqueza mudou de mãos. 

A abertura comercial foi a âncora escolhida para o Plano Real e a concorrência com a indústria estrangeira quebrou a brasileira. Os impostos tiveram um aumento de 11% entre 1993 e 1999 puxados pela “responsabilidade fiscal” alardeada pelo Fundo Monetário Internacional e foram utilizados no pagamento de dívidas e não no investimento social. 

Inaugurou-se uma era de crescimento econômico baixo que só foi superada no primeiro governo Lula, e o neoliberalismo instaurou-se como dogma econômico no Brasil.





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