Em entrevista para o canal À Esquerda, Sérgio Mendonça e Tereza Campello falam sobre como a volta do Brasil ao Mapa da Fome da FAO expõe uma verdade inconveniente: o aumento da pobreza e da desigualdade estão intrinsecamente ligados e são frutos da política de austeridade.

Economia é menos parecida com um jogo de RPG do que se imagina: não a fada que dê jeito sem a ação do estado.
Nem mão invisível nem fada da confiança, para um país crescer é necessário investimento público.

A fome como escolha política

O Brasil sempre foi um grande produtor de alimentos. Porém, a fome esteve historicamente presente na nossa paisagem cotidiana. Se não há falta de comida, por que nem todos os brasileiros a tem na mesa?

Somente em 2014 o Brasil saiu do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), em 2003 havia 9% de população no Brasil em insegurança alimentar – ou seja, em situação de desnutrição crônica. De forma sistemática e permanente, esse número caiu durante toda a década e em 2014 chegou a 1,7%. Dados posteriores ainda dão conta de que já houve no país menos de 1% dos brasileiros passando fome.

Com a volta da austeridade o patamar de pessoas com fome voltou para 2,5 milhões, e mais de cinco milhões de brasileiros estão em situação de insegurança alimentar. Em entrevista, Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social é categórica: “Não podemos aceitar e conviver com a fome em nenhum caso. Principalmente porque é possível eliminá-la.”

Economicamente viável, moralmente aceitavel, éticamente factível

Sérgio Mendonça, ex-Dieese e atual coordenador do Reconta aí, falou sobre os fatores econômicos que possibilitaram o Brasil sair do Mapa da Fome em 2014: “Vivemos de um período de crescimento econômico muito favorável entre 2003 e 2008 e mesmo após a crise, o Brasil seguiu crescendo. Foi em 2014 que tivemos uma pequena taxa de crescimento, e comparado ao que temos hoje foram resultados muito favoráveis”, relembrou o economista.

Porém, o próprio economista ressaltou que as causas da redução da pobreza – e, consequentemente, da fome – também tiveram forte componente político: “Não foi só o boom das commodities que possibilitou o Brasil sair do Mapa da Fome. Não foi acidental. Houve um impulsionamento de políticas econômicas e públicas que fizeram crescer o mercado interno, como a geração de emprego e renda e elevação do valor real do salário mínimo”, declarou Sérgio.

Mitologia liberal é historinha de economista para o povo dormir

Segundo Sérgio, não há como sair da crise atual sem o estado: “A austeridade expansionista não existe. Eles propõe que se você cortar o gasto, controlar o déficit e a dívida a ‘fada da confiança’ fará com que o investimento privado venha e faça o país crescer.”

Se não houver investimento das estatais e a volta do crédito público, nenhuma ‘fada da confiança’ ou reformas que retiram direitos farão com que o investimento privado venha e que o Brasil volte a crescer.

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