Os bancos dizem que a tecnologia está totalmente a serviço da humanidade. Porém, não dizem que os algoritmos fazem escolhas e são programados por seres humanos, alguns humanos, cujas percepções não são universais. Logo os algoritmos podem ser falhos, e são.

Ata Tércia Sanches fala sobre tecnologia bancária no 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil
Ana Tércia Sanches fala sobre tecnologia bancária no 30º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil

“Nem utópico nem distópico, estamos vivendo um momento de transição e precisamos nos preparar de cabeça erguida para esse passo da tecnologia”. Foi com essa frase que a professora Ana Tércia Sanches começou a discussão sobre esse ‘admirável mundo novo’ em que bancárias, bancários e bancos estão entrando.

O admirável mundo novo da tecnologia.
A tecnologia faz nascer cada dia mais rápido mundos novos.

Nem tão novas assim são as imensas mudanças pelas quais o setor e seus trabalhadores passaram nos últimos tempos. Porém, a professora Ana Tércia explica que a partir de agora serão ainda mais rápidas e se adaptar não é o melhor meio, é preciso propor os caminhos, entendendo que a tecnologia é parte do processo, e não ele inteiro.

Além disso, o acesso as tecnologias é bastante desigual, geograficamente, por renda entre outros fatores.

Utópicos e Distópicos

Os bancos vendem, para clientes e bancários, que a tecnologia está a totalmente serviço da humanidade. Porém, não dizem que a etapa tecnológica atual está baseada em os algoritmos que fazem escolhas e são programados por seres humanos, alguns poucos humanos, cujas percepções de justiça, ética e moral não são universais.

Contudo, a questão central trazida pela professora Ana Tércia é a seguinte: “a tecnologia é tão boa para os bancários quanto é para os bancos? A tecnologia é tão boa para os clientes e usuários quanto é para os bancos?”

Anunciado em comunicado público na semana passada, o Programa de Adequação de Quadros do Banco do Brasil foi justificado pela transformação digital do banco. Porém, quais são os aspectos estruturantes dessa nova era digital bancária?

Nova era digital bancária

Digitalização, Informatização e Robotização são conceitos altamente interligados na realidade atual. Nos bancos, e principalmente no Banco do Brasil, cujo anúncio já foi feito, o trabalho de funcionários internos e externos serão afetados.

Os órgãos vitais de qualquer banco, como operações de crédito, controle de devedores, verificação de documentação dos clientes, processamento de caixas eletrônicos, compensação e outros serão afetados. A soma da digitalização de todas essas operações representa uma diminuição de trabalhadores entre 40 e 60%.

Com a chegada do mobile, das maquininhas de cartão e das ATMs, o atendimento humano tende a cair e até ser eliminado. É nessa seara em que se dará o maior papel da inteligência artificial.

O bancário na era digital

Home Office, Banco Digital

Não existia trabalho sem o trabalhador: hoje existe. Não existia trabalho sem local: hoje existe. Atualmente 267 trabalhadores no BB já atuam em home office. Mesmo tratado pelo BB como piloto, o programa já é finamente analisado e tende a crescer.

O grande irmão zela por ti!

A vigilância sobre o trabalho é cada vez maior.
1984 é um clássico da Ficção Científica que fala de um mundo de permanente vigilância.

Segundo o Banco do Brasil as grandes vantagens dessa forma de trabalho para o banco são o controle de jornada, aumento mínimo de produtividade de 15%, maior foco do funcionário, redução do número de ausências e licenças médicas e a redução de custos (água, energia elétrica, café, locação de imóveis).

Na verdade, quem paga a economia que o banco faz é o próprio funcionário. Os acordos individuais, a responsabilização do trabalhador pela ergonomia do trabalho e saúde, assim como o aumento do ritmo de trabalho, aumento do controle sobre cada ação e mesmo os custos citados como economia sobre os bancos não são levados em conta.

Além disso, há que se perguntar como fica a organização dos trabalhadores, a fiscalização dos locais de trabalho e a defesa do direitos dos que trabalham.

Por dentro das Agências Digitais

Hoje 10 mil trabalhadores estão nos escritórios e agências digitais no Banco do Brasil. A estrutura aumenta as vantagens para o banco, mas não o faz com trabalhadores, que são submetidos ao aumento da carteira de clientes por trabalhador, falta de legislação que proteja essa nova forma de trabalho, aumento do controle sobre o trabalho e falta de acesso dos sindicatos aos locais.

Androides sonham com ovelhas elétricas?

O futuro chegou e ele não parece tão divertido quanto nos filmes.
Androides, carros voadores e o futuro que imaginaram ontem.

Ainda há muito por se estudar tanto na implementação quanto no impacto das novas tecnologias na área bancária e em toda a sociedade. Big Data, Blockchain, Inteligência Artificial, Robotização e muitas outras novas expressões dominarão a cada dia mais os noticiários e a vida cotidiana de todos e todas.

O futuro chegou e ainda é passível de ser disputado. As novas tecnologias bancárias, sociais e de todos os segmentos são são passíveis de serem refreadas, mas é necessário que sejam disputadas para atender não só aos bancos, mas aos bancários, não só as empresas, mas também aos empregados, não só à racionalidade econômica, mas à humanidade.

Atualiza Aí


Afinal, por que é tão importante que a gestão do FGTS continue com a Caixa Econômica?

A MP 889/19, apresentada ao Congresso Nacional pelo governo Bolsonaro, permite que a gestão do FGTS seja realizada por bancos privados. Mas o que isso significa? A gente explica!

Nobel de Economia vai para pesquisas de combate à fome

Comunicado do Comitê do Nobel diz que pesquisas “melhoraram consideravelmente a capacidade de combater a pobreza global”. Premiados são Abhijit Banerjee e Michael Kremer e Esther Duflo.

Pela primeira vez, Pronaf concede crédito para o manejo florestal comunitário familiar

Pela primeira vez, Pronaf destina crédito para Manejo Florestal Comunitário Familiar. Montante de R$ 850 mil vem do Banco da Amazônia (BASA)

Frente Parlamentar lança amanhã (15) estudo sobre reforma administrativa

Objetivo é fazer uma discussão equilibrada sobre o que está sendo elaborado pelo governo federal.

Multimídia


Afinal, por que é tão importante que a gestão do FGTS continue com a Caixa Econômica?

A MP 889/19, apresentada ao Congresso Nacional pelo governo Bolsonaro, permite que a gestão do FGTS seja realizada por bancos privados. Mas o que isso significa? A gente explica!

Flávio Dino ressalta a necessidade de uma reforma tributária

Flávio Dino (PCdoB/MA) esteve presente no lançamento da proposta de Reforma Tributária Justa, Solidária e Sustentável que ocorreu ontem em Brasília.

Reforma tributária da oposição quer tornar mais justa a cobrança de impostos no País

O lançamento da Reforma Tributária Justa, Solidária e Sustentável mostra que os partidos da oposição começaram a propor saídas para o Brasil.