Grupo Alimentação e bebidas apresentou queda mais intensa na comparação com o mês anterior 

Puxado pela retração nos preços dos alimentos e bebidas, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta quarta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que  a inflação teve deflação de 0,04% em setembro. Em agosto, a taxa registrada foi de 0,11%. Este foi o menor resultado para o mês desde 1998, quando o índice ficou em -0,22%. No acumulado do ano, o IPCA registrou 2,49% e, nos últimos 12 meses, ficou em 2,89%.

Ao comentar o índice, o economista Sérgio Mendonça ressaltou que a inflação muito baixa tem dupla dimensão. Segundo ele, de um lado é positiva, pois preserva o poder aquisitivo da moeda e protege, principalmente, a população de baixa renda, que não tem acesso às aplicações financeiras. 

“De outro lado, revela uma economia paralisada, de baixo crescimento, que força os agentes econômicos baixarem seus preços. E os trabalhadores e os sindicatos, pressionados pelo alto desemprego, moderarem a luta salarial”, apontou o economista.

Três dos nove grupos pesquisados apresentaram deflação entre agosto e setembro, com destaque para Alimentação e bebidas (-0,43%). Segundo o IBGE, o grupo foi responsável pela maior contribuição negativa no IPCA de setembro, com -0,11 ponto percentual. Dos itens que compõem o grupo, a maior queda veio de Artigos de residência (-0,76%), que contribuiu com -0,03 ponto percentual no índice do mês.

O grupo habitação desacelerou de 1,19% em agosto para 0,02% em setembro. Dentre os destaques, está o item  energia elétrica, que ficou estável em setembro na comparação com o mês anterior. O item tem grande peso na habitação e tinha aumentado 3,85% em agosto, por causa da mudança da bandeira de amarela para vermelha patamar 1. “Na passagem para setembro, os preços da energia elétrica permaneceram estáveis, ocasionando essa desaceleração”, informou o IBGE.

IPCA – O índice mede a variação de preços de uma cesta de produtos e serviços consumida pela população. O resultado mostra se os preços aumentaram ou diminuíram de um mês para o outro. Já a inflação é calculada pelos índices de preços, chamados de índices de inflação. como o IPCA.

Segundo pesquisa global da Ipsos, “What Worries the World”, o brasileiro está mais triste e preocupado com a violência, saúde e desemprego.

O brasileiro está triste, mas foi sempre assim?
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não

Realizada em 28 países, a pesquisa compara não só o nível de felicidade, mas também os motivos da tristeza em cada uma das nações. A tristeza dos brasileiros é acompanhada por 58% dos habitantes dos 28 países pesquisados. Esse é o percentual global de pessoas que acham que seu país está no caminho errado.

Voltando ao Brasil, 59% da população acredita que o país está tomando o caminho errado. Já 61% dizem-se extremamente felizes ou felizes. O resultado parece alto, porém, se comparado à mesma pesquisa realizada no ano passado, mostra uma queda de 12 pontos percentuais.

Cada pesquisado pode responder aos três aspectos mais preocupantes no país. As respostas tiveram como resultado o seguinte panorama:

  • Crime e violência: 47%
  • Sistema de Saúde: 46%
  • Desemprego: 39%
  • Corrupção: 38%
  • Educação: 36%

Segundo entrevista da diretora da Ipsos, Sandra Pessini, à BBC : “Existe uma correlação bem forte entre a confiança na economia e a percepção de felicidade. E a demora na retomada econômica impacta muito a vida e o dia a dia das pessoas.”

A estagnação econômica explica parte da tristeza. Houve aumento da preocupação dos brasileiros com o desemprego, a inflação, com o risco de extremismo e com a diminuição de programas de assistência social.

Ameaças ao meio ambiente e mudanças climáticas também passaram a chamar a atenção dos brasileiros, contrastando com a queda na preocupação com impostos e terrorismo.

Triste Brasil

A pesquisa realizada pela Ipsos corrobora outro ranking sobre sentimentos, o da ONU. Segundo a Organização das Nações Unidas em pesquisa de março de 2019, o Brasil caiu quatro posições em relação a 2018, quando esteve no 28º lugar no Relatório Anual da Felicidade.

Mesmo utilizando uma metodologia diferente da adotada pela Ipsos, os resultados são complementares. Dados como Produto Interno Bruto, assistência social, expectativa de vida são contabilizados pela organização internacional e não são pela empresa de pesquisa. Ainda assim, ambas mostram queda de contentamento do povo brasileiro.

Em 2016, ainda durante o governo de Michel Temer, o Congresso Nacional aprovou a Emenda Constitucional 95, chamada de “PEC do Teto de Gastos” pelos apoiadores e de “PEC da Morte” pelos opositores.

Muita gente nem se lembra disso, mas essa medida impacta diretamente na vida de todos nós. Na prática, ela limita os gastos do governo ao crescimento da inflação. Parece bom, mas não é. Com isso, diminuíram muito os investimentos em setores caros à população brasileira, como Educação, Saúde e Segurança Pública.

É importante lembrar que a medida limita os gastos, mas a população que precisa de suporte do Estado, que usa os serviços de Saúde, Educação, Segurança, entre outros, não para de crescer. No fim, existe um descompasso.

A partir de 2020, o Brasil vai parar

Mas se já está ruim, espere. Em 2020 tudo tende a piorar. Isso porque a economia não vem mostrando sinais de melhora, apesar de todas as promessas de Bolsonaro e Paulo Guedes, e o arrocho deve ser ainda maior nos próximos anos, se tudo permanecer como está. A produção de conhecimento científico no Brasil, por exemplo, já está paralisada. Falta dinheiro para pagar conta de luz nos quartéis e tem gente sugerindo até reduzir o salário de servidores públicos.

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É apagão, é Mad Max

A proposta de Orçamento para 2020 enviada por Bolsonaro dá uma ideia do problema. Haverá um apagão da máquina pública (aquilo que os americanos chamam de shut down), se for levada em frente. Se isso acontecer, a tendência é que a batata quente termine na mão do Congresso, que pode ser obrigado a tomar pra si a discussão.

Diante desse cenário de Mad Max, já começam a surgir os pedidos de flexibilização dos gastos do governo, capitaneados segundo a grande imprensa, pelos militares e pela Casa Civil.

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Bolsonaro, ao ser questionado, afirmou que a “questão é matemática”. Ou seja, as contas não fecham, e não vão fechar muito mais, e ele, a princípio, apoiaria uma revisão na PEC. Mas, como é costumeiro no seu governo, o mercado ficou nervoso e ele já voltou atrás.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, também defende a manutenção do Teto como está, e diz que é preciso cortar gastos. Para ele, “o teto está sólido. Não adianta aumentar gasto se não reduzir despesa, é besteira. Vai ter que aumentar imposto e aumentar multa e dívida”, afirmou.

Mas peraí, assiste aqui rapidinho esse vídeo pra ver como são divididas as despesas do governo:

Tem que rever o teto de gastos

Retomando: o problema para o Bolsonaro é que esse aperto impede o investimento em programas de governo e em obras, ou seja, compromete o seu legado. Já o problema para a população é que, historicamente, os mais fragilizados, os que sofrem mais e primeiro são os que dependem mais do aporte do Estado.

Com a proposta de Orçamento para o próximo ano, Bolsonaro já sinalizou que a tesoura vai pesar mais pra cima dos programas sociais: os que mais sofrerão são o “Minha Casa, Minha Vida” e o “Bolsa-Família”.

Mas o que fazer? O debate ainda está prematuro e as especulações são muitas, no entanto, não é temeroso afirmar que o corte vai pesar em cima dos gastos obrigatórios.

Servidor, o escolhido foi você!

Como a Reforma da Previdência já está praticamente aprovada, quem entra na mira é o funcionalismo público. É muito provável que o governo a princípio congele os salários e, posteriormente, trabalhe com medidas como o fim da estabilidade para os servidores, a redução de jornada e o corte de salários.

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Para muita gente, alguns que, inclusive são apoiadores do governo, a saída para evitar que o país pare completamente é mexer na Emenda Constitucional 95. Caso contrário, vai dar ruim pra todo mundo, principalmente para os mais pobres.

Para o economista Sérgio Mendonça, “tem que rever a PEC dos gastos. Tem gente do lado deles já falando nisso, mas pisando em ovos. O governo e a sociedade estão numa baita enrascada, porque a máquina pública vai parar, e todo mundo vai sofrer”.

Como dissemos, o debate ainda é prematuro e vale pegar a pipoca pra assistir. A Bolsonaro, nosso conselho – ouça Fernando Henrique Cardoso, lá em 2002: “O mercado fica nervoso? Dá calmante, passa. O que não pode deixar é o paciente ficar todo ele prejudicado por aquele dia de nervosismo, tem que manter o equilíbrio das coisas”. A ver.

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A frase do economista Mário Henrique Simonsen é o ponto de partida para o comentário do economista Sérgio Mendonça. Como o câmbio e as reservas em moeda estrangeira são ferramentas para entender crises?

A política cambial do Brasil não é acompanhada pela maior parte da população. Porém deveria ser. A relação entre a moeda dos países pobres e em desenvolvimento com as moedas fortes é fundamental para entender o vigor da economia de uma nação.

Segundo o economista, as reservas em moeda estrangeira são como um “colchão que amortece os países das crises internacionais”. No Brasil, temos atualmente uma reserva de US$ 385,73 bilhões. Como o gráfico mostra, ela cresceu bastante a partir de 2009, logo após a crise internacional que começou nos EUA.

As oscilações do câmbio são amortecidas pelas reservas internacionais.
Reseva em moeda estrangeira do Brasil. Fonte: Banco Central do Brasil

Esse grande volume de dólares disponíveis na economia brasileira auxilia o país a lidar com as oscilações do dólar no mercado internacional.

Segundo o Banco Central do Brasil, as reservas internacionais brasileiras não são feitas apenas de dólares. São “títulos, depósitos em moedas (dólar, euro, libra esterlina, iene, dólar canadense e dólar australiano), direitos especiais de saque junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI), depósitos no Banco de Compensações Internacionais (BIS), ouro, entre outros ativos.”

Câmbio, desligo!

Bem ao lado do Brasil há países cuja reserva em moeda estrangeira é baixa. É o caso da Argentina, que está passando por uma grande crise com instabilidade cambial e alta inflação.

Com uma reserva em moeda estrangeira de apenas US$ 13 bilhões, a Argentina inclusive não conseguirá pagar sua dívida com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Como acumular reservas internacionais?

Argentina, Brasil, câmbio e dolares são explicados tintim por tintim pelo economista Sérgio Mendonça nesse vídeo curto. Acompanhe!









O sobe e desce do dólar – ou melhor, o câmbio – é um dos preços básicos mais importantes da economia.

Nota de um dólar.

Pode-se afirmar que o preço do dólar sobe e desce na economia de acordo com a quantidade da moeda em circulação no país. Porém, existem muitas variáveis que influenciam diretamente esse resultado, e compreendê-las é saber o que está em jogo.

Câmbio no Brasil

O câmbio – ou mais precisamente, as taxas de câmbio – é o valor de uma moeda em relação à outra. Isso garante que exista uma medida de comparação entre elas. Por exemplo, um real vale 4 pesos argentinos* se pensarmos na moeda, e vale 0,25% de 1 dólar se pensarmos na moeda americana.

O Banco Central de cada país determina o regime cambial vigente. No Brasil, desde 1999 existe o câmbio flutuante, o que significa que as variações no preço do dólar acontecem principalmente pela lei da oferta e da procura. Porém, o Banco Central do Brasil costuma vender ou comprar dólares para evitar quedas e subidas muito bruscas, que são danosas à economia.

O dólar sobe…


Vários são os fatores que diminuem o número de dólares em circulação na nossa economia:

  • A incerteza em relação à política econômica adotada pelo governo diminui os investimentos estrangeiros;
  • Quando o Brasil vende um valor mais baixo do que importa, ficamos com uma quantidade menor de dólares no país;
  • O baixo crescimento econômico, ou até mesmo apenas sua projeção, faz com que a produção diminua, assim como o comércio internacional;
  • Os gastos de brasileiros em turismo no exterior fazem com que haja menos dólares em circulação no Brasil, aumentando seu preço;
  • E, finalmente, o crescimento das taxas de juros em países desenvolvidos, sobretudo nos EUA;

…e dólar desce!

  • Taxas de juros atrativas, altas, para especuladores no Brasil;
  • Superávit da balança comercial, ou seja, a venda de produtos brasileiros em valor superior do que a compra de produtos estrangeiros;
  • Atração de turistas estrangeiros para o Brasil e o gasto que eles fazem no país;
  • Alto crescimento econômico com campo para novas empresas ou aumento de produção e mercado consumidor;
  • Quando não há crescimento robusto nos países desenvolvidos de economia mais estável, sobretudo nos EUA;

O sobe e desce do dólar e a economia real

O câmbio está intimamente relacionado à inflação, e  o Brasil, como quase qualquer país do mundo, importa muitos itens. Com a alta do dólar há um aumento generalizado de preços, pois mesmo os produtos nacionais muitas vezes têm componentes e peças importadas. Compras internacionais com cartões de crédito e viagens ao estrangeiro tem seu custo drasticamente aumentado.

Para produtores  que mantêm comércio exterior, a alta do dólar pode ser vantajosa, principalmente pela competitividade de produtos com preço baixo. De qualquer forma, o panorama da economia não é dos mais animadores com a alta do dólar.

*Valores hipotéticos


O governo federal encaminhou uma proposta de ampliar a autonomia/independência do Banco Central do Brasil (BCB). Trata-se de um projeto de lei complementar que dispõe sobre autonomia técnica, operacional, administrativa e financeira do Banco Central e altera artigos da Lei 4595/64 (Reforma Bancária). Também estipula mandatos para os futuros dirigentes do Banco.

É um assunto de enorme interesse para a população brasileira, embora não seja tratado assim nos meios de comunicação de massa.

O Banco Central é um dos órgãos mais importantes de qualquer Estado Nacional no mundo. Não é exagero afirmar que o banco central dos EUA, o Federal Reserve (FED), é a instituição econômica mais poderosa do mundo!

A principal atribuição dos bancos centrais é manejar a política monetária, através da taxa básica de juros (custo do dinheiro) e da quantidade de moeda (liquidez).

Além disso, o BCB tem outras atribuições: regular o sistema financeiro (solidez dos bancos e instituições financeiras), garantir a quantidade adequada de dinheiro em circulação para a população (meio circulante), guardar as reservas internacionais do país. O Banco Central é, também, o banco dos bancos (!), assegurando a fluidez do sistema financeiro e o fechamento diário das contas para que elas não fechem o dia no negativo.

Missão do Banco Central

A principal missão do Banco Central é assegurar a estabilidade de preços, ou seja, manter a inflação sob controle, dentro do intervalo da meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional – CMN. Para isso utiliza-se do principal instrumento que dispõe, que é o manejo da taxa básica de juros (Selic). Ao tornar o dinheiro mais caro ou mais barato, subindo ou baixando a taxa básica de juros, o Banco Central visa assegurar que, através dos efeitos da política monetária sobre a atividade econômica (crescimento/expansão ou recessão/contração), a taxa de inflação fique bem comportada.

Bem ou mal sucedido na sua principal atribuição, o BCB influencia a vida de toda a população, uma vez que somos todos afetados pela inflação, através da perda do poder aquisitivo da moeda. Poder aquisitivo do qual todos dependem, especialmente as pessoas e famílias de baixa renda.

Exatamente por dispor de todo esse poder, o Banco Central deve estar subordinado ao poder da soberania popular, ou seja, ao voto. Por isso, o presidente do BCB é indicado pelo Presidente da República e aprovado pelo Senado, os dois poderes eleitos pela população.

Banco Central na nossa história

Nos últimos 25 anos (do Plano Real até hoje), o BCB atuou com bastante autonomia. Seus presidentes foram indicados pelos Presidentes da República e os nomes seguiram para aprovação do Senado Federal. No entanto, não tiveram mandato fixo e podiam ser demitidos a qualquer momento pelo PR.

Nesse período o BCB teve 8 presidentes. Nesse mesmo período o Brasil teve 5 presidentes da República (sem contar o atual Presidente). Dá para ver como os presidentes do BCB tiveram vida longa no cargo.

O projeto encaminhado pelo governo Bolsonaro

O projeto encaminhado pelo atual governo fixa um mandato de 4 anos para o presidente e para os diretores do Banco Central (8 diretores), permitindo uma recondução pelo mesmo período. Além disso, torna os mandatos dos presidentes (da República e do BCB) não coincidentes, ou seja, o recém eleito presidente da República pode ter de trabalhar, nos seus primeiros dois anos de mandato, com um presidente do Banco Central que não foi indicado por ele. E, se quiser indicar um novo presidente, só o fará no meio do seu mandato.

Segundo o projeto encaminhado, a demissão do presidente do BCB poderá ocorrer a pedido, por doença, por improbidade administrativa ou por insuficiência de desempenho em relação aos objetivos do BCB (estabilidade de preços e solidez do sistema financeiro). Nesse último caso (insuficiência de desempenho), a exoneração pelo PR só ocorrerá se autorizada por maioria absoluta do Senado Federal (41 senadores). Isso mesmo, quem poderá demitir o presidente será o Senado, mesmo que o recém eleito PR queira indicar um novo presidente do BCB!

Em nome de uma suposta isenção, neutralidade e conhecimento técnico dos dirigentes do Banco Central, a proposta limita a soberania popular, impedindo que o PR eleito demita o presidente e a diretoria do BC. Contudo, cabe a pergunta: o BC é um órgão puramente técnico, que não sofre influência externa dos diversos atores econômicos, especialmente dos bancos e instituições do sistema financeiro? A resposta é obvia. Sim. Sofre forte influência desses atores que já são muito poderosos no dia a dia da economia.

Concentração bancária no Brasil

Um dos indicadores dessa influência é a expressiva concentração bancária no Brasil. Os 5 maiores bancos detém 81,3 dos ativos totais, 84,4% dos depósitos totais e 83,5% das operações de crédito do segmento bancário no Brasil[1]. Segundo esse mesmo relatório do BCB, a concentração bancária, medida por ativos totais, é a segunda maior numa amostra de 20 países (14 desenvolvidos e 6 emergentes). Não é por acaso que vários presidentes do BCB são oriundos das instituições privadas do sistema financeiro. O penúltimo presidente do BCB veio do Banco Itaú. O atual presidente teve uma longa carreira no Banco Santander.

Assim, dar mais poder aos dirigentes do Banco Central, em nome de uma suposta neutralidade técnica, acima dos legítimos interesses da maioria da população, estipulando mandatos não coincidentes com o mandato do PR, impedindo sua demissão pelo PR (só poderá ser demitido por maioria do Senado), é praticamente conceder um cheque em branco para uma tecnocracia não submetida ao voto popular, na condução de políticas públicas de enorme impacto sobre a população. E, mais ainda, submetida aos interesses do sistema financeiro, setor do qual, aí sim, o BC deveria atuar de forma autônoma e independente!

Exatamente porque a atuação do Banco Central afeta inflação, nível de atividade, emprego, renda e desemprego, é que sua diretoria tem que responder aos interesses da população através do poder executivo e do poder legislativo, sendo demissível a qualquer momento pelo PR. Não cabe nem independência, nem autonomia da vontade popular.


[1]Relatório de Economia Bancária do BCB – 2017

A Reforma Trabalhista foi aprovada em 2017 com a promessa da geração de seis milhões de empregos, segundo pronunciamento do ex-ministro Henrique Meirelles no mesmo ano. O então Ministro da Fazenda do Presidente Michel Temer, esbanjava otimismo com a lei recém-aprovada.

Efetivamente, porém, a Lei 13.467/2017 não gerou empregos. Ao contrário, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE): o país tem atualmente uma taxa de desemprego de 12,7%, o que sinaliza um total de 13,4 milhões de trabalhadores e trabalhadoras sem emprego. Além do número de desempregados existe também o número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar trabalho, cujo índice aumentou para 4,83 milhões de cidadãos nessa situação, o maior número da série histórica cujo início ocorreu em 2012.

Além da diminuição do trabalho formal e da esperança de conseguir um emprego, a renda média do trabalhador brasileiro decaiu durante todo o ano de 2018, saindo do patamar de R$ 2.291,00 para R$ 2.259,00 entre o primeiro e o último trimestre do ano. Para efeitos de comparação, a inflação anual do mesmo período foi de 3,75% mostrando o declínio do poder de compra do trabalhador.

Em um ano e meio, aproximadamente, de Reforma Trabalhista o que se viu foi o aumento do trabalho autônomo, sobretudo para aplicativos de internet, e outras formas de precarização da relação do trabalho, seja a terceirização, sejam jornadas temporárias ou intermitentes. Ou seja, um imenso sacrifício que diminuiu a renda e as garantias jurídicas da população sem contrapartida das empresas e em prejuízo do estado.

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