Economia e medicina se juntam quando o assunto é a vacina. As ciências concordam que é muito mais barato “prevenir do que remediar”. E muito mais humano.

Vacinar é mais barato e mais humano do que tratar.

Em 2016, o Brasil ganhou um certificado da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS) pela eliminação do sarampo. O País começou a imunizar sua população contra a doença em 1972, nove anos após a invenção da vacina. Em 1982, a Organização Oswaldo Cruz (Fiocruz) lançou a vacina brasileira contra o sarampo. Já em 2019, vivemos o ressurgimento da doença.

O impacto da volta de doenças erradicadas e também das doenças evitáveis por meio das vacinas tem sido tema de pesquisas e, também, preocupação de governantes. Segundo a Fiocruz, somente em 2018, o Brasil registrou 10.326 casos da doença.

Vacinar a população é economicamente eficaz

Avaliações Econômicas de Programas de Vacinação é o título da tese de doutorado da médica Joice Valentim. No trabalho, ela analisou as estimativas de custos em intervenções preventivas – no caso do rotavírus e da varicela. As conclusões do trabalho apontam que o governo economizou 18% em relação ao rotavírus e 16% com a varicela.

Outra experiência notável é a relatada pelo médico ginecologista Alexandre Faisal, do Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP. Ele falou sobre o tema no podcast da própria Universidade, relatando a apresentação dos resultados de uma pesquisa que ocorreu em nível mundial sobre vacinação e economia.

Faisal contou que foram pesquisados 10 tipos diferentes de vacinas contra 10 doenças pelo mundo. “Nesses 73 países pesquisados entre 2001 e 2020, a vacinação evitou mais de 20 milhões de mortes. O que significou uma economia de 350 bilhões de dólares”. Faisal relata que a diminuição dos custos da área de saúde não são os únicos a serem computados, que os benefícios extrapolam a área e aparecem na economia dos países.

A mesma conclusão foi obtida em estudo da  Johns Hopkins University. A pesquisa apontou que a cada dólar gasto em imunização, há um retorno de US$16,00.

No Brasil, é preciso correr atrás do prejuízo

Em coletiva de imprensa ocorrida no dia 4 de outubro, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, lançou a Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo. “As crianças de seis meses a 1 ano, que anteriormente aguardavam fazer um ano para tomar a primeira dose, estamos comunicando aos pais para que se antecipem, para fazermos a primeira dose aos seis meses”, informou.

Segundo o ministro, 92% das crianças recebem a primeira imunização contra a doença; no entanto, o percentual cai para 80% na segunda dose da vacina. O fato ocorre há anos, o que ocasionou “um ano inteiro de crianças não imunizadas”, conforme apontou.

Sarampo – A campanha consistirá em uma estratégia conjunta entre a Atenção Primária à Saúde e a Vigilância para a Ampliação da Cobertura Vacinal. Haverá também um comunicado direto à população com tom informativo que será veiculado em rádio, televisão, internet e cinemas.

Durante a 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), realizada em agosto deste ano, em Brasília, o Ministério da Saúde anunciou a liberação de R$ 44,2 milhões para que municípios, com até 100 mil habitantes, adquiram câmaras frias e, com isso, ampliar, a estrutura para armazenamento das vacinas e imunobiológicos.


 

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