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Seminário internacional discute trabalho e novas tecnologias

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Imagem do site Recontaai.com.br

Questões globais, como pobreza e direitos sociais, deram o tom do debate do primeiro dia do Congresso da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que começou com um Seminário Internacional. Além dos delegados brasileiros, o evento conta com a participação de delegações de 38 países e acontece na Praia Grande, São Paulo.


O primeiro expositor foi o professor Rasigan Maharajh, do Instituto de Pesquisa Econômica em Inovação da África do Sul. Ele falou sobre as novas tecnologias e o aumento da desigualdade. “O aspecto mais triste da vida neste momento é que a ciência está juntando conhecimento mais rápido do que a sociedade consegue coletar sabedoria. Somos parte dos avanços que acontecem no mundo, mas não nos vemos como força motriz dessas mudanças”, disse.

“Os sistemas que dividem o mundo entre pobres e ricos continuam a crescer e suas fronteiras se tornam mais duras diariamente. Nós aumentamos a produtividade, mas não distribuímos equitativamente, contribuindo para a desigualdade”, explicou Maharajh.

Para Barbara Figueroa, da CUT Chile, as novas tecnologias também descaracterizam o trabalhador como trabalhador. “Não existe mais a noção do trabalhador construído no chão de fábrica. E nesse processo de descaracterização, a informalidade também contribui. Deixamos de ser trabalhadores e agora somos colaboradores das empresas”, declarou. Ela também comentou as semelhanças entre Brasil e Chile com as reformas em seus sistemas de previdência e como isso causa insegurança para a sociedade.

O debate sobre o futuro do trabalho com as novas tecnologias avançou pela manhã. Também participaram da discussão Andreas Botsch, da Confederação dos Sindicatos Alemães e Victor Baez, da Confederação Sindical Internacional.

À tarde, a discussão foi em torno da precarização das relações trabalhistas e ações possíveis aos trabalhadores frente à nova conjuntura. Na mesa, estiveram Luciana Itikawa, da Women in Informal Employment Globalizing and Organazing, que atua junto a mulheres que estão no mercado informal em todo o mundo, como trabalhadoras domésticas, de rua, domiciliares e catadoras de material reciclável.

Também participaram Susanna Camusso, da Confederação Geral Italiana do Trabalho; Rafael Freire, da Confederação Sindical de Trabalhadores/as das Américas e Augusto Praça, da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses.


Para Camusso, a mudança na organização dos trabalhadores deve ser profunda e estrutural. E os direitos não podem ser discriminatórios. “Independentemente de suas habilidades, gênero ou condição social, os direitos trabalhistas devem ser de todos, pois são direitos humanos. Devemos nos focar no combate ao encolhimento de direitos”, disse.

O debate evoluiu até à noite e contou com a participação dos presentes, que puderam fazer perguntas e intervenções. O 13º Congresso da Central Única de Trabalhadores vai até quinta-feira (10).