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Sem programas sociais, 32,1% da população do País estariam em situação de pobreza em 2020

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pobreza

foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS): uma análise das condições de vida da população brasileira, divulgada hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), jogou luz sobre a situação econômica dos brasileiros no ano passado.

O impacto dos benefícios sociais para a população em 2020 foi um dos principais destaques da pesquisa. De acordo com a SIS, o peso dos benefícios sociais no rendimento das famílias saltou de 1,7% em 2019 para 5,9% em 2020. Isso se deu principalmente por causa do auxílio emergencial e de outros benefícios emergenciais concedidos pelo Governo Federal no primeiro ano da pandemia.

Regionalmente, o maior impacto ocorreu no Norte do Brasil, com um aumento de 4,1% para 11,6% e no Nordeste, com alta de 4,4% para 12,8%. Segund o IBGE, isso se deu porque essas são, historicamente, as regiões onde se concentram maiores níveis de pobreza e desigualdade.

Mesmo com os benefícios sociais chegando a uma parcela maior da popuação brasileira, o rendimento domiciliar per capita (por pessoa), caiu 4,3% em 2020 com relação a 2019. Porém, sem os benefícios sociais, a tragédia seria ainda maior: segundo cálculos do IBGE, haveria uma queda de 8,4% no rendimento domiciliar per capita.

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O avanço da pobreza

Ao contar somente o rendimento das famílias para caracterizar probreza, excluindo ouros fatores como moradia digna, ensino básico de qualidade e proteção social, no ano passado de 6,5% a 29,1% das famílias brasileiras estavam em situação de pobreza e de 3,5% a 10,5% das famílias viviam em situação de extrema pobreza, dependendo dos critérios adotados.

Ainda assim, com o pagamento de benefícios governamentais, houve uma queda 1,1% do número de brasileiros em extrema pobreza em 2020 com relação a 2019. Porém, ao considerar 2014 como ano de comparação, a extrema pobreza aumentou 1%. No mesmo sentido, o número de cidadãos em pobreza diminuiu de 24,1%, no ano passado, em relação aos 25,9%, em 2019. Em relação a 2014, o número de cidadãos pobres manteve-se em estabilidade (23,8%).

Sem o pagamento dos benefícios emergenciais, o IBGE calculou que a proporção de pessoas em pobreza ou extrema pobreza aumentaria muito. De 9,7% para 12,9% na situação de extrema pobreza e de 28,2% para 32,1% em situação de pobreza.

Estados mais afetados pela pobreza e extrema pobreza

Amazonas, Maranhão, Pernambuco e Sergipe possuem a maior proporção de pessoas com rendimento domiciliar per capita abaixo de US$ 1,90, a linha definida pelo Banco Mundial para medir a extrema pobreza. Em mais sete estados o percentual de pessoas em extrema pobreza ficou com maior de 8,2%: Acre, Roraima, Amapá, Piauí, Ceará, Paraíba e Bahia.

Levando em conta o recorte etário, as crianças foram as mais penalizadas pela pobreza e extrema pobreza. 38,6% das pessoas entre 0 a 14 anos de idade, estavam nas famílias com rendimento familiar per capita menor de US$ 5,50/dia em 2020. Por fim, em uma análise combinada de gênero, cor e raça, as mulheres pretas e pardas formavam o grupo com maior incidência de pobreza, 31,9%, e também de extrema pobreza 7,5%.