Pular para o conteúdo principal

Sem denúncia contra Bolsonaro: Relatório da CPI da Covid completou seis meses na PGR

Imagem
Arquivo de Imagem
combustíveis

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia no Senado se encerrou no dia 26 de outubro de 2021, com aprovação do relatório de seus trabalhos, que incluía a recomendação de que diversas autoridades fossem investigadas, incluindo Jair Bolsonaro (PL) . No dia seguinte, a Procuradoria-Geral da República recebeu o documento.

Desde então, os dados levantados, depoimentos e testemunhos ocorridos nas sessões estão disponíveis ao órgão responsável por oferecer denúncias criminais contra autoridades que devem ser julgadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Investigações foram formalmente criadas, mas senadores que participaram da CPI entendem que Augusto Aras, procurador-geral da República, faz de tudo para que denúncias formais não apareçam - principalmente em um ano eleitoral.

A demora é tanta que Jair Bolsonaro já é investigado por questões relacionadas à pandemia que aconteceram após o fim da CPI.

Leia também:
- Número de famílias com dívidas aumentou em abril, diz pesquisa da CNC
- Lula: Iremos recuperar o País para o povo brasileiro, e os sindicalistas e trabalhadores serão respeitados

Vacinação

Especialistas ouvidos pela CPI apontaram que, em 2021, era possível estimar o desempenho do Brasil na pandemia a partir de uma série de comparações. Pedro Hallal, professor da Universidade Federal de Pelotas, afirmou que 4 em cada 5 mortes não teriam ocorrido se o País tivesse seguido a média mundial de óbitos naquele momento.

Em estimativa mais moderada, a médica Jurema Werneck, diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, apresentou dados que apontam que, caso medida sanitárias tivessem sido implementadas desde o início da pandemia, 40% das mortes em 2020 teriam sido evitadas - ou seja, 120 mil pessoas não teriam morrido naquele ano por covid.

Pensando apenas na vacina, Hallal estimou - com base nas datas de ofertas de imunizantes pela Pfizer e pelo Butantan ao governo federal - que ao menos 95 mil mortes poderiam ter sido evitadas caso a negociação das doses tivesse sido tão rápida quanto os fornecedores afirmavam poderem ser.

Além dos dados, a CPI em diversos momentos lembrou ocasiões em que Bolsonaro proferiu falas públicas contra a vacinação ou que colocavam em xeque a eficácia dos imunizantes.

A última do presidente - antes de ter afirmado que não tomou e não tomaria a vacina, apesar de ter colocado seu cartão de vacinação sob sigilo - foi ter relacionado vacinas contra covid com o desenvolvimento de AIDS, durante uma live em novembro de 2021. Ou seja, um mês após o final da CPI da Covid e do recebimento das acusações de senadores na PGR.

O STF decidiu abrir uma investigação sobre o caso, contra a vontade da PGR. O inquérito está sendo conduzido pela Polícia Federal.