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Segundou: Banco Central torra o triplo do previsto em reservas internacionais

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A queda abrupta das bolsas de valores em todo o mundo foi acompanhada por uma procura por ativos mais seguros por parte dos investidores, o que, por sua vez, levou a mais uma alta da cotação do dólar. Como resultado, o Banco Central (BC) vendeu o triplo do volume de moedas dos EUA que planejava colocar no mercado.

Na última sexta-feira (6), o BC estimava vender um bilhão de dólares nesta segunda-feira (9). Por conta da disparada na cotação, colocou no mercado três bilhões, acentuando uma trajetória de rápida diminuição das reservas internacionais brasileiras.

Ao longo de 2019, o BC vendeu 36,9 bilhões de dólares. Ao final do ano passado, o Brasil tinha 356,9 bilhões em moeda norte-americana, o menor patamar desde 2015. Em relação ao final de 2018, houve uma redução de cerca de 17 bilhões.

A partir de agosto de 2019, houve uma queima acelerada das reservas. Entre março e novembro do ano passado, mais de 5% das reservas acumuladas foram vendidas.

Utilidade

As reservas em moedas estrangeiras servem como uma espécie de seguro, para momentos de instabilidade internacional – em que pode haver variações abruptas nas taxas de câmbio – além de apontar para o mercado as condições de um economia nacional honrar seus compromissos. Na prática, a venda das reservas é um fator de contenção da valorização cambial do dólar.

“Fundamentalmente as reservas cambiais permitem estabilizar a taxa de câmbio. O Banco Central maneja a venda de reservas. Nesse momento todo mundo quer comprar dólar por razões de segurança e, no caso dos investidores externos, para sair do Brasil e aplicar fora daqui. As venda de dólares das reservas tenta garantir uma flutuação ‘suja’ da taxa de câmbio, impedindo que o real se desvalorize demais. Por isso, ter reservas cambiais é fundamental para operar essa política. Senão o câmbio ‘explodiria’, indo a cinco, seis, sete reais”, explica o economista Sergio Mendonça.

A capacidade de resposta do governo brasileiro, entretanto, ditará a a forma como o País atravessará um período possivelmente instável e de contração. “Há limites. Dependerá do tamanho e da duração da crise mundial. De qualquer modo, nesse aspecto estamos com razoável margem de manobra. De fato, a economia brasileira está mais frágil atualmente. Mas as reservas cambiais acumuladas – US$ 350 bilhões – são um pequeno alívio para uma possível crise semelhante à de 2008. O problema é se esse governo saberá manejar a política econômica no meio da tempestade”, complementa o economista.

Histórico

As reservasinternacionais começaram a ser recompostas em 2004, após terem sidoreduzidas ao longo da década de 90, por conta dos impactos desucessivas crises econômicas internacionais.

Um dos possíveis efeitos positivos da redução de reservas é a diminuição da dívida pública. Nesse sentido, uma das características excepcionais no período inaugurado em 2004 foi a capacidade brasileira de quitar dívidas em moeda estrangeira, ao mesmo passo que recompunha suas reservas internacionais, sendo um dos fatores que garantiu certa estabilidade ao Brasil durante o momento imediatamente posterior à crise de 2008.