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"Se o país voltar a se desenvolver, é possível fazer a indústria crescer novamente", diz economista

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A produção industrial no primeiro trimestre deste ano teve queda em relação ao mesmo período de 2021. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), publicada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os primeiros três meses de 2022 tiveram queda de 4,5% em relação a 2021. Na comparação entre março de 2022 e o mesmo mês de 2021, o recuo é de 2,1%.

Para Sérgio Mendonça, economista e diretor do Reconta Aí, é preciso tentar distinguir fatores de longo prazo de elementos pontuais para entender as dificuldades atuais da indústria brasileira.

"É difícil separar o que é estrutura do que é conjuntura. O Brasil está se desindustrializando há quatro décadas, por diversas razões. Não fomos capazes de avançar uma agenda de inovação, que permitisse que, independente da China, a gente conseguisse ter setores competitivos. Isso é uma coisa mais estrutural", diz.

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De outro lado, Mendonça destaca que é possível políticas concretas, protagonizadas pelo Estado, que podem induzir o investimento privado no setor industrial: "Um país que não cresce há tantos anos, também compromete. Quando a gente cresceu bastante, no período Lula, a indústria automobilística cresceu. Se o país volta a crescer, é possível fazer a indústria voltar a crescer".

O economista cita o complexo econômico industrial da saúde, a cadeia do petróleo e os setores aeronáutico e automobilístico como ramos da indústria em que o Brasil tem condições de inovar e se tornar competitivo a ponto de recuperar o peso da indústria na economia nacional.

Números

No critério mensal, março de 2022 teve alta de 0,3% em relação ao mês anterior, que registrou alta de 0,7% em relação a janeiro. O primeiro mês deste ano, entretanto, havia registrado queda de 2% na variação mensal. No acumulado de 12 meses, a produção industrial registra variação positiva de 1,8%.

Março de 2022 ainda registrou uma variação negativa de 2,1% em relação a fevereiro de 2020 - mês considerado como imediatamente anterior à eclosão da pandemia. Ou seja, no último mês do primeiro trimestre deste ano, a produção industrial tinha produção inferior ao patamar pré-crise sanitária.

A indústria brasileira ainda segue enfrentando obstáculos decorrentes da desarticulação de cadeias produtivas e da dificuldade de acesso a matérias-primas. "Além disso, a inflação vem diminuindo a renda disponível e os juros sobem e encarecem o crédito. Também o mercado do trabalho, que apresenta alguma melhora, ainda mostra índices como uma massa de rendimentos que não avança", diz André Macedo, gerente da pesquisa.