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Sampaprev 2: Servidora aposentada pede misericórdia a prefeito Ricardo Nunes

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A situação dos servidores municipais da cidade de São Paulo está a cada dia mais difícil. Uma reportagem feita pelo Sindicato dos Servidores Municipais de São Paulo (Sindsep) revela que além de estarem buscando sobreviver à inflação que corrói o poder de compra dos trabalhadores, estes servidores correm o risco ter parte de seus salários "confiscados" pela prefeitura por conta do novo plano de previdência, o Sampaprev 2.

Proposto pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB) e aprovado pela Câmara dos vereadores, o Sampaprev 2 prevê um desconto de 14% nos salários dos servidores para o plano de previdência específico. O desconto será feito aos trabalhadores da ativa e também aos aposentados.

Adelena, servidora aposentada sem renda

Foto: Arquivo pessoal

Adelena, agente de endemias da prefeitura, aposentada em junho deste ano, é um triste exemplo desta situação. A profissional concursada da prefeitura trabalhou por mais de 15 anos "subindo e descendo ruas, visitando casas e pontos comerciais, para afastar a população dos perigos do mosquito transmissor de dengue, chikungunya, zika, raiva e de outras doenças", conforme relata reportagem de Cecília Figueiredo para o sindicato. Hoje, Adelena está doente, fazendo uso de medicação controlada para diminuir a ansiedade frente ao futuro que se mostra ainda menos próspero do que o presente.

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Diminuição de salário e super endividamento

"Eu recebia R$ 3.200 e pouco, mas com a retirada do subsídio agora recebo mil e pouco [R$ 1.316 bruto], mas o banco vem comendo tudo por conta dos empréstimos consignados. Sempre que eu precisava de ajuda fazia um empréstimo para cobrir o outro. Há dois meses não recebo nada", desabafa Adelena sobre a sua situação financeira. O último holerite da aposentada revela um rendimento de R$ 790,15 depois de todos os descontos. Somente o valor de seu aluguel é R$ 1.120.

"Estou vendendo um fogão, o botijão de gás, roupas, pra ver se consigo inteirar o dinheiro do aluguel. Isso me tira o sono", relatou. A situação financeira da aposentada é tão complicada que ela está recorrendo a quem pode: "Estou pedindo pelo amor de deus ao dono da imobiliária não me despejar. Eu não conseguiria passar essa vergonha".

Para tentar sobreviver, mesmo aposentada, a servidora tem tentado complementar sua renda trabalhando como corretora de imóveis. Porém, sem experiência e em um mercado cada vez menos propício à compra de imóveis, ela não tem conseguido obter nem um salário mínimo na nova função. No mês de outubro, por exemplo, Adelena auferiu um redimento de pouco mais de R$ 400,00 com seu trabalho, além do valor recebido pela aposentadoria.

Ao prefeito Ricardo Nunes, Adelena pede: “Prefeito, tenha um mínimo de respeito pelo servidor, pelo trabalho da gente, porque quando precisam da gente, é sábado, domingo, feriado, dia do trabalhador, a gente sempre foi trabalhar. Saía às 6h pra estar na base às 7h, pra montar tudo, com sol, com chuva, estendendo faixa na avenida; sempre com boa vontade. Agora querer tirar do pouco que ganhamos, e ainda retirar de aposentados, que toda a vida contribuiu [com a Previdência]?! Em nome da dignidade humana, tenha um pouco de respeito, de misericórdia da gente. Não mexa no nosso dinheirinho, não". Segundo ela a situação é tão desesperadora que ela esta implorando a misericórdia dele.

Os servidores públicos municipais de São Paulo seguem em greve contra o Sampaprev 2.