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Saída de Rubem Novaes gera incertezas sobre futuro do Banco do Brasil

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Imagem do site Recontaai.com.br

Foto: Marcos Corrêa/PR

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, se demite do cargo e deixa rastros de incertezas sobre sua motivação e sobre o futuro do Banco Público

O pedido de demissão de Rubem Novaes na sexta-feira (24) pegou grande parte da imprensa e dos especialistas de surpresa. Bolsonarista de primeira hora, e apoiador dos planos de privatização de Guedes, contava com bom trânsito no governo, mesmo quando falava demais ou envolvia o Banco Público em situações complicadas.

A primeira delas foi a extinção da diversidade nas propagandas do BB, uma marca da instituição que dialogava bem com os jovens. Depois, foi acusado de censurar produções audiovisuais colocando questões ideológicas em um edital que garantia apoio pelo Banco do Brasil. No mesmo sentido, permitiu que o Banco anunciasse em sites que difundem fake news. Contudo, sua maior marca foi a defesa apaixonada pela privatização do Banco Público que ele mesmo conduzia.

Entre idas e vindas, não faltaram ocasiões – públicas e privadas – em que Novaes não defendesse a privatização do BB como forma de melhorar sua gestão.

O barulho pela cessão de carteira de crédito ao BTG-Pactual

Contudo, nada foi tão impactante na gestão de Rubem Novaes frente ao BB quanto a cessão de uma carteira de créditos do Banco para o BTG-Pactual. A venda de carteiras de crédito é corriqueira, porém, especificamente esta levantou suspeitas. Em primeiro lugar, pela falta de transparência; em segundo, por ter sido feita a um banco fora do conglomerado e em terceiro, porque o BTG foi fundado por Paulo Guedes, ministro da Economia do mesmo governo.

De qualquer forma, Novaes já foi chamado à Câmara dos Deputados para explicar a operação. Pode ser a forma adequada de sair da sua vida pública.

Os desgastes de Novaes

João Fukunaga, diretor executivo do Sindicato dos Bancários e coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), falou sobre o tema. “A saída do Rubem Novaes põe fim a uma gestão esquizofrênica, ao mesmo tempo em que ele defendia a privatização do Banco, não encontrava saídas para privatizar”.

Fukunaga relembrou também que o Banco do Brasil é uma S/A, listada nas bolsas internacionais. “Que segue as regras de compliance e governança que tanto os neoliberais defendem”, afirma.

Segundo Fukunaga, há três possíveis explicações sobre a saída de Novaes. A primeira, pode ser uma investigaçpão do Tribunal de Contas da União sobre a cessão da carteira ao BTG. A segunda, uma deúncia do Sindicato dos Bancários de Brasília, sobre o contágio de um garçom (que faleceu) por três vice-presidentes infectados por coronavírus, que seguiram trabalhando presencialmente.

A terceira possibilidade aventada por Fukunaga é o desgaste da gestão. Que ora fala sobre privatização, ora operacionaliza os programas sociais tão necessários ao Brasil, colocando em xeque a mentalidade ultraliberal de Novaes.