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Sachsida no Ministério de Minas e Energia: Petrobras privatizada?

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Petrobras

Com Adolfo Sachsida substituindo Bento Albuquerque no Ministério de Minas e Energia (MME), a possibilidade de privatização da Petrobras passou a rondar o cenário político.

Isto porque o próprio novo ministro prometeu a entrega da estatal ao setor privado - algo aparentemente incoerente com as sucessivas reclamações de Jair Bolsonaro (PL) em relação às sucessivas altas dos preços dos combustíveis.

Se a Petrobras será privatizada ou não depende fundamentalmente do que estamos falando quando utilizamos a expressão "privatização". A venda completa de todos os ativos da estatal, por conta do ano eleitoral, provavelmente está descartada.

"O Congresso não aprovará em fim de mandato. Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, disse que a privatização da Petrobras não está no radar. Confirmando que não há nenhuma chance de privatizá-la até o fim do mandato", explica Sérgio Mendonça, economista e diretor do Reconta Aí.

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Mendonça, entretanto, alerta para o fato de que Saschida "certamente trabalhará pela privatização da Petrobras em um improvável segundo mandato do Bolsonaro".

Deyvid Bacelar, coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), alerta para uma outra dimensão. Chamando a demissão de Albuquerque de busca por um "bode expiatório" por parte de Bolsonaro, o sindicalista lembra que a Petrobras já passa por um processo de venda gradual de ativos - como refinarias - desde o governo Temer (MDB), da mesma forma que a política de preços praticada pela empresa descaracteriza seu caráter público.

"[Neste sentido], vão continuar os planos de privatizações e de manutenção da atual política de preços", diz. Bolsonaro finge não ter responsabilidade pelo preço dos combustíveis. A União é a acionista controladora da Petrobrás e se o presidente da República quisesse, poderia mudar a política de preço de paridade de importação [PPI]. O PPI não é lei; é decisão do Executivo”, critica ele.

Na visão de Bacelar, há medidas imediatas para conter a alta dos combustíveis: “Se Bolsonaro está tão incomodado, porque ainda não anunciou um subsídio desestabilização usando os dividendos bilionários que o governo ganhou como acionista da Petrobrás no lucro recorde da companhia?”, questiona.