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Rubens Ricupero fala sobre o papel do Brasil na crise mundial

Depois de publicar artigo criticando a política externa brasileira, Rubens Ricupero falou sobre suas consequências para o futuro do País após a crise mundial do coronavírus.

Rubens Ricupero fala sobre a atual situação do Brasil frente aos países na nova ordem mundial.

Em meio a uma situação calamitosa na política e nas relações do Brasil, os responsáveis pela política externa de toda a Nova República, período que tem início com o fim da ditadura militar, escreveram um documento inédito criticando a condução da política externa – levada a cabo – pelo governo Bolsonaro.

Nele, os antigos responsáveis pela condução das relações exteriores do Brasil deixam suas diferenças políticas de lado para denunciar a sistemática violação da Constituição. Nesse sentido, explicitam até os artigos constitucionais – deixados de lado – para mostrar o quanto a diplomacia brasileira tem agido contrariamente à Carta Magna.

Além disso, o documento afirma que a atual orientação vinda do Palácio do Planalto, e levada a cabo pelo Itamaraty, tem consequências futuras para o País. São citados o “desmoronamento da credibilidade externa, perda de mercados e fuga de investimentos”.

Celso Amorim e Rubens Ricupero aprofundando o tema no evento online promovido pelo Observatório da Democracia. Na segunda parte dessa matéria, o pensamento de Rubens Ricupero sobre o papel do Brasil no mundo durante a após a crise mundial.

Rubens Ricupero afirma: “O Brasil se autoexclui do diálogo internacional”

Rubens Ricupero conhece diversos aspectos do Brasil e de sua economia. Em seu currículo, funções como ministro do Meio Ambiente e da Amazônia; ministro da Fazenda; secretário geral da UNCTAD e embaixador do Brasil nos Estados Unidos, Genebra e em Roma. E hoje, fora da ativa, ainda revela preocupações com o Brasil no contexto internacional.

Refletindo sobre os rumos do País interna e externamente, afirmou logo no início de sua fala que “é preciso manter o nexo entre os eventos atuais e as instituições que podem fazer algo acontecer, os partidos políticos”. 

Porém, sinaliza que na situação atual, o Brasil não está em condições de aproveitar as oportunidades de ação. “O Brasil se autoexclui do diálogo internacional”, afirmou. E isso se deve, a seu ver, ao governo atual. Ainda assim, acredita que o País não está perdido: “Existe uma possibilidade de ação e resistência”.

O Congresso precisa agir

É preciso recuperar os princípios básicos do artigo 4º da Constituição, assim como o parágrafo único, que explicita a união dos povos da América Latina. Para o ex-ministro, a Constituição brasileira é clara sobre os princípios orientadores da política externa, nas suas grandes linhas.

É por isso que Ricupero defende que quando se tem uma política externa como a atual, que viola e contraria esses princípios, o Congresso e o Judiciário precisam exercer a função de controlador dessa constitucionalidade. “É preciso que o Congresso saia de sua inércia, mesmo que nesse período haja muito mais temas importantes”. 

Ricupero acredita que o Congresso tem que trazer para si o exame das iniciativas internacionais temerárias desse governo. E tratar com rapidez a gravidade e as ofensas que membros do governo e da família do presidente Bolsonaro fazem a outros países.

“Em relações internacionais, aliança e aliado não são palavras inocentes”

A aliança do Brasil com os EUA é objeto de preocupação do ex-ministro. Ele explica que alianças são feitas em tempos de guerra. E ainda informou que em toda sua história, o Brasil só havia participado de duas alianças: a Tríplice Aliança, na Guerra do Paraguai; e a aliança com os Aliados, durante a Segunda Guerra Mundial.

Mesmo sem a assinatura de um acordo formal de aliança com os EUA, houve um acordo de cooperação militar com o país norte-americano. Ou seja, compramos a agenda de segurança militar dos EUA sem ter nenhum interesse nisso. Ricupero ainda questiona: “por que o Brasil vai comprar as inimizades dos EUA se tem acordos com diversos dos países que fazem parte desse hall?”

As projeções de futuro de Rubens Ricupero


“Disso tudo espero que o mundo retire como lição a necessidade de reforçar a OMS, criando um sistema para detectar as pandemias e combatê-las”, afirma Ricupero. Ele acredita que principais ameaças ao futuro não virão da China, ou de outro país. Mas sim, de problemas transnacionais como terrorismo, pandemias, armas de destruição em massa. E, segundo ele, esses problemas só se enfrentam com a união entre as nações. 

Ricupero defende a união entre os países da América Latina. E, conjunturalmente, se apoia no fato de que Argentina e México possuem, atualmente, posturas independentes e afinadas com a justiça social.

Nesse momento, acredita, a Argentina teve êxito ao conter a pandemia. E vem “dando lições não de 7×1, mas de 10×0” no Brasil. Hoje, a Argentina tem um número de mortes menor que um décimo das mortes do estado de São Paulo, com populações numericamente equivalentes. Isso, segundo ele, mostra a diferença que faz a qualidade da liderança.

Ainda sobre o futuro, Ricupero é enfático: “É preciso ressuscitar os BRICS que ainda existem, mas é preciso retomar seus espíritos”. E completa: “É preciso que o Brasil retome seu papel”. 

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