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Renda Brasil é suspenso com nova tensão entre Guedes e Bolsonaro

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Imagem do site Recontaai.com.br

Programado para ocorrer em conjunto com o lançamento da Casa Verde e Amarela, o anúncio da Renda Brasil – que renomeia um conjunto de programas sociais existentes na esfera federal – segue suspenso e sem nova data definida. O motivo do atraso é a divergência entre Jair Bolsonaro e Paulo Guedes.

O primeiro motivo de discórdia é o valor mínimo do eixo que substituirá o Bolsa Família. Enquanto Bolsonaro quer um piso de R$ 300, a equipe econômica defende um patamar mínimo de R$ 220 ou R$ 230, com complementos escalonados.

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A segunda questão é decorrência da primeira: há dificuldades para obter espaço no Orçamento para as pretensões de Bolsonaro, tendo em vista, entre outras questões, a vigência da Emenda Constitucional do Teto de Gastos. Guedes defende, por exemplo, o fim do abono salarial – direito garantido constitucionalmente.

Bolsonaro, que já defendeu a ideia no passado recente, passou a ser contrário à ideia. Publicamente, disparou contra seu “Posto Ipiranga”: “Não posso tirar de pobres para dar para paupérrimos”, disse na quarta-feira (26), mesma data em que afirmou que o anúncio do Renda Brasil estava suspenso.

A postura do presidente gerou reações do mercado financeiro, com queda na Bolsa e alta do dólar. Guedes, nos bastidores, reclamou da postura do presidente, que viu como uma tentativa de rotulá-lo como vilão. Após a crítica de Bolsonaro, chegou-se a cogitar, mais uma vez, a saída do ministro da Economia.

O vice-presidente Hamilton Mourão saiu em defesa de Guedes, afirmando que o chefe da equipe econômica “está firme” e “tem resiliência”. O nome de Roberto Campos Neto, atual presidente do Banco Central, é corriqueiramente ventilado como possível substituto de Guedes.

Guedes e Bolsonaro têm acumulado desgastes desde de antes da pandemia. A conturbada relação, vista por muitos como um embate entre diferentes visões sobre a economia, é analisada com mais frieza por outros setores.

O economista Guilherme Mello, professor da Unicamp, classificou em live do Reconta Aí o debate entre Guedes e Bolsonaro como uma negociação, em que o ministro da economia via de regra acaba cedendo aos intentos do presidente, mas garantindo concessões em alguns pontos para sua agenda de liberalização e privatização.