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Reforma Tributária: Paulo Guedes é o pior cabo eleitoral para Bolsonaro

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Paulo Guedes

Bolsonaro apostou alto quando entregou o Ministério da Economia para Paulo Guedes e deu carta branca para ele gerir a economia brasileira. Mas desde que assumiu a Pasta, a imagem do ministro vem se desidratando e a Reforma Tributária foi a cereja do bolo para transformá-lo em um péssimo cabo eleitoral para o presidente.

A equipe de redes do Reconta Aí realizou um estudo sobre a imagem digital de Paulo Guedes e constatou que 83,92% dos posts nas redes sociais que citam o ministro são de conteúdos negativos a sua imagem. A pesquisa levou em consideração 9.586 menções publicadas entre os dias 28 de abril a 13 de agosto de 2021. Desse total, 8.045 menções criticavam Guedes e apenas 1.541 o elogiavam.

Se considerarmos a quantidade de perfis envolvidos nas publicações, o cenário fica ainda pior. Entre os 6.169 perfis que falaram sobre o ministro, 5.299 o criticaram, o equivalente a 85,89% do total. É o mesmo que dizer que, de cada 10 pessoas que mencionam Paulo Guedes, 8,58 falam mal dele.

Para o cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESP-SP), Aldo Fornazieri, não tem como Guedes ter uma boa aprovação dos brasileiros, assim como tantos outros ministros do governo Bolsonaro. "É quase admirável que ele não tenha um índice de rejeição ainda maior nas redes sociais", diz.

Fornazieri explica que o ministro da Economia acumula políticas desastrosas que, junto com a pandemia, agravam ainda mais a situação do País e acabam com a sua popularidade. "Ele atrapalhou a compra de vacinas; propôs um auxílio emergencial de R$ 200, de miséria e morte; fez declarações desastrosas e até mesmo preconceituosas; bloqueou verbas para várias áreas sociais. Ele é um retumbante fracasso", acrescenta.

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Um desastre chamado Paulo Guedes

A Reforma Tributária é um dos principais fatores responsáveis para a imagem negativa de Guedes no momento. Sua proposta consegue ser criticada tanto pelos partidos de esquerda quanto pelos de direita.

O economista e professor do Instituto de Economia da Unicamp, Guilherme Mello, explica que a proposta original da Reforma Tributária era muito melhor do que a que está tramitando agora no Congresso Nacional. "Paulo Guedes está aceitando várias alterações na proposta para ajudar a reeleger Bolsonaro ano que vem", alerta o economista.

Mas não foi agora que a política econômica do governo Bolsonaro ganhou o "troféu desastre total". De acordo com Mello, é natural esse desgaste todo na imagem de Guedes. O cenário atual é de "altíssimo desemprego, que ele acha que vai se resolver pelo mercado; altíssima inflação; e uma agenda legislativa que é uma catástrofe".

Mello explica que as concepções de economia de Guedes são completamente antigas até mesmo dentro do liberalismo. "É um sujeito teimoso e apegado a ideias ultrapassadas. Completamente despreparado para enfrentar uma crise como a que o brasil enfrenta".

Para o professor da Unicamp, o desastre aumenta em meio a uma crise porque neste cenário é preciso ter conhecimento, preparo e boas ideias. "Coisa que o Guedes não tem. Ele não entende qual a função do Estado e como ele funciona. Achamos que em 2020 ele tinha aprendido. Chega em 2021 ele corta o auxílio emergencial em janeiro, sendo que o auxílio salvou a economia em 2020", lamenta Mello.

Quem conhece Paulo Guedes?

Antes da campanha eleitoral de 2018, ninguém sabia quem era Paulo Guedes. Fornazieri lembra que o ministro sempre foi muito criticado por economistas liberais. "Ele é muito mais conhecido como 'falastrão' do que como economista sério", frisa o cientista político.

Fonte: Google Trends | Período: de 2004 até 19/08/2021

Durante a campanha, Bolsonaro adotou Guedes como o solucionador de todos os problemas do Brasil. Ele até ganhou o apelido carinhoso de 'Posto Ipiranga'. Na época, Guedes era um ótimo cabo eleitoral para Bolsonaro: um liberal que queria vender empresas públicas, cortar gastos públicos, enxugar o funcionalismo e tirar o País da amarga recessão. Um prato cheio.

No entanto, com o passar do tempo, a máscara do 'Posto Ipiranga' foi caindo. A pesquisa do Reconta Aí mostra que, com exceção de Brasília e da Região Sudeste – onde ele é predominantemente criticado – as pessoas dos outros estados não o citam com frequência nas redes sociais. Ou seja, ele segue sendo pouco conhecido e, onde é conhecido, tem uma péssima fama.

Mesmo com a recente medida populista e eleitoreira de transformar o Bolsa Família em Auxílio Brasil, Mello não acredita que a popularidade do ministro da Economia melhore daqui pra frente. "O Auxílio Brasil não adianta muito se o desemprego e a inflação continuarem altos", enfatiza.