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"Apostar que a próxima reforma será a panaceia é o que estamos fazendo há cinco anos", diz Guilherme Mello, da Unicamp

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Imagem do site Recontaai.com.br

A insistência doministro da Economia, Paulo Guedes, em apostar na agenda de reformasliberais – pautadas na ideia de contenção de gastos – mesmoante os resultados frustrantes do ano passado e o cenário instávelda economia em 2020, tem sido alvo de críticas.

Inicialmente no meiopolítico, que pedia respostas do governo para além das reformas, ascríticas têm emergido até mesmo entre economistas liberais dediversos matizes.

Professora de economia, Monica de Bolle chegou a defender inclusive a revisão da Emenda Constitucional do Teto de Gastos, que congelou por duas décadas a possibilidade de expansão dos investimentos públicos.

Mudou o cenário. Crise sem precedentes pois não é financeira ou cambial, mas geopolítica e pandêmica. O que fazer?
1. Derrubar o Teto dos Gastos
2. Modificar o Teto para acomodar o investimento público
3. Ficar na ladainha das reformas.
Defendo 1 ou 2:https://t.co/dz7AKwBjDp

— Monica de Bolle (@bollemdb) March 10, 2020

“A questão do gasto público não é invariável. Em 2015, não era possível aumentá-lo. Hoje, é. Se mudam os fatos, mudo de opinião. Estamos numa crise sem precedentes e não é hora de resgatar mágoas passadas entre os que concordam. É hora de unir vozes para enfrentar os uníssonos”, complementou a economista, conhecida por no passado ter defendido medidas de austeridade.

Críticos

Posições como a de Monica de Bolle ecoam posições de economistas que vêm criticando o receituário neoliberal desde 2016.

“Diante desses fatos evidentes, não seria hora da imprensa abrir espaço para uma ‘crítica’ da estratégia adotada? Quais os erros, limites e contradições dessa estratégia? Ela ainda tem chance de dar certo? Quanto tempo levará? O Brasil pode esperar?”, questiona o professor da Unicamp Guilherme Mello.

O economista rejeita de forma explícita a ideia de Guedes – de que o avanço das reformas pode recuperar a economia. “Apostar que a próxima reforma será a panaceia é o que estamos fazendo há cinco anos. Mesmo que voltemos a crescer, como será esse crescimento? Grande ou pequeno? Distributivo ou concentrador? O que a estratégia neoliberal tem a oferecer ao País? Essas questões precisam ser feitas!”.

As preocupações com a capacidade de reação da equipe econômica brasileira reproduzem anseios manifestados até mesmo pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que pediu “uma resposta internacional coordenada”.

Investimento

Pelo projeto de Orçamento de 2020, o País deve ter pouco mais de R$ 19 bilhões para investimento público. É o menor volume já registrado desde 2007, ano em que a Secretaria do Tesouro Nacional iniciou a série histórica.

O montante é 15% menor do que o que foi previsto para 2019: cerca de R$ 22 bilhões.

O patamar é menor até mesmo que o valor investido nominalmente em 2007 – R$ 21,8 bilhões. Corrigido pela inflação medida pelo IPCA, o nível de 2020 é a metade do de 2007, que estaria em R$ 42,7 bilhões.

Oprevisto para 2020 representa um quinto dos investimentos públicosde 2014 corrigidos pela inflação, quando foram previstos R$ 103,2bilhões.