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Recuperação da economia deve ficar mais lenta com expectativa de Selic alta

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fundos de pensão, juros

O mercado financeiro elevou novamente a previsão para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) - que mede a inflação oficial do País - deste ano, de 6,11% para 6,31%. A nova estimativa está no boletim Focus divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC). A pesquisa traz projeções para os principais indicadores econômicos do País.

A estimativa de inflação para 2022 é de 3,75%; para 2023 e 2024, as apostas são de 3,25% e 3,06%, respectivamente.

Para alcançar a meta de inflação, o Banco Central usa como principal instrumento a taxa básica de juros, a Selic, estabelecida atualmente em 4,25% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom).

As apostas do mercado financeiro para a taxa Selic é que encerre 2021 em 6,75% ao ano. Para 2022, a estimativa é que a taxa básica de juros da economia suba para 7% ao ano.

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"A expectativa para o IPCA subiu 0,4 pontos percentuais apenas no último mês, e, com 6,31%, está mais de um ponto acima do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, de 5,25%. A inflação alta não só afeta os trabalhadores corroendo sua renda real, como também pressiona o Banco Central a elevar a Selic", explica Emílio Chernavsky, doutor em economia.

"Com a taxa básica de juros mais alta, a recuperação da economia, que mal prometia recuperar o nível de dois anos atrás, deve ficar ainda mais lenta, contribuindo para reduzir os salários e manter a taxa de desemprego em níveis elevadíssimos", complementa Chernavsky.

A expectativa de inflação para 2021 segue acima da meta a ser perseguida pelo Banco Central e definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,75% para este ano. Mas como há um intervalo de tolerância que pode ser de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o limite é de 5,25%.

Em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,53%; apesar do recuo, acumula alta de 8,35% nos últimos 12 meses.

PIB e Câmbio

A projeção para o crescimento da economia brasileira este ano passou de 5,26% para 5,27%. Para 2022, a expectativa para Produto Interno Bruto (PIB) ficou em 2,10% e para 2023, em 2,50%.

Em relação ao dólar, as instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central mantiveram em R$ 5,05 ao final deste ano. Já a previsão para 2022 é que a moeda norte-americana fique em R$ 5,20.