Reconta Aí Reconta TV Roda Reconta: “Só há duas maneiras de resolver uma crise: emprego e crédito”

Roda Reconta: “Só há duas maneiras de resolver uma crise: emprego e crédito”

Maria Fernanda Ramos Coelho esteve à frente da Caixa Econômica Federal entre 2006 e 2011. Primeira mulher a presidir um Banco Público no País, conduziu durante sua gestão programas importantes, como o Minha Casa, Minha Vida.

Em conversa com a equipe do Reconta Aí na tarde desta sexta-feira (29), Maria Fernanda falou sobre o Consórcio do Nordeste, bancarização, crise, auxílio emergencial e Bancos Públicos.

“É claro o processo de como são vistas as instituições públicas por parte do governo. Não há qualquer dúvida que ele voltará, assim que possível, com a pauta da privatização. Precisamos nos organizar para enfrentar o que ainda virá desse governo”, ressalta Maria Fernanda, ao comentar sobre a reunião ministerial do dia 22 de abril.

“O presidente da Caixa continua com a perspectiva de privatizar as diversas áreas da instituição. Mas penso que esse é um momento oportuno para entrar num processo de defesa da instituição”, sugeriu. “Não só no Parlamento, mas no âmbito da instituição, com os empregados da Caixa e com a sociedade porque na hora que todas as pessoas virem que precisou ter um Banco Público, esse banco foi a Caixa”.

Sobre o auxílio emergencial, disse que o Banco teve a capacidade de resposta, mas faltou qualquer gestão nesse processo: “Foi um massacre para os trabalhadores, para os empregados da Caixa”, disse, elencando a falta de equipamentos de proteção nas agências, deixando as pessoas e funcionários da Caixa vulneráveis aos riscos do coronavírus, além da abertura das agências aos sábados para o pagamento do benefício.

“Penso que vivemos num momento delicado e aí é importante separar o que é direção da Caixa e o que são empregados da Caixa. Os funcionários da Caixa têm cumprido seu papel, com espírito público, com dedicação; mas extremamente irresponsável é a direção da Caixa”.

Consórcio do Nordeste

Maria Fernanda também criticou o fato do Governo Federal fazer oposição por qualquer iniciativa tomada por governadores, especialmente os do Nordeste. “Todas as iniciativas que foram tomadas no sentido de reduzir a curva da pandemia, de prover as pessoas com condições de superar esse momento, o que estou vendo é oposição”.

“O Consorcio do Nordeste existe desde março de 2019. Ele busca fazer um processo de articulação de compartilhar boas práticas, inovações, fazer compras conjuntas e, nesse momento, tem tido um papel político muito importante: o de barrar todo o viés autoritário que o governo tem”, disse.

“Os governadores têm sempre se posicionado no sentido de brecar toda essa violência com o qual o Governo Federal trata as pessoas. Desde o inicio da pandemia, os governadores têm se reunido de forma virtual e tomado decisões importantes, como a criação do Comitê Cientifico.

Assista a entrevista completa aqui.