Reconta Aí Reconta TV Impacto insignificante, diz Miriam Belchior sobre Casa Verde e Amarela

Impacto insignificante, diz Miriam Belchior sobre Casa Verde e Amarela

Criado por Medida Provisória (MP) e anunciado no último dia 25 de agosto – Dia do Soldado, o programa habitacional Casa Verde e Amarela surge com a proposta de ampliar o acesso de cidadãos ao financiamento da casa própria e promover a regularização fundiária.

O texto, que já entrou em vigor, precisa ser votado em um prazo de até 120 dias pela Câmara e pelo Senado para ser transformado definitivamente em lei.

O programa foi tratado como uma reformulação do Minha Casa Minha Vida, criado na gestão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No novo formato [versão Bolsonaro], pretende atender 1,6 milhão de famílias de baixa renda com o financiamento habitacional até 2024, segundo promete o Palácio do Planalto.

Um dos eixos é oferecer juros diferenciados nas regiões brasileiras, localidades em que Jair Bolsonaro originalmente tinha o pior desempenho em pesquisas de opinião pública, ainda que esta intenção não seja explicitada.

Para Miriam Belchior, que foi ex-ministra do Planejamento no primeiro mandato de Dilma Rousseff e ex-presidente da Caixa entre 2015 e 2016, o programa anunciado por Bolsonaro não pega o centro do problema de habitação no Brasil, que é o déficit habitacional: ou seja, não atende a população que sofre pela falta da casa própria ou vive [e divide] moradia com outras famílias porque não tem condições financeiras. 

“Eu acho que o programa é um nada no déficit. Temos um déficit de cerca de oito milhões de moradias. Cerca de 80% desses oito milhões são familias de renda familiar de até R$ 1.800″, apontou.

“Então, qualquer programa que não lide com essa parte substancial, não está tocando nem de leve sobre o problema. É uma ofensa ao Minha Casa Minha Vida dizer que ele pode ser comparado. Porque a grande vantagem do MCMV foi exatamente focar nesse público”, disse.

No Casa Verde e Amarela, não há meta em relação à faixa 1 do Minha Casa Minha Vida, ou seja, famílias com faixa de renda de até R$ 1.800.

Miriam destaca que durante os sete anos do MCMV foram contratadas 4,25 milhões de moradias, sendo que metade delas para população faixa 1 (R$ 1.800) e com alto subsidio: “Tem que dar um subsidio alto para ter uma prestação pequena porque essas famílias não têm capacidade de pagamento e às vezes não têm como comprovar renda”, disse.

“Então, o grande diferencial do MCMV foi focar as suas ações em atender a  todas familias que precisam de casa. Mas ele teve especial foco para as familias de renda menor”, explicou.