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Racismo prejudica negros e negras na economia

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Imagem do site Recontaai.com.br

Engana-se quem pensa que os efeitos do racismo no Brasil limitam-se à violência. Na educação, na saúde e, até na economia, o preconceito espalha suas consequências.

Imagem mostra formandos em medicina, todos brancos, e garis, todos negros mostrando o racismo estrutural na sociedade. De um lado, formandos do curso de medicina da UFRJ, do outro, garis, funcionários da prefeitura do Rio de Janeiro. Via Mídia Ninja.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD-Contínua) é um indicador que mede a situação econômica de residentes no Brasil. Ela é feita regularmente e visa acompanhar os rendimentos e o mercado de trabalho, associados a características demográficas e educacionais. Por isso, é utilizada constantemente como parâmetro para estudos.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilou os dados de 2018 e fez um levantamento em relação a 2012. Esse trabalho levou em conta as características sociodemográficas da população: raça, cor, nível de instrução, rendimento de trabalho, entre outras características.

Salários mais baixos e profissões com menor prestígio

No ano de 2018, o País contava com 90,1 milhões de pessoas, com 14 anos ou mais, trabalhando. Destas, os ocupados eram representados por:

  • Pretos: 10,1%;
  • Pardos: 43,5%;
  • Brancos, 45,2%.

Para efeitos de comparação, segundo o IBGE, a composição étnico-racial do Brasil no mesmo período era:

  • Pretos: 9,3%;
  • Pardos: 46,5%;
  • Brancos: 43,1%.

Os salários pagos pelo trabalho de pretos, pardos e brancos são, em média, diferentes. Enquanto brancos ganharam em média R$ 2.897 em 2018, pardos ganharam R$ 1.659 e pretos R$ 1.636. Para se ter uma ideia, a média nacional dos rendimentos pelo trabalho é de R$ 2.234. Segundo o IBGE, brancos ganham 29,7% a mais; os pretos, 26,8% e, pardos, 26,8% a menos que a média.

A estrutura que perpetua o racismo

Mulher negra segura garoto branco de quem cuida como babá. Até quando negros e negras seguirão em profissões que pagam menos por falta de oportunidade?

O grau de educação formal, ou escolarização, tem um forte impacto na média salarial obtida. No Brasil de 2018, a população que trabalhava era divida quanto à escolaridade:

  • Sem instrução ou com o ensino fundamental incompleto: 25,8%;
  • Com, no mínimo, o ensino médio completo: 59,3%;
  • Ensino superior completo: 20,3%.

A pesquisa da PNAD-Contínua – que analisou todo o ano de 2018, mostra que em relação à cor ou raça, foram registrados 10,3 anos de estudos para as pessoas de cor branca e de 8,4 anos para as de cor preta ou parda. A média brasileira foi de 9,3 anos.

Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a cada ano a mais de estudo, o profissional tem, em média, um acréscimo de 15,07% no seu salário. Além disso, a chance de conseguir uma colocação no mercado de trabalho também aumenta com o nível de escolaridade.

O absurdo da desigualdade econômica

Segundo análise dos dados do IBGE feita pela Fundação Perseu Abramo, em 2016, pretos e pardos são 78% entre os mais pobres e somente 25% entre os mais ricos. A consequência desse fato pode ser vista na desigualdade social e econômica no Brasil.

O rendimento médio mensal de trabalho da população 1% mais rica foi quase 34 vezes maior que da metade mais pobre em 2018. Isso significa que a parcela de maior renda arrecadou R$ 27.744 por mês, em média, enquanto os 50% menos favorecidos ganharam R$ 820, segundo o IBGE.