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Quem pode comprar um apartamento hoje?

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São Paulo, Rio de Janeiro e outras capitais têm se tornado canteiros a céu aberto: milhares de empreendimentos imobiliários vêm sendo construídos com uma rapidez avassaladora, mudando as paisagens urbanas e incomodando com os barulhos ensurdecedores das obras. Contudo, o País segue em crise financeira, com aumento constante da inflação, estagnação de salários e alto nível de desemprego.

Ao contrário de outras épocas de boom imobiliário, o governo não está investindo em moradias populares, conforme explica o economista Fernando de Aquino, conselheiro do Conselho Federal de Economia (Cofecon). Então, a quem se destinam as residências que estão sendo construídas?

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Indicador mensal de formação bruta de capital fixo cresce, mas indicadores relacionados à vida dos trabalhadores despencam

No dia 4 desse mês, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) divulgou o Indicador Mensal de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). O avanço registrado foi de 2,2% em julho em relação a junho deste ano. Com isso, o resultado acumulado em 12 meses mostrou uma expansão de 16% nos investimentos.

A FBCF é composta pela construção, máquinas e equipamentos, programas de TI e outros insumos voltados para o aumento da capacidade produtiva ou produtividade. "Apesar de estarmos com essa crise, temos tido melhoras na Formação Bruta de Capital Fixo. Agora resta a gente discutir para que setores da economia são destinados esses investimentos", indaga Aquino.

Desemprego, endividamento e inflação

Vale lembrar que atualmente o desemprego atinge 14,4 milhões de pessoas, segundo o IBGE. A instituição aponta ainda que há 5,6 milhões de desalentados (pessoas em idade de trabalhar que desistiram de procurar emprego) e uma taxa de subutilização de 28,6% (pessoas que trabalham, e ganham, menos do que gostariam).

Fonte: IBGE/06/10/2021

Como consequência, a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor já mostrou que o endividamento das famílias segue em alta. E para economistas do mercado financeiro, o futuro não é promissor ao elevaram a estimativa da inflação para 8,51% em 2021, de acordo com o Boletim Focus.

Quem pode comprar um apartamento novo?

De acordo com Aquino, muitas vezes os investimentos têm sido feitos para atender consumidores de rendas maiores. "No caso da construção, podemos verificar isso", aponta. Apesar dos aumentos na construção civil, o economista chama atenção para o fato de que os setores de baixa renda não têm sido contemplados.

Aquino ressalta ainda que o mesmo no âmbito do Programa Casa Verde e Amarela, que tem realizado novas construções, não há apartamentos destinados às classes populares; segundo o economista, exigem recursos do Tesouro Nacional para subsídios que garantam o acesso à moradia por quem realmente precisa. "O governo tem evitado investir na baixa renda para não gastar recursos do Tesouro", opina.

Logo, as novas construções são destinadas à classe média, que tem acesso aos imóveis por conta dos juros menores e da renda do FGTS. E para as classes média alta e a alta, que estão trocando os investimentos no mercado financeiro pela compra de imóveis para alugar. Conforme Aquino, uma opção mais rentável na atualidade.

O economista conclui sua análise falando sobre os juros, que ainda estão baixos, garantindo acesso à casa própria para a classe média: "Os juros estão subindo, mas ainda não sabemos o quanto isso afetará o mercado imobiliário".