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A quem interessa manter Paulo Guedes como ministro da Economia?

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Inflação cada vez mais alta, um grande número de desempregados, uma economia que não decola e um escândalo envolvendo o ministro da Economia. Em um mundo ideal, esse seria o momento perfeito para que o presidente da República repensasse a política econômica do País e trocasse o dirigente da pasta.

Porém, o Brasil de 2021 está longe do mundo ideal e Paulo Guedes, mesmo sumido, não vê muitas ameaças ao seu posto como dirigente econômico do País - que já foi a 6ª maior economia do mundo. Ao contrário, desde que notícias sobre sua offshore em um paraíso fiscal surgiram, Paulo Guedes apenas emitiu uma nota à imprensa e vem se mantendo fora dos holofotes. O ministro sequer têm respondido sobre os péssimos indicadores econômicos e sociais do Brasil sob sua gestão.

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Por que Paulo Guedes se mantém no poder?

Segundo o cientista político, sociólogo e professor universitário Alberto Carlos Almeida, há três forças que seguram Paulo Guedes à cadeira de ministro. A primeira - e menos surpreendente - é a vontade que Guedes tem de continuar à frente do ministério. O professor explica que para o mercado financeiro - o grande fiador da eleição de Bolsonaro por causa de Paulo Guedes - o ministro impôs muito pouco do liberalismo que sempre pregou. "Porque na visão do mercado financeiro, Paulo Guedes abriu mão do seu ideário liberal", afirma Almeida. E ainda esclarece que para o mercado financeiro, no momento em que suas ações liberais fossem desautorizadas por Bolsonaro, Guedes deveria ter ido embora do governo, preservando suas crenças.

Já o segundo pilar de apoio de Guedes é o presidente Bolsonaro. Almeida afirma que o presidente não tem interesse em tirar Paulo Guedes, pois o ministro é uma 'marca'. "Colocar outro que não fosse Paulo Guedes poderia levar a algum tipo de turbulência desnecessária", afirma o professor.

Centrão é a terceira "perna" do tripé que mantém Paulo Guedes

"O Centrão quer que Paulo Guedes fique, mas fraco", afirma Almeida. O professor infere que dessa forma, os partidos políticos que compõme essa força política dentro do Congresso Nacional conseguem levar adiante suas pautas econômicas. O que não deve ser confundido com um projeto político econômico. Almeida afirma que o projeto econômico do Centrão é "gastar".

Conforme Almeida observa, até os últimos governos antes de Bolsonaro, o Centrão apoiou a política econômica do governo, todos eles. Contudo, Bolsonaro não tem uma política econômica, então a agenda econômica foi sequestrada por esse grupo político especialmente forte durante o governo Bolsonaro. "Quanto mais fraco ele ficar, melhor para o Centrão", conclui o professor.