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Queda do IPCA traz de volta o fantasma da deflação

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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) trouxe como resultado a deflação no mês de maio. O indicador mede a variação de preços praticados em serviços e produtos consumidos pelas famílias brasileiras.

A deflação, ou inflação negativa, significa a queda dos preços ao consumidor durante certo período. Apesar de parecer positiva, a queda de preços pode esconder um problema grave para a economia do País.

O economista e coordenador da Comissão de Política Econômica do Cofecon, Fernando de Aquino, explica que o IPCA é atualizado mensalmente pelo IBGE e mostra os preços de bens e serviços para famílias cujos rendimentos sejam de até 40 salários mínimos. A princípio, “mais de 95% das famílias do Brasil”, segundo ele. No mesmo sentido, aponta que “por isso é considerado amplo”.

O IPCA foi escolhido pelo estado brasileiro para calcular a meta de inflação do País para o ano.

No entanto, o economista adverte que a queda da inflação não significa queda nos preços, mas sim a diminuição da subida deles. “Quando a inflação cai não quer dizer que houve queda nos preços, quer dizer que os preços subiram menos”. Já a deflação significa, sim, queda nos preços.

Sucessivas quedas da inflação e agora, deflação

A queda do IPCA do mês de maio foi de 0,38%, após o recuo de 0,31% em abril, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O economista Sérgio Mendonça destaca que o que está puxando o índice para baixo são combustíveis, habitação (energia elétrica e outros itens). “Muitos itens estão estabilizados em função de uma queda muito forte da demanda”, disse.

Apesar da cesta que compõe os produtos e serviços analisada pelo IPCA ser uma média, dentro dessa variação de 40 salários mínimos familiares há um percentual muito grande no consumo. Ou seja, apesar da média dos preços ter caído, muitas famílias não sentiram essa redução.

Alguns preços subiram

Abrindo o conjunto de dados analisados pelo IPCA é possível observar que a alimentação no domicílio teve um grande aumento. Sérgio Mendonça explica que isso se deu “pelo maior consumo com as pessoas em casa”, referindo-se à quarentena.

Nesse sentido, Mendonça explica: “Os preços de alimentos também não caíram (na média) porque esse é o grupo que a demanda agregada ainda está segurando a queda [de preços]”.

O fantasma da deflação

De antemão, Sérgio Mendonça explica que a deflação persistente é mais um “mau sinal do que um bom sinal econômico”. No mesmo sentido, avalia que apesar do dado auferido remontar a 1998, quando a variação mensal ficou em -0,51%, destaca as situações da época. “Em 1998 as causas principais da queda da inflação foram um misto de recessão e valorização do câmbio”, explica.

“Agora, a causa principal é a forte recessão/depressão”, aponta Mendonça. O economista afirma ainda que em outros momentos de recessão, como em 2015 e 2016, também ocorreram quedas de preços, porém com menor intensidade.

A relação entre tempo e deflação é a chave para entender a questão

Sérgio Mendonça expõe que “queda de inflação por vários meses seguidos é a contrapartida de uma brutal recessão, ou até de uma depressão econômica”.

No mesmo sentido, o economista Fernando de Aquino espera que a deflação não se repita em junho. A projeção do economista se dá na esteira do preço dos combustíveis, setor que teve a maior queda em maio.”Já estamos notando uma elevação do preço dos combustíveis, em resposta ao aumento dos preços da Petrobras”, explica. Mesmo que esse aumento se dê na relação do mercado internacional, com as flutuações do preço no mundo, o economista avalia que isso ajudará o Brasil a se livrar do fantasma da deflação.